segunda-feira, setembro 12, 2011

Cultura mortal


(...) «no Portugal progressista de 2011, uma mulher que dá à luz é menos protegida do que uma mulher que escolhe abortar» (...)

Henrique Raposo, Expresso de 5 de Setembro de 2011

quarta-feira, agosto 31, 2011

Mais do mesmo (e o mesmo do costume)

Publicado no Diário do Minho (31-08-2011):

«A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) manifestou ontem «preocupação»
face ao «colossal aumento de bens de primeiríssima necessidade » e queixou-se que a dimensão
das famílias foi «ignorada para o cálculo do “rendimento mensal equivalente”».


«Vemos com preocupação o colossal aumento de bens de primeiríssima necessidade, como é o caso da electricidade, gás e transportes públicos, que, obviamente, serão tanto maiores em valor absoluto quanto maior a dimensão da família e mais elevado o número de dependentes a cargo», alega a APFN.


(...) « estas medidas não terão obrigatoriamente que agravar a injustiça, aumentando ainda mais a pressão sobre as famílias com maiores encargos de primeira necessidade, de forma desproporcionada relativamente às que têm menores encargos e, como tal, maior folga orçamental».


A APFN (...) «foi com enorme surpresa que tomou conhecimento de que a dimensão das famílias foi totalmente ignorada para o cálculo do “rendimento mensal equivalente”, o que fará aumentar ainda mais a fortíssima política anti-família e anti-natalista a que as famílias com filhos têm vindo a ser submetidas».

«O desprezo pelo Governo da dimensão do agregado familiar será uma omissão colossal.» (...)

Mais um argumento para os que pensam que os dois maiores partidos que têm governado o país não são assim tão diferentes ...

domingo, agosto 28, 2011

Agressão sonora

(...) Sexta, sábado e domingo, há, em Carnide, a partir de Maio, uma festa ou um baile, com uma espécie de música devastadora e penetrante, que não deixa dormir ninguém num raio de, pelo menos, dois quilómetros.

Nunca a polícia interveio neste simpático exercício, que, suponho, considera inócuo e perfeitamente legal. Reparei agora que este hábito se estendeu pela província, perante a benevolência de autoridades que sofrem de insónias ou que não querem interferir com a democracia.

Num Estado que proíbe tudo e regula tudo, a privacidade não conta. Só somos livres dentro de casa e com isolamento de som. A rua é de quem toma conta dela.»
(Vasco Pulido Valente, no Público)

Alerta vermelho

(...) « Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal, o banco central dos Estados Unidos, [diz] que não há muito que a instituição que dirige possa fazer para reforçar o crescimento económico e apelou aos líderes políticos americanos que façam mais para estimular a criação de emprego e o mercado imobiliário.
Lagarde, [actual presidente do FMI] por seu lado, salientou a necessidade de “uma nova abordagem, baseada numa acção política forte, com um plano abrangente que englobe todas as alavancas políticas, a implementar globalmente de forma coordenada”.

A directora-geral do fundo disse que as opções políticas são mais reduzidas que em 2008 e que “não há soluções fáceis, mas isso não significa que não existam soluções”, destacando, sobretudo, a consolidação fiscal e políticas macroeconómicas que estimulem o crescimento.» (No Jornal de Negócios)

sábado, agosto 27, 2011

Ciências da Complexidade

(...) « "há cursos que não têm qualidade, são completamente inúteis e enganam as famílias".

A culpa? Para José Morgado é do Ministério da Educação, que se "demitiu de controlar as escolas do ensino superior", uma demissão "negligente e terrorista", ao deixar que as escolas de ensino superior proliferassem de norte a sul do país "sem controlo" nem fiscalização dos cursos que cada uma oferece.

"Criam-se cursos, dão-se nomes diferentes, mas no mercado de trabalