sábado, março 30, 2013

Custos e benefícios do atraso na idade do casamento

Relatório do Family Watch (em espanhol) e em inglês, pdf).

Excertos:

- o atraso na idade do casamento tem vindo a contribuir para a redução do número de divórcios nos EUA, dado que o casamento quer no início da década de 20 anos, quer antes, está associado a um numero mais elevado de roturas;

- 48% dos nascimentos de mães com menos de 30 anos, são de crianças que irão crescer com pai ausente; 
- este último dado já era conhecido anteriormente, mas atingia preferencialmente as mulheres com situação económica mais débil; atualmente é transversal a todos os níveis de rendimento;

- as crianças que vivem em famílias constituídas dentro de uma união de facto, têm três vezes mais probabilidade de experimentar rotura, do que os filhos de famílias com casamento;

- 35% dos homens solteiros ou que vivem em união de facto consideram-se "altamente satisfeitos" com a sua situação, comparados com 52% dos homens casados;

- 33% das mulheres casadas e 29% das que vivem em união de facto também se consideram "altamente satisfeitas", comparadas com 47% das mulheres casadas.

Food for thought ...



terça-feira, janeiro 29, 2013

Quem educa?

«As crianças não são hiperactivas, são mal-educadas»

Henrique Raposo, Expresso, 21 de janeiro de 2013

«É uma comédia que se acumula no dia-a-dia. Um sujeito vai ao café ler o jornal, e o café está inundado de crianças que não respeitam nada, nem os pardalitos e os pombos, e os pais "ai, desculpe, ele é hiperactivo", que é como quem diz "repare, ele não é mal-educado, ou seja, eu não falhei e não estou a falhar como pai neste preciso momento porque devia levantar o rabo da cadeira para o meter na ordem, mas a questão é que isto é uma questão médica, técnica, sabe?, uma questão que está acima da minha vontade e da vontade do meu menino, olhe, repare como ele aperta o pescoço àquele pombinho, é mais forte do que ele, está a ver?". E o pior é que a comédia já chegou aos jornais. Parece que entre 2007 e 2011 disparou o consumo de medicamentos para a hiperactividade. Parece que os médicos estão preocupados e os pais apreensivos com o efeito dos remédios na personalidade dos filhos. Quem diria?
Como é óbvio, existem crianças realmente hiperactivas (que o Altíssimo dê amor e paciência aos pais), mas não me venham com histórias: este aumento massivo de crianças hiperactivas não resulta de uma epidemia repentina da doença mas da ausência de regras, da incapacidade que milhares e milhares de pais revelam na hora de impor uma educação moral aos filhos. Aliás, isto é o reflexo da sociedade que criámos. Se um pai der uma palmada na mão de um filho num sítio público (digamos, durante uma birra num café ou supermercado), as pessoas à volta olham para o dito pai como se ele fosse um leproso. Neste ambiente, é mais fácil dar umas gotinhas de medicamento do que dar uma palmada, do que fazer cara feia, do que ralhar a sério, do que pôr de castigo. Não se faz nada disto, não se diz não a uma criança, porque, ora essa, é feio, é do antigamente, é inconstitucional.

Vivendo neste aquário de rosas e pozinhos da Sininho, as crianças acabam por se transformar em estafermos insuportáveis, em Peter Pan amorais sem respeito por ninguém. Levantam a mão aos avós, mas os pais ficam sentados. E, depois, os pais que recusam educá-los querem que umas gotinhas resolvam a ausência de uma educação moral. Sim, moral. Eu sei que palavra moral deixa logo os pedagogos pós-moderninhos de mãos no ar, ai, ai, que não podemos confrontar as crianças com o mal, mas fiquem lá com as gotinhas que eu fico com o mal.»

terça-feira, janeiro 15, 2013

Realidades (politicamente) inconvenientes ...

Journal of Sociology, June 2005 vol. 41 no. 2 163-183


A coabitação antes do casamento aumenta a probabilidade de rotura em cerca de 41%, nos homens, e 31% nas mulheres.

O nascimento de crianças fora do casamento aumenta este risco em 63% nos homens, e 2,3% nas mulheres.

O nascimento do primeiro filho, nos casamentos formalmente constituídos, reduz a probabilidade de rotura em 85%. 


A realidade continua impertinente ...

terça-feira, dezembro 11, 2012

Manipulações e complicações

O uso indevido da fertilização in vitro (FIV) ficou patente num  estudo realizado em França pelo Instituto Francês da Saúde e da Investigação Médica (INSERM) (publicado na Fertility and Sterility de Abril).


17% das mulheres que engravidaram artificialmente, mais tarde também tiveram filhos de forma natural.

De igual modo, 24% das mulheres que não tiveram êxito com a reprodução assistida, conseguiram posteriormente ser mães. 

Quando se conjugam todas estas circunstâncias, a proporção de mulheres que tiveram filhos depois de não o ter conseguido com a FIV chega a 45%. Isto indica que muitos casais não são totalmente inférteis e recorrem demasiado cedo à técnica.

Como se sabe, os bebés nascidos desta técnica têm mais probabilidade de terem doenças congénitas (aqui, artigo na Time)

sábado, dezembro 08, 2012

O papel do pai no século XXI

Conferência sobre conciliação trabalho-família, em Jaen, Espanha. Intervenção da Prof.a Maria Calvo (Universidade Carlos III):


O Pai não é «aquele que colabora na procriação ou aquele que traz dinheiro para casa; não é uma 'mãe em duplicado', não é um amigo, nem um colega». «É muito mais do que tudo isto - é uma figura imprescindível que é responsável pelo equilíbrio». 

Atualmente muitos pais estão físicamente ausentes, mas bastantes, também estão psíquicamente ausentes: «na sociedade atual, pede-se aos homens que atuem como as mães, mas o papel masculino é essencial».

Legendas em espanhol. 

sexta-feira, dezembro 07, 2012

literatura infantil / juvenil distópica

«O êxito de "Os jogos da fome" veio trazer uma nova moda no campo da ficção juvenil: as distopias ou histórias passadas em futuros onde imperam dificuldades e conflitos.»


(...) «os melhores romances distópicos retratam os medos que todos temos e sempre foram leituras apreciadas pelos jovens, porque tratam de inquietações próprias de quem está a entrar na idade adulta.

A isso podemos acrescentar que as caraterísticas da nossa sociedade propiciam tanto estas inquietações como aqueles temores: vivemos cada vez mais controlados e frequentemente nas mãos de quem se sente com legitimidade para experimentar com seres humanos; e, hoje com mais facilidade que ontem, muitos jovens cedo se dão conta das falsidades da sociedade em que vivem e da falta de integridade de boa parte dos adultos. 

Isto é: estes romances triunfam também por falarem de jovens que, ao mesmo tempo que anseiam por uma liberdade que só a verdade sobre si próprios e sobre o mundo em que vivem lhes poderia dar, se dão conta de estar a viver numa sociedade asfixiante e impiedosa, onde se marginalizam ou matam os mais indefesos, tudo feito com muita discrição e por motivos de compaixão.» (...)

«Tudo isto mostra que a indústria do entretenimento não procura apenas convencer-nos a comprar os seus produtos; procura também afincadamente que lhe imitemos o discurso. Para tal apoiam-se na cumplicidade de quem paga para que se  fale do que agrada» (...)

Em aceprensa.pt, sobre os títulos: Os Jogos da Fome, Os trípodes, A longa marcha, O dador de memórias, União, Delirium e Divergente,

sexta-feira, novembro 16, 2012

"Diário de um pai"

Henrique Raposo, no Expresso:

«Esta semana, a pátria teve um leve sobressalto quando viu a taxa de natalidade, mas o assunto voltou rapidamente à colecção de não-assuntos.Eu compreendo: se começassem a falar de apoios à natalidade, políticos, jornalistas e comentadores ainda perdiam, coitadinhos, as credenciais progressistas. 

Como se sabe, esses assuntos são coisas de fachos e reaças, e há que manter a feira das vaidades moderninhas e pós-moderninhas até ao fim.Mas, se não se importam, eu gostava muito de deixar um post-it reaça no frigorífico progressista da pátria: se nada for feito ao nível das políticas de família, Portugal vai atravessar um inverno demográfico que criará a tempestade perfeita.A actual crise é um pequeno aguaceiro ao pé do “Sandy” demográfico que estamos a cozinhar.» (...)
(...) «ser pai nesta terra já deve dar para entrar na escolinha dos super-heróis.Até porque o tal Estado social não existe neste campo. 
Já sou pai, e continuo sem ver o Estado social.» (...)

«É que encontrar uma creche financeiramente acessível é como encontrar um homem honesto no Parlamento.As IPSS de bairro são, sem dúvida, a melhor solução, mas repare-se na perversão do sistema: se tiver um rendimento mensal de 2250 euros, o casal já paga a mensalidade máxima, cerca de 400 euros.É outra renda, que se junta à renda da casa e à renda das fraldas, medicamentos, pediatra, brinquedos, leite de transição, frutinha, sopinha, roupinha e o cartão de sócio do Benfica. 

Como se tudo isto não fosse suficiente, os mais velhos dizem-me que o sistema fiscal não valoriza os filhos na declaração de rendimentos.
Eu não sei onde é que anda o Estado social, mas sei que o dito não está no sítio que deveria ser a sua primeira prioridade: as crianças, a formação da família, a saúde demográfica da sociedade. Há muito Estado e pouco social no tal Estado social.» (...)

«Mas, afinal, para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos? 0 Estado fica com metade da nossa riqueza e, mesmo assim, é incapaz de apoiar como deve ser a rede de creches já instalada.» (...)

«Se não serve para apoiar as crianças e as famílias, se não serve para garantir o futuro, o Estado social serve exactamentepara quê?»

sexta-feira, outubro 05, 2012

generosidade leva à satisfação com o casamento (é científico :)

(...) a «partir dos anos setenta do século passado que "o casamento começou a ver-se como um instrumento para satisfazer necessidades pessoais, mais do que ser uma oportunidade para servir o outro cônjuge na vida quotidiana, o que é bom para ambos", explica W. Bradford Wilcox, professor de sociologia da Universidad da Virginia, autor da investigação conjunta com Jeffrey Dew.

Uma contrapartida desta visão é constituída pelos hábitos de generosidade e sacrifício, que requerem que ambos os cônjuges ponham as necessidades do outro à frente das próprias. Sem essa renúncia de ambas as partes, quebra-se o equilíbrio e desmorona-se a estabilidade matrimonial.

Para estudar o modo como estes hábitos influem na satisfação dos esposos no seu casamento, os autores basearam-se na Survey of Marital Generosity. 

Trata-se de um inquérito feito com uma amostra nacional representativa de indivíduos casados (1705 homens e 1745 mulheres; dos quais, 1630 estavam casados entre si) que foram entrevistados entre 2010 e 2011. Os inquiridos tinham entre 18 e 45 anos, embora os cônjuges do participante principal pudessem ter até 55 anos.
(...)

«Um casal generoso dá lugar a um "círculo virtuoso", de modo que a entrega de um dos cônjuges acaba por atrair a entrega do outro. O estudo destaca como pequenos sacrifícios podem aumentar os sentimentos de auto-estima do membro do casal que deles beneficia, assim como avivar o seu sentido de gratidão e apreço pelo que os realiza.»

(...)«para melhorar a convivência entre os esposos não é preciso recorrer a grandes gestos de generosidade, mas frequentemente bastarão pequenas acções positivas que geram mais novidade no casamento»

quarta-feira, setembro 12, 2012

O Estado discrimina os ateus e agnósticos ...

(...) «se o Valter e a Viviana, dois fervorosos ateus da Charneca da Caparica, quiserem também unir as suas vidas de forma irrevogável, não o podem fazer juridicamente. 

Com efeito, a actual lei civil não lhes permite essa opção. Por outro lado, também não podem recorrer ao casamento indissolúvel católico, porque a Igreja, obviamente, não pode admitir ao sacramento do matrimónio um casal em que nenhum dos nubentes professa a religião cristã. 

Daqui resulta, portanto, que os católicos beneficiam de uma possibilidade jurídica que está vedada aos ateus e agnósticos, bem como a todos os outros cidadãos não católicos. 

Ao que parece, esta proibição legal de uma aliança conjugal perpétua baseia-se no entendimento de que o Estado não deve permitir que ninguém, mesmo agindo no pleno uso da sua razão e vontade, se possa comprometer matrimonialmente de forma definitiva, ou seja, sem uma cláusula de eventual rescisão.

Uma tal prudência legislativa seria louvável, se não fosse tão incrivelmente contrária à mais elementar liberdade dos cidadãos. Com a mesma razão, ou a mesma falta dela, também se deveria proibir legalmente a adopção, pois é tão irreversível quanto o seria um matrimónio indissolúvel. 

Portanto, é avisado que o ordenamento jurídico seja exigente nas condições que requer para uma decisão definitiva, mas não pode, salvo que se assuma como expressão de um poder autoritário, restringir a liberdade dos nubentes quanto ao tempo e ao modo como se querem comprometer matrimonialmente. 

Poder-se-ia objectar que, se o casal ateu não se quiser divorciar, nada o impede de permanecer casado o tempo que quiser e, por isso, não precisaria de um casamento civilmente indissolúvel, nem de nenhuma cláusula proibitiva do divórcio. Mas um tal argumento não é válido, porque aquilo que realmente pretende quem quer casar para sempre não é apenas a não dissolução, de facto, da aliança nupcial. Quer, sobretudo, a impossibilidade jurídica de que a dissolução se possa verificar por decisão de um cônjuge, ou de ambos. 

O Valter e a Viviana não querem apenas prescindir individualmente da sua faculdade de requerer o divórcio, mas cada um deles quer também evitar que possa ficar divorciado por efeito de uma acção interposta pelo outro. Ora um tal objectivo só poderá ser alcançado se houver, efectivamente, um matrimónio civil indissolúvel. Com efeito, segundo a lei vigente, qualquer casamento é dissolúvel, mesmo contra a vontade do cônjuge inocente, o que acontece as mais das vezes.» (...)

(Público, 11 de Setembro, Gonçalo Portocarrero de Almada, via blogue O Povo)

sábado, setembro 01, 2012

os brinquedos que impedem de brincar

No i-online, Inês Teotónio Pereira:


«Há uma importante lição que só se aprende depois de muitos euros gastos e de muitos quilómetros percorridos em centros comerciais. A lição é a seguinte: as crianças não gostam de brinquedos. (...)

São vários os sintomas desta hecatombe. Um dos mais irritantes é visível nas festas de anos dos meninos: as crianças já nem abrem os presentes que os convidados levam. Elas querem lá saber, qualquer presente só pode ser mais um brinquedo inútil para encher o quarto – porque, se fosse alguma coisa especial, já a tinham.
(...)  Por isso, não é raro uma pessoa chegar a uma festa de anos, munida orgulhosamente de um presente – que também nem demorou assim tanto tempo a escolher –, entregar à criancinha aniversariante, que do nada emerge de um monte de prendas, e ela nem olha para a nossa dádiva envolta em papel de embrulho; diz um obrigado automático e nós ficamos a vê-la ser depositada num monte de presentes, (...)


