segunda-feira, março 10, 2014

A Suécia discute o regresso da educação do caráter na escola

(...) «Um estilo muito liberal de educação dos filhos, conduziu a que fosse criada na Suécia uma geração de crianças mimadas e centradas em si mesmas, o que não augura nada de bom para o seu futuro. Este é o diagnóstico do psiquiatra David Eberhard no seu novo livro "Como as crianças tomaram o poder", que desde a sua publicação no ano passado, desencadeou opiniões opostas e fez do seu autor, um protagonista de entrevistas na televisão e de editoriais - em grande parte críticos - nos jornais.

(...)


Não é que Eberhard proponha regressar à palmada. O que diz é que, ao abrigo da ideia do respeito pela criança, muitos pais renunciaram a estabelecer regras e disciplina aos seus filhos, os quais assumiram o comando e não só o da televisão.

"À partida, deve-se ouvir as crianças", admite Eberhard, "mas na Suécia foi-se demasiado longe. Elas tendem a decidir tudo nas famílias: quando ir para a cama, o que comer, aonde ir de férias, o que ver na televisão". "Vivemos numa cultura onde os chamados ‘especialistas' dizem que a criança é ‘competente' e a conclusão é que as crianças decidem".

Isto fez com que a educação do caráter das crianças deixe muito a desejar. Para Eberhard, são simplesmente mal educadas e teimosas. Numa reunião, interrompem constantemente, querem ser o centro das atenções e reclamam o mesmo espaço que os adultos.

Não se comportam melhor na escola. As crianças foram educadas numa atitude muito antiautoritária, e isso nota-se no modo de responder na escola aos professores. Estes têm de conversar com elas para que deixem de utilizar o telefone na aula e, segundo um exemplo citado por Eberhard, um professor que se atreveu a confiscar o telefone de uma criança, teve de enfrentar depois as críticas dos pais que o acusavam de não respeitar os direitos da criança.
As crianças de hoje são os filhos de uma geração que não conheceu muita disciplina, e que não sabe como impô-la.

A família não é uma democracia


Agora, o ministro da Educação tem vindo a pedir mais disciplina na escola. O que fez soar os sinais de alarme foi a descida das classificações dos alunos suecos de 15 anos nos testes PISA. As suas competências situam-se abaixo da média da OCDE, tanto em matemática, como em leitura e ciências, com retrocessos em todas elas. Não é estranho que olhem com inveja para a vizinha Finlândia, onde os professores têm uma autoridade que perderam na Suécia e cujos resultados académicos são excelentes.
Eberhard pensa que a educação recebida pelas crianças suecas não as prepara para as frustrações inevitáveis da vida. "As suas expectativas são muito altas e a vida é demasiado dura para elas. Daí terem crescido muito os casos de ansiedade e de jovens que se mutilam a si próprios".
Que propõe Eberhard para corrigir esta situação? Que os pais voltem a assumir o seu papel de educadores, acabando com a tirania da criança. "Tem de se assumir o controlo na família. A família não é uma democracia".

O diagnóstico do psiquiatra dividiu o país. Alguns veem confirmadas as suas preocupações, e apoiam que os pais coloquem mais limites às crianças. Outros dizem que o tipo de criação dos filhos corresponde à ênfase que o país deposita na democracia e na igualdade. Há quem veja o lado positivo de uma atitude antiautoritária, que favoreceria uma maior criatividade dos jovens quando se vão incorporar no mundo laboral.» (...)

In aceprensa.pt

sexta-feira, novembro 29, 2013

"entre a realidade, o anseio fundado e o desejo inatingível"

Resultados do Inquérito à Fecundidade realizado pelo INE em colaboração com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.



“Em média, as pessoas têm 1,03 filhos, pensam vir a ter no máximo 1,77 filhos, e desejariam ter 2,31 filhos.

A maioria das pessoas sem filhos tem menos de 30 anos; é porém neste grupo etário que é mais elevada a proporção dos que pensam vir a ter 2 ou mais filhos.

Independentemente da situação conjugal, do nível de escolaridade, ou da condição perante o trabalho, é predominante a percentagem das pessoas que pensam vir a ter, no máximo, 2 filhos.

A maioria das mulheres (51%) e uma grande percentagem dos homens (46%) tem filhos e não tenciona ter mais.

“Ver os filhos crescerem e desenvolverem-se” é o motivo mais apontado para a decisão de ter filhos.

“Custos financeiros associados a ter filhos” é o motivo mais referido para a decisão de não ter filhos.

 “Aumentar os rendimentos das famílias com filhos” foi a medida considerada como o mais importante incentivo à natalidade.”

(Notícia resumida no Economia & Finanças)

Associação de Famílias Numerosas pede inconstitucionalidade das taxas moderadoras

No DN: A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) vai pedir, numa carta enviada ao Provedor de Justiça, a inconstitucionalidade das taxas moderadoras e das limitações da isenção em crianças apenas até aos 12 anos.

(...) Devido a que «a isenção das taxas por insuficiência económica ignorar o número de dependentes.

"A avaliação que é feita apenas tem em conta os adultos que vivem desse rendimento e esquece totalmente o número de crianças", lamenta Ana Cid, considerando que se trata de uma "flagrante injustiça".

A título de exemplo, a associação refere que um adulto sozinho, com um rendimento na ordem de 628 euros tem isenção de taxa moderadora. Se o rendimento for de 640 euros, mesmo que dele vivam três, quatro ou cinco pessoas, essa família já não tem direito a isenção.» (...)

terça-feira, novembro 19, 2013

Valor social da aposta na família

O Centre for Social Justice (CSJ) nos seus relatórios sobre a sociedade britânica, dedicou particular atenção aos fatores sociais que provocam a pobreza.

O relatório publicado recentemente fixou o foco em como as diferentes estruturas familiares influem no desenvolvimento da sociedade.

Tendo em conta os dados deste estudo, pode afirmar-se que a Grã-Bretanha padece de uma autêntica epidemia familiar, onde é especialmente notório o progressivo desaparecimento do pai.

Mais de três milhões de crianças (aproximadamente 25% de toda a população infantil britânica) vivem em lares monoparentais; a percentagem aumenta à medida que a criança cresce: aos 15 anos, a percentagem de crianças em famílias separadas chega aos 45%; em cerca de 90% destes lares o pai está ausente, e 4 em cada dez crianças criadas somente pela sua mãe (no total, cerca de um milhão) mal contacta o seu pai.
    
      O relatório procura não fazer uma avaliação moral da separação ou do divórcio, mas recorda que as crianças criadas em lares monoparentais (mães separadas ou solteiras por escolha) ou com padrastros, têm duas vezes mais possibilidades de fracassar na escola, sofrer problemas de autoestima e de comportamento.

Também aumenta a incidência de gravidezes juvenis, o que por seu turno está associado a futuras famílias frágeis.

A percentagem de lares em pobreza é 2,5 vezes maior nos monoparentais que nos estruturados em torno de um casamento.

O auge da união de facto também é um dado negativo para a estabilidade social, visto que, segundo os dados do relatório, os casais da Grã-Bretanha em regime de união de facto têm três vezes mais probabilidades de estarem desfeitos (inclusivamente se mais tarde houve casamento) antes do primeiro filho atingir os cinco anos de idade.


Muitas vezes, o partido conservador deitou as culpas à falta de apoio do seu aliado liberal democrata para não ter proposto mais reformas destinadas a favorecer o casamento.

Mas com a recente aprovação do casamento homossexual, o partido conservador acabou por trair a sua aposta no modelo de família que mais benefícios sociais e económicos tem demonstrado ter.

O relatório do CSJ, embora não mencione o casamento homossexual, critica os conservadores por se terem deixado levar pela doce retórica dos "diversos modelos de família".

"Dizer que o tipo de família é irrelevante não é de todo verdade, e no final acaba por ser contraproducente. Devemos amadurecer o nosso discurso político sobre a família".


Um dos aspetos derivados da epidemia familiar britânica é o desaparecimento progressivo da figura do pai. Em quase 90% dos lares monoparentais, a família é formada pela mãe e pelos filhos.»

Em aceprensa.pt

sexta-feira, julho 12, 2013

Colère d’un homo contre Hollande, le président au cœur sec

Colère d’un homo contre Hollande, le président au cœur sec
(Nouvelles de France, 11 Juillet 2013)

Monsieur le président,

«Devenu, en une année, le président le plus détesté de toute la 5e République, vous vous interrogez peut-être sur ce record d’impopularité. Je viens – bénévolement – vous en donner la clé. (...)

Inhumanité face aux homos

Même chose envers les homos, Monsieur Hollande. Là, je suis directement concerné, puisque je suis homosexuel. Du coup, j’ai pleinement ressenti le message de haine que vous m’avez adressé à travers la loi Taubira.
Message de haine, oui ! Une haine clairement discernable derrière le discours officiel (compassion, justice, égalité des droits,…) – cette haine froide qu’on appelle ordinairement : indifférence, égoïsme, mépris absolu.
Pourquoi, Monsieur Hollande, pourquoi cet empressement à prendre au mot l’infime minorité qui réclamait le « mariage gay » ? Pour payer vos dettes de campagne envers M. Bergé ? Sans doute. Mais aussi, et surtout, pour ne pas avoir à entendre le cri de détresse caché dans cette revendication farfelue. C’est tellement commode, n’est-ce pas ? On prend au mot, pour ne pas avoir à entendre la véritable demande. Et hop : l’euthanasie ! Et hop : le « mariage gay » !
La réalité, Monsieur le président, c’est que beaucoup d’homosexuels sont des blessés. Des blessés de la vie. Ils souffrent de leur état. Un certain malaise interne les avertit, plus ou moins clairement, qu’ils ont, en eux, quelque chose de déréglé. C’est d’abord la compassion qu’ils attendent.»


quarta-feira, junho 19, 2013

A realidade

Nathalie de Williencourt é assumidamente lésbica, francesa, e uma das fundadoras de Homovox, uma das maiores associações de gays da França. 

Considera que a maioria de homossexuais, incluindo ela própria, não querem nem casamento, nem  adoção de crianças, e estão em desacordo com o projeto de lei do presidente François Hollande de legalizar ambas as práticas.

Numa entrevista, concedida no dia 11 de janeiro ao site de notícias italiano Tempi.it, Nathalie assinalou que “o casal homossexual é diferente do heterossexual por um pormenor: não podemos dar origem à vida“.

Williencourt afirmou com claridade: “sou francesa, sou homossexual, a maioria dos homossexuais não querem nem casamento, nem adoção de crianças, sobre tudo não desejamos ser tratados do mesmo modo que os heterossexuais porque somos diferentes, não queremos igualdade, mas justiça”.

A líder gay assinalou ainda que os próprios homossexuais “acreditam que as crianças têm direito a ter um pai e uma mãe, possivelmente biológicos, que possivelmente se amem. Uma criança que nasce do fruto do amor do seu pai e da sua mãe tem o direito de o saber.
 Se os casais homossexuais adotarem crianças que já estão privadas de pais biológicos, então estão sem pai e sem mãe pela segunda vez”.
(...) 

Williencourt denuncia que “em França somos censurados (Homovox.com). 

Escuta-se sempre o lobby dos ativistas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), mas a maior parte dos homossexuais estão irritados pelo facto desta organização fazer lobby em nosso nome. 
Nós não votámos para que eles nos representem”!

segunda-feira, abril 08, 2013

Matrículas

Aqui, o alerta: (...) «Soubemos que algumas ESCOLAS ainda pretendem impor a educação sexual aos nossos filhos, sem pedir prévia autorização dos pais!

Ora, a lei não o permite. A lei está do lado dos pais.» 

Também há  «há escolas que pretendem usar tempos de áreas disciplinares, criando a falsa ideia de que a frequência é obrigatória», o que é ilegal e imoral!

«PAIS, exijam às vossas escolas que vos respeitem e aos vossos filhos. A lei está do vosso lado.»

sábado, março 30, 2013

Custos e benefícios do atraso na idade do casamento

Relatório do Family Watch (em espanhol) e em inglês, pdf).

Excertos:

- o atraso na idade do casamento tem vindo a contribuir para a redução do número de divórcios nos EUA, dado que o casamento quer no início da década de 20 anos, quer antes, está associado a um numero mais elevado de roturas;

- 48% dos nascimentos de mães com menos de 30 anos, são de crianças que irão crescer com pai ausente; 
- este último dado já era conhecido anteriormente, mas atingia preferencialmente as mulheres com situação económica mais débil; atualmente é transversal a todos os níveis de rendimento;

- as crianças que vivem em famílias constituídas dentro de uma união de facto, têm três vezes mais probabilidade de experimentar rotura, do que os filhos de famílias com casamento;

- 35% dos homens solteiros ou que vivem em união de facto consideram-se "altamente satisfeitos" com a sua situação, comparados com 52% dos homens casados;

- 33% das mulheres casadas e 29% das que vivem em união de facto também se consideram "altamente satisfeitas", comparadas com 47% das mulheres casadas.

Food for thought ...



terça-feira, janeiro 29, 2013

Quem educa?

«As crianças não são hiperactivas, são mal-educadas»

Henrique Raposo, Expresso, 21 de janeiro de 2013

«É uma comédia que se acumula no dia-a-dia. Um sujeito vai ao café ler o jornal, e o café está inundado de crianças que não respeitam nada, nem os pardalitos e os pombos, e os pais "ai, desculpe, ele é hiperactivo", que é como quem diz "repare, ele não é mal-educado, ou seja, eu não falhei e não estou a falhar como pai neste preciso momento porque devia levantar o rabo da cadeira para o meter na ordem, mas a questão é que isto é uma questão médica, técnica, sabe?, uma questão que está acima da minha vontade e da vontade do meu menino, olhe, repare como ele aperta o pescoço àquele pombinho, é mais forte do que ele, está a ver?". E o pior é que a comédia já chegou aos jornais. Parece que entre 2007 e 2011 disparou o consumo de medicamentos para a hiperactividade. Parece que os médicos estão preocupados e os pais apreensivos com o efeito dos remédios na personalidade dos filhos. Quem diria?
Como é óbvio, existem crianças realmente hiperactivas (que o Altíssimo dê amor e paciência aos pais), mas não me venham com histórias: este aumento massivo de crianças hiperactivas não resulta de uma epidemia repentina da doença mas da ausência de regras, da incapacidade que milhares e milhares de pais revelam na hora de impor uma educação moral aos filhos. Aliás, isto é o reflexo da sociedade que criámos. Se um pai der uma palmada na mão de um filho num sítio público (digamos, durante uma birra num café ou supermercado), as pessoas à volta olham para o dito pai como se ele fosse um leproso. Neste ambiente, é mais fácil dar umas gotinhas de medicamento do que dar uma palmada, do que fazer cara feia, do que ralhar a sério, do que pôr de castigo. Não se faz nada disto, não se diz não a uma criança, porque, ora essa, é feio, é do antigamente, é inconstitucional.

Vivendo neste aquário de rosas e pozinhos da Sininho, as crianças acabam por se transformar em estafermos insuportáveis, em Peter Pan amorais sem respeito por ninguém. Levantam a mão aos avós, mas os pais ficam sentados. E, depois, os pais que recusam educá-los querem que umas gotinhas resolvam a ausência de uma educação moral. Sim, moral. Eu sei que palavra moral deixa logo os pedagogos pós-moderninhos de mãos no ar, ai, ai, que não podemos confrontar as crianças com o mal, mas fiquem lá com as gotinhas que eu fico com o mal.»

terça-feira, janeiro 15, 2013

Realidades (politicamente) inconvenientes ...

Journal of Sociology, June 2005 vol. 41 no. 2 163-183


A coabitação antes do casamento aumenta a probabilidade de rotura em cerca de 41%, nos homens, e 31% nas mulheres.

O nascimento de crianças fora do casamento aumenta este risco em 63% nos homens, e 2,3% nas mulheres.

O nascimento do primeiro filho, nos casamentos formalmente constituídos, reduz a probabilidade de rotura em 85%. 


A realidade continua impertinente ...

terça-feira, dezembro 11, 2012

Manipulações e complicações

O uso indevido da fertilização in vitro (FIV) ficou patente num  estudo realizado em França pelo Instituto Francês da Saúde e da Investigação Médica (INSERM) (publicado na Fertility and Sterility de Abril).


17% das mulheres que engravidaram artificialmente, mais tarde também tiveram filhos de forma natural.

De igual modo, 24% das mulheres que não tiveram êxito com a reprodução assistida, conseguiram posteriormente ser mães. 

Quando se conjugam todas estas circunstâncias, a proporção de mulheres que tiveram filhos depois de não o ter conseguido com a FIV chega a 45%. Isto indica que muitos casais não são totalmente inférteis e recorrem demasiado cedo à técnica.

Como se sabe, os bebés nascidos desta técnica têm mais probabilidade de terem doenças congénitas (aqui, artigo na Time)

sábado, dezembro 08, 2012

O papel do pai no século XXI

Conferência sobre conciliação trabalho-família, em Jaen, Espanha. Intervenção da Prof.a Maria Calvo (Universidade Carlos III):


O Pai não é «aquele que colabora na procriação ou aquele que traz dinheiro para casa; não é uma 'mãe em duplicado', não é um amigo, nem um colega». «É muito mais do que tudo isto - é uma figura imprescindível que é responsável pelo equilíbrio». 

Atualmente muitos pais estão físicamente ausentes, mas bastantes, também estão psíquicamente ausentes: «na sociedade atual, pede-se aos homens que atuem como as mães, mas o papel masculino é essencial».

Legendas em espanhol. 

sexta-feira, dezembro 07, 2012

literatura infantil / juvenil distópica

«O êxito de "Os jogos da fome" veio trazer uma nova moda no campo da ficção juvenil: as distopias ou histórias passadas em futuros onde imperam dificuldades e conflitos.»


(...) «os melhores romances distópicos retratam os medos que todos temos e sempre foram leituras apreciadas pelos jovens, porque tratam de inquietações próprias de quem está a entrar na idade adulta.

A isso podemos acrescentar que as caraterísticas da nossa sociedade propiciam tanto estas inquietações como aqueles temores: vivemos cada vez mais controlados e frequentemente nas mãos de quem se sente com legitimidade para experimentar com seres humanos; e, hoje com mais facilidade que ontem, muitos jovens cedo se dão conta das falsidades da sociedade em que vivem e da falta de integridade de boa parte dos adultos. 

Isto é: estes romances triunfam também por falarem de jovens que, ao mesmo tempo que anseiam por uma liberdade que só a verdade sobre si próprios e sobre o mundo em que vivem lhes poderia dar, se dão conta de estar a viver numa sociedade asfixiante e impiedosa, onde se marginalizam ou matam os mais indefesos, tudo feito com muita discrição e por motivos de compaixão.» (...)

«Tudo isto mostra que a indústria do entretenimento não procura apenas convencer-nos a comprar os seus produtos; procura também afincadamente que lhe imitemos o discurso. Para tal apoiam-se na cumplicidade de quem paga para que se  fale do que agrada» (...)

Em aceprensa.pt, sobre os títulos: Os Jogos da Fome, Os trípodes, A longa marcha, O dador de memórias, União, Delirium e Divergente,

sexta-feira, novembro 16, 2012

"Diário de um pai"

Henrique Raposo, no Expresso:

«Esta semana, a pátria teve um leve sobressalto quando viu a taxa de natalidade, mas o assunto voltou rapidamente à colecção de não-assuntos.Eu compreendo: se começassem a falar de apoios à natalidade, políticos, jornalistas e comentadores ainda perdiam, coitadinhos, as credenciais progressistas. 

Como se sabe, esses assuntos são coisas de fachos e reaças, e há que manter a feira das vaidades moderninhas e pós-moderninhas até ao fim.Mas, se não se importam, eu gostava muito de deixar um post-it reaça no frigorífico progressista da pátria: se nada for feito ao nível das políticas de família, Portugal vai atravessar um inverno demográfico que criará a tempestade perfeita.A actual crise é um pequeno aguaceiro ao pé do “Sandy” demográfico que estamos a cozinhar.» (...)
(...) «ser pai nesta terra já deve dar para entrar na escolinha dos super-heróis.Até porque o tal Estado social não existe neste campo. 
Já sou pai, e continuo sem ver o Estado social.» (...)

«É que encontrar uma creche financeiramente acessível é como encontrar um homem honesto no Parlamento.As IPSS de bairro são, sem dúvida, a melhor solução, mas repare-se na perversão do sistema: se tiver um rendimento mensal de 2250 euros, o casal já paga a mensalidade máxima, cerca de 400 euros.É outra renda, que se junta à renda da casa e à renda das fraldas, medicamentos, pediatra, brinquedos, leite de transição, frutinha, sopinha, roupinha e o cartão de sócio do Benfica. 

Como se tudo isto não fosse suficiente, os mais velhos dizem-me que o sistema fiscal não valoriza os filhos na declaração de rendimentos.
Eu não sei onde é que anda o Estado social, mas sei que o dito não está no sítio que deveria ser a sua primeira prioridade: as crianças, a formação da família, a saúde demográfica da sociedade. Há muito Estado e pouco social no tal Estado social.» (...)

«Mas, afinal, para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos? 0 Estado fica com metade da nossa riqueza e, mesmo assim, é incapaz de apoiar como deve ser a rede de creches já instalada.» (...)

«Se não serve para apoiar as crianças e as famílias, se não serve para garantir o futuro, o Estado social serve exactamentepara quê?»

sexta-feira, outubro 05, 2012

generosidade leva à satisfação com o casamento (é científico :)

(...) a «partir dos anos setenta do século passado que "o casamento começou a ver-se como um instrumento para satisfazer necessidades pessoais, mais do que ser uma oportunidade para servir o outro cônjuge na vida quotidiana, o que é bom para ambos", explica W. Bradford Wilcox, professor de sociologia da Universidad da Virginia, autor da investigação conjunta com Jeffrey Dew.

Uma contrapartida desta visão é constituída pelos hábitos de generosidade e sacrifício, que requerem que ambos os cônjuges ponham as necessidades do outro à frente das próprias. Sem essa renúncia de ambas as partes, quebra-se o equilíbrio e desmorona-se a estabilidade matrimonial.

Para estudar o modo como estes hábitos influem na satisfação dos esposos no seu casamento, os autores basearam-se na Survey of Marital Generosity. 

Trata-se de um inquérito feito com uma amostra nacional representativa de indivíduos casados (1705 homens e 1745 mulheres; dos quais, 1630 estavam casados entre si) que foram entrevistados entre 2010 e 2011. Os inquiridos tinham entre 18 e 45 anos, embora os cônjuges do participante principal pudessem ter até 55 anos.
(...)

«Um casal generoso dá lugar a um "círculo virtuoso", de modo que a entrega de um dos cônjuges acaba por atrair a entrega do outro. O estudo destaca como pequenos sacrifícios podem aumentar os sentimentos de auto-estima do membro do casal que deles beneficia, assim como avivar o seu sentido de gratidão e apreço pelo que os realiza.»

(...)«para melhorar a convivência entre os esposos não é preciso recorrer a grandes gestos de generosidade, mas frequentemente bastarão pequenas acções positivas que geram mais novidade no casamento»

quarta-feira, setembro 12, 2012

O Estado discrimina os ateus e agnósticos ...

(...) «se o Valter e a Viviana, dois fervorosos ateus da Charneca da Caparica, quiserem também unir as suas vidas de forma irrevogável, não o podem fazer juridicamente. 

Com efeito, a actual lei civil não lhes permite essa opção. Por outro lado, também não podem recorrer ao casamento indissolúvel católico, porque a Igreja, obviamente, não pode admitir ao sacramento do matrimónio um casal em que nenhum dos nubentes professa a religião cristã. 

Daqui resulta, portanto, que os católicos beneficiam de uma possibilidade jurídica que está vedada aos ateus e agnósticos, bem como a todos os outros cidadãos não católicos. 

Ao que parece, esta proibição legal de uma aliança conjugal perpétua baseia-se no entendimento de que o Estado não deve permitir que ninguém, mesmo agindo no pleno uso da sua razão e vontade, se possa comprometer matrimonialmente de forma definitiva, ou seja, sem uma cláusula de eventual rescisão.

Uma tal prudência legislativa seria louvável, se não fosse tão incrivelmente contrária à mais elementar liberdade dos cidadãos. Com a mesma razão, ou a mesma falta dela, também se deveria proibir legalmente a adopção, pois é tão irreversível quanto o seria um matrimónio indissolúvel. 

Portanto, é avisado que o ordenamento jurídico seja exigente nas condições que requer para uma decisão definitiva, mas não pode, salvo que se assuma como expressão de um poder autoritário, restringir a liberdade dos nubentes quanto ao tempo e ao modo como se querem comprometer matrimonialmente. 

Poder-se-ia objectar que, se o casal ateu não se quiser divorciar, nada o impede de permanecer casado o tempo que quiser e, por isso, não precisaria de um casamento civilmente indissolúvel, nem de nenhuma cláusula proibitiva do divórcio. Mas um tal argumento não é válido, porque aquilo que realmente pretende quem quer casar para sempre não é apenas a não dissolução, de facto, da aliança nupcial. Quer, sobretudo, a impossibilidade jurídica de que a dissolução se possa verificar por decisão de um cônjuge, ou de ambos. 

O Valter e a Viviana não querem apenas prescindir individualmente da sua faculdade de requerer o divórcio, mas cada um deles quer também evitar que possa ficar divorciado por efeito de uma acção interposta pelo outro. Ora um tal objectivo só poderá ser alcançado se houver, efectivamente, um matrimónio civil indissolúvel. Com efeito, segundo a lei vigente, qualquer casamento é dissolúvel, mesmo contra a vontade do cônjuge inocente, o que acontece as mais das vezes.» (...)

(Público, 11 de Setembro, Gonçalo Portocarrero de Almada, via blogue O Povo)

sábado, setembro 01, 2012

os brinquedos que impedem de brincar

No i-online, Inês Teotónio Pereira:


«Há uma importante lição que só se aprende depois de muitos euros gastos e de muitos quilómetros percorridos em centros comerciais. A lição é a seguinte: as crianças não gostam de brinquedos. (...)

São vários os sintomas desta hecatombe. Um dos mais irritantes é visível nas festas de anos dos meninos: as crianças já nem abrem os presentes que os convidados levam. Elas querem lá saber, qualquer presente só pode ser mais um brinquedo inútil para encher o quarto – porque, se fosse alguma coisa especial, já a tinham.
(...)  Por isso, não é raro uma pessoa chegar a uma festa de anos, munida orgulhosamente de um presente – que também nem demorou assim tanto tempo a escolher –, entregar à criancinha aniversariante, que do nada emerge de um monte de prendas, e ela nem olha para a nossa dádiva envolta em papel de embrulho; diz um obrigado automático e nós ficamos a vê-la ser depositada num monte de presentes, (...)


Outro sintoma são os próprios quartos das criancinhas. Os quartos dos nossos filhos não são quartos, são garagens com uma cama lá no meio; são arrecadações onde, por acaso, alguém dorme. 
É impossível a uma criança organizar uma qualquer brincadeira nestas condições. Por isso, o interesse em brincar morre logo ali à entrada do quarto. 


Para se conseguir brincar é fundamental ter muito poucos brinquedos, para que eles possam assumir vários personagens em várias brincadeiras durante anos a fio. (...) o pior é que os brinquedos não têm graça nenhuma. Nada. São tão completos, tão fáceis, tão previsíveis e tão automáticos que o próprio brinquedo rouba a brincadeira toda e diverte-se sozinho. 


Não há como brincar com os brinquedos de hoje. Carrega-se nos botões e os bonecos fazem tudo, os piões rodam, os carros fazem piruetas e as torradeiras de brincar torram mesmo. Não existe nada que se possa fazer para brincar com brinquedos que brincam sozinhos. Para ficar a ver, mais vale ver televisão e jogar no computador. Sempre é menos monótono.


É por isso, e por falta de tempo, que as crianças deixaram de brincar. Não é que elas não queiram, a chatice é que elas não sabem. Nem têm forma de aprender.


Deixou de ser preciso imaginar e inventar e deixou de existir paciência para o fazer. Pior: tudo o que as crianças podiam imaginar ou inventar está imaginado e inventado e disponível em qualquer loja perto de si. Já não existe o conceito “passar a tarde a brincar”. Onde? Como? Com quê? Com quem? Pois. O melhor é ir ver televisão e não desarrumar nada.»

sábado, agosto 04, 2012

Porque é que as mulheres (ainda) não podem ter tudo?


(...) «"Eu costumava responder com um sorriso de condescendente superioridade quando outra mulher me dizia que tinha decidido deixar de trabalhar por algum tempo ou seguir um itinerário profissional menos competitivo para dedicar mais tempo à família", confessa Slaughter. Mas o seu trabalho na administração Obama fez-lhe ver as coisas de outro modo. "As ideias feministas sobre as quais eu construíra toda a minha carreira levaram um abanão".»

(...) «Professora de relações internacionais na Universidade de Princeton, Ann-Marie Slaughter sempre havia desejado trabalhar em política externa, tendo decidido que, a apresentar-se alguma oportunidade, permaneceria nesse posto todo o tempo possível. O seu sonho tornou-se realidade em inícios de 2009: foi nomeada Directora de Planeamento de Políticas no Departamento de Estado; era a primeira mulher a aceder a tal cargo. Porém, passados dois anos, demitiu-se e voltou a Princeton, por ter chegado à conclusão de que, sendo mãe de dois filhos, e o mais velho em plena crise de adolescência, fazia mais falta em sua casa que na Casa Branca.» (...)

"A sociedade devia dar valor às decisões de colocar a família acima do trabalho" (...)

Feminista convicta, provocou uma onda de polémica ao publicar em artigo, na revista The Atlantic, a sua história e a sua decisão de regressar à vida de casa. É o artigo mais lido da revista (mais de 700 mil leituras na edição digital) e um recorde de recomendações no facebook (mais de 180 mil ...)

(citado de aceprensa.pt)