quinta-feira, janeiro 05, 2012

Familias da classe média sem dinheiro para comida

Segundo a Confederação Nacional das Associações de Famílias (CNAF) estão a chegar demasiados pedidos de famílias da classe média que não têm dinheiro para comprar alimentos para os filhos.

A Confederação
alerta o governo para o facto de que a política fiscal penaliza discricionariamente a famílias com filhos a cargo.

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Figo Maduro


«Por morte do pai, em 2001, tive de equacionar quatro prioridades em relação à família, sem detrimento de nenhuma delas ao colocá-las por ordem numérica: tempo para os filhos; educação artística; dinheiro para nos sustentarmos; educação na fé católica.

Após ter sido professora de Inglês num colégio particular em Lisboa durante dois anos, em 2004, com os meus quatro filhos, mudámo-nos para Alcochete. Aqui, com alguma tranquilidade, pude ponderar melhor o futuro. Não obstante parecer evidente ter que me render a um protótipo de vida e a uma prototipa profissão, sabendo a priori o que isso significaria em falta de liberdade na gestão de tempo e em imprimir a dinâmica que queria, decidi não aceitar nenhuma das possibilidades de trabalho que me foram na altura sugeridas, e arriscar trilhar o nosso próprio caminho, com todos os riscos que uma tal decisão pudesse acarretar.

Atualmente sou gerente da empresa "FigoMaduro Unipessoal Limitada" cuja actividade é prestar serviços musicais e que tem por base uma família que sempre se dedicou à Música, composta por mim e os meus quatro filhos: João Maria (11); Madalena (13); Maria (15) e Luísa (17).

(...) esta foi a arte pela qual optei para se tornar aliada da educação que lhes queria proporcionar: é altruísta por natureza, porque não só feita para prazer de quem a faz, mas convida à partilha; é disciplinadora de hábitos e de gestão de tempo; requer perfeccionismo, por isso obriga à paciência e à humildade; molda um coração magnânimo, pois faz com que nos abramos outros mundos e a outras culturas. Tudo isto provocando um enorme prazer. O objetivo do FigoMaduro é, por isso, simultaneamente musical e educacional. Não se propõe, de que forma for e através dele, coagir qualquer um dos filhos a ser músico: sempre tiveram liberdade de escolha nos instrumentos que quiseram tocar e sempre terão liberdade para decidir as profissões que quiserem vir a desempenhar. Ainda que não houvesse oficialmente o grupo, existiria sempre o projeto. Entretanto, dois dos filhos optaram já pela via artística.

O crescimento do "FigoMaduro" tem sido gradual e ajustado à medida do que podemos corresponder, com a experiência que temos vindo a adquirir.

Em Julho de 2005 oficializámos o "FigoMaduro"; em Novembro de 2007 constituímos a empresa "FigoMaduro Unipessoal Limitada"; e em Novembro de 2010, lançámos o primeiro álbum*.
(...)

Em simultâneo, exerço funções de pai, mãe, dona de casa, música, empresária, secretária, manager e, desde que lançámos o CD, também editora. A sensação que tenho é a de quem começou há dez anos uma prova de pentatlo e que não pôde, ainda, recuperar forças.

Poder-se-ia pensar que os filhos não vivem a idade, dada a responsabilidade e o grau de exigência que lhes é pedido. No entanto, momentos tem havido que, ainda que fosse muito tentador aceitar esta ou aquela atuação, há que ter a fortaleza de dizer que não em benefício desse equilíbrio, em relação ao qual esforço-me por ser coerente. Em contrapartida, noutras alturas, e em detrimento de programas de fim-de-semana ou de uma festa, há que ter espírito de sacrifício, e dizer que sim. Para além disto, assumem uma atitude responsável em relação ao cumprimento dos deveres escolares, pelo
que me tranquilizam nesse aspeto.

Em suma: a crise de que tanto agora se fala, não nos suscita nenhuma novidade. Sempre fui educada a batalhar e alcançar objetivos por mérito próprio e, nesse sentido, posso afirmar que os filhos não fogem à regra.

(...)

Estamos especialmente gratos àquelas pessoas que nos contrataram, sobretudo particulares que, aquando do início, acreditando, confiaram.

Mas a grande mais valia terá sido a educação dos filhos que, através do Figo Maduro, lhes tem sido proporcionada, de tempo em família, de alegria, amadurecimento e desprendimento, de responsabilidade, rica de experiências e de contactos com todo o género de pessoas, de lugares que nunca poderiam ter conhecido, e a esperança que sentimos que semeamos, e nos é devolvida pela confiança que em nós depositam.

Pretendo com o que anteriormente foi relatado, demonstrar que é possível ambicionarmos algo em que acreditamos, ainda que remando contra a corrente, e que tudo devemos fazer para não sejam as circunstâncias adversas a impedi-lo. Crer e querer é tudo o que é preciso!» (Madalena Jalles)

quinta-feira, novembro 24, 2011

Proposta de alteração ao Orçamento com impacto neutro


«PROPOSTA DE ALTERAÇÃO AO ORÇAMENTO DE ESTADO COM IMPACTO NEUTRO»


«A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas entregou na passada semana ao Governo uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado com impacto neutro.