Outro sintoma são os próprios quartos das criancinhas. Os quartos dos nossos filhos não são quartos, são garagens com uma cama lá no meio; são arrecadações onde, por acaso, alguém dorme. 
É impossível a uma criança organizar uma qualquer brincadeira nestas condições. Por isso, o interesse em brincar morre logo ali à entrada do quarto. 


Para se conseguir brincar é fundamental ter muito poucos brinquedos, para que eles possam assumir vários personagens em várias brincadeiras durante anos a fio. (...) o pior é que os brinquedos não têm graça nenhuma. Nada. São tão completos, tão fáceis, tão previsíveis e tão automáticos que o próprio brinquedo rouba a brincadeira toda e diverte-se sozinho. 


Não há como brincar com os brinquedos de hoje. Carrega-se nos botões e os bonecos fazem tudo, os piões rodam, os carros fazem piruetas e as torradeiras de brincar torram mesmo. Não existe nada que se possa fazer para brincar com brinquedos que brincam sozinhos. Para ficar a ver, mais vale ver televisão e jogar no computador. Sempre é menos monótono.


É por isso, e por falta de tempo, que as crianças deixaram de brincar. Não é que elas não queiram, a chatice é que elas não sabem. Nem têm forma de aprender.


Deixou de ser preciso imaginar e inventar e deixou de existir paciência para o fazer. Pior: tudo o que as crianças podiam imaginar ou inventar está imaginado e inventado e disponível em qualquer loja perto de si. Já não existe o conceito “passar a tarde a brincar”. Onde? Como? Com quê? Com quem? Pois. O melhor é ir ver televisão e não desarrumar nada.»

sábado, agosto 04, 2012

Porque é que as mulheres (ainda) não podem ter tudo?


(...) «"Eu costumava responder com um sorriso de condescendente superioridade quando outra mulher me dizia que tinha decidido deixar de trabalhar por algum tempo ou seguir um itinerário profissional menos competitivo para dedicar mais tempo à família", confessa Slaughter. Mas o seu trabalho na administração Obama fez-lhe ver as coisas de outro modo. "As ideias feministas sobre as quais eu construíra toda a minha carreira levaram um abanão".»

(...) «Professora de relações internacionais na Universidade de Princeton, Ann-Marie Slaughter sempre havia desejado trabalhar em política externa, tendo decidido que, a apresentar-se alguma oportunidade, permaneceria nesse posto todo o tempo possível. O seu sonho tornou-se realidade em inícios de 2009: foi nomeada Directora de Planeamento de Políticas no Departamento de Estado; era a primeira mulher a aceder a tal cargo. Porém, passados dois anos, demitiu-se e voltou a Princeton, por ter chegado à conclusão de que, sendo mãe de dois filhos, e o mais velho em plena crise de adolescência, fazia mais falta em sua casa que na Casa Branca.» (...)

"A sociedade devia dar valor às decisões de colocar a família acima do trabalho" (...)

Feminista convicta, provocou uma onda de polémica ao publicar em artigo, na revista The Atlantic, a sua história e a sua decisão de regressar à vida de casa. É o artigo mais lido da revista (mais de 700 mil leituras na edição digital) e um recorde de recomendações no facebook (mais de 180 mil ...)

(citado de aceprensa.pt)

quarta-feira, agosto 01, 2012

coaching familiar

(...) «Baseado na arte de perguntar mais do que de responder, o Coaching facilita o auto-conhecimento, a compreensão de quem somos e o que queremos ser, bem como propõe os meios para os alcançar. 
 
Pretende-se que o Coachee saia do seu mundo, se encontre consigo mesmo, saiba melhor quem é e quem pode chegar a ser, onde está, porque está aí e que rumo deseja dar à sua vida.

O Coaching Familiar dirige-se a todos que de uma forma sustentada pretendam desenvolver as suas competências pessoais, familiares e profissionais com uma visão de médio e longo prazo promovendo assim o seu efetivo crescimento.» (...)

Aqui: BeFamily (Better Families, Better People)

quarta-feira, julho 11, 2012

A forma como ensinamos os rapazes não é eficaz

A forma como ensinamos os rapazes não é eficaz. Podemos continuar a penalizá-los, ou tentar chegar até eles ...

Entrevista a David Chadwell (jornal Público, 14 setembro 2011)

Texto aqui. Livro, aqui.

(...) «- Essas diferenças existem porque há uma diferença biológica? Ou é cultural?

- Não sei.

- Não interessa saber?

- O debate que está instalado é esse: "É a biologia ou é a cultura?" Eu não sei. A comunidade médica começa a dizer: "Sim, parece haver alguma biologia..." E há pessoas a dizer: "Não, não é assim..." O problema é que esse debate está a acontecer no "mundo da investigação", mas na sala de aula temos estudantes que estão a ter desempenhos distintos, que não conseguem atingir o mesmo nível de sucesso, e temos professores que estão a tentar ensinar. Aos professores não interessa quais são as causas. O que querem saber é: "Como é que eu consigo chegar aos meus alunos?"

- As meninas têm melhores resultados, abandonam menos a escola, chegam mais à universidade. O sistema educativo está a prejudicar mais os rapazes do que as raparigas?

- A forma como estamos a ensinar não está a ser tão eficaz para os rapazes. Podemos continuar a penalizá-los. Ou podemos procurar perceber como chegar a eles. Isso vai ser mau para as raparigas? Não vai. Se tivermos rapazes que se estão a sair mal, em aulas mistas, isso também vai ser prejudicial para as raparigas. Porque se vai perder tempo, eles vão tentar gozar com elas... Não temos igualdade de desempenhos na leitura, por exemplo. Os rapazes estão a perder. Não quer dizer que não saibam ler. Há muitos que sabem fazêlo bem. Mas, em geral, o sistema educativo está a discriminá-los. Por outro lado, sim, é verdade que as raparigas vão mais para a universidade. Mas por que é que não vão para Engenharias? Ou para as Matemáticas ao mais alto nível? Isto é um problema a nível internacional. Como é que transmitimos certos conteúdos às raparigas de maneira e levá-las a dizer: "Quero seguir essas áreas"?» (...)

quarta-feira, maio 16, 2012

Tão maus como os "outros" ...

(...) “em cada hora, nascem em Portugal menos seis crianças do que seria necessário para garantir a renovação de gerações”
 

“Em vez de encarar este problema de frente, apoiando fortemente a paternidade e maternidade, o Estado Português continua a penalizá-las, tanto mais quanto maior o número de filhos, em franco contraste com o que acontece, há anos, na esmagadora maioria dos países europeus”, (...)

sexta-feira, abril 27, 2012

Manipulação eticamente assistida

No "Parecer sobre Procriação Medicamente Assistida e Gestação de Substituição" do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNEV), as chamadas «barrigas de aluguer», o texto tem uma nota final que diz que existe um "Parecer Alternativo" que colheu uma minoria dos votos. 
O Conselheiro Michel Renaud, designado como relator do Projeto, é também autor dum relatório minoritário, que está no mesmo site (embora apenas assinalado como "declaração conjunta"), e é assinado por alguns dos mais reputados membros do conselho: Michel Renaud, Ana Sofia Carvalho, Agostinho Almeida Santos, Francisco Carvalho Guerra, José Germano de Sousa, Maria do Céu Patrão Neves.
Dizem estes peritos que o texto aprovado, apenas reflete que «foi o interesse sempre prioritário e frequentemente exclusivo do casal beneficiário e não o interesse do nascituro que esteve na base da discussão do CNECV». 
Para um Conselho que pretende ser ético, isto não só é grave, mas é mais do mesmo: a ideologia a esmagar os interesses das pessoas e da sociedade.
Como se pretende construir uma sociedade pacífica com base na violação sistemática dos direitos dos mais frágeis?