Tendo presente o facto de as famílias com filhos a cargo serem aquelas que, por possuirem um nível de despesas essenciais mais signifcativo nos seus orçamentos, e, por isso, muito menor capacidade de reduzir despesas, a APFN pretende que sejam tomadas medidas construidas especificamente para estas famílias por forma a garantir a equidade, e justiça, no esforço solicitado para enfrentar a actual crise.

Num parecer realizado por esta Associação à proposta de Orçamento de Estado para 2012 são destacados os seguintes aspectos:

O IRS ao continuar a não ter em devida conta a dimensão e as necessidades das famílias viola principios Constitucionalmente consagrados;

· As alterações que constam na Proposta de OE para 2012 fazem com que, para duas famílias com o mesmo rendimento, o potencial de imposto a pagar aumente em termos absolutos e relativos muito mais consideravelmente para as famílias com filhos a cargo, tanto mais quanto maior o número de filhos – por exemplo para uma família com 6 filhos a cargo, caso possua rendimentos que a enquadrem entre o 3º e o 6º escalão, poderá chegar a atingir um agravamento fiscal superior a 5.000,00 euros, enquanto que, para o mesmo rendimento e para uma família sem filhos a cargo, o agravamento potencial não ultrapassará os 2.700,00 euros;
· Todas as recentes medidas tomadas, nomeadamente, aumento do custo dos serviços e do IVA em bens essenciais como a electricidade, aumentos dos transportes e fim da comparticipação do estado nos passes, alterações nas taxas moderadoras e nos custos com a saúde, supressão dos subsidios de férias e de Natal dos funcionários públicos, etc, têm um impacto muito superior nas famílias com filhos a cargo.

Com base nestas evidências a APFN propõe uma alteração nos valores das deduções personalizantes: diminuição de 10% nas deduções personalizantes dos contribuintes e aumento de 40% nas deduções personalizantes dos dependentes.

Esta proposta foi construida a partir do estudo das deduções personalizantes liquidadas no ano de 2009, últimos dados publicados e disponíveis para tratamento e, segundo esta Associação, se esta alteração tivesse sido introduzida em 2009 o valor de deduções liquidadas teriam sido exactamente o mesmo do que foi e, tendo em conta que, o número de dependentes a cargo está a diminuir face ao número de contribuintes, não existe qualquer risco de que esta alteração contribua para um agravamento da despesa do Estado.

A Associação acrescenta que se trata de uma diminuição mínima nas deduções dos sujeitos passivos e uma pequena folga para as famílias com filhos a cargo que não é minimamente suficiente para compensar estas famílias do agravamento fiscal previsto neste OE mas que seria um sinal possível de uma verdadeira preocupação com a equidade e justiça na distribuição dos esforços da crise.»

(mais dados aqui)

domingo, novembro 20, 2011

O amor ao próximo como ferramenta de gestão


(...) «Não vale a pena ter políticas de responsabilidade social muito cheias de marketing - como limpar jardins ou pintar paredes de IPSS - se depois não se paga a horas. » (António Pinto Leite, entrevista, aqui)

sexta-feira, novembro 04, 2011

Discriminação contra os casados continua


Num blogue aqui ao lado: "Divorciar-se como meio de planeamento fiscal".

A factura elétrica das famílias portuguesas!

Ora bem, será que isto é real?!

Numa fatura de consumo elétrico de 100 €, as parcelas são as seguintes:

- IVA (6%) (agora de 23%) ....... 5,7 €

- Taxa para RDP e RTP (7%) ... 6,8 €

- Subsídios ................................. 53,5 €:

  • 3% harmonização tarifária dos Açores e da Madeira .................................................. 1,6 €
  • 10% rendas por passagem de cabos de alta tensão (Municípios e Autarquias) ................. 5,4 €

  • 30% para compensar operadores - EDP, Tejo Energia e Turbo Gás ...................................................... 16,1 €
  • 50% - investimento em energias renováveis .. 26,7 €
  • 7% - custos de funcionamento da Autoridade da Concorrência e da ERSE .............................................................................. 3,7 €

- Custo EFETIVO da eletricidade consumida ............................ 34,0


TOTAL ...................................................................... 100,0 €


Gostava imenso de me ter enganado nas contas ...

quarta-feira, novembro 02, 2011

A extinção dos europeus

(...) «Entre défices e dívidas, pouco se fala do que será, porventura, o maior défice que germina lentamente: o de natalidade.

Dele resultará um dos maiores problemas que legaremos aos vindouros: a insustentabilidade do actual modelo social público.» (...)

«Portugal ocupa a penúltima posição: 1,3 filhos por mulher. Em todo o mundo, pior só a Bósnia!» (...)

«Agora aproximamo-nos de 120 velhos por cada 100 crianças! As escolas fecham e os lares não chegam

O Estado Social só sobreviverá com uma primavera demográfica. Reduzir abonos, agravar custos de saúde infantil, eliminar deduções fiscais de educação é um sinal errado.» (...)

«Entretanto, a ameaça avança. Silenciosamente .»


(Bagão Felix, no Jornal de Negócios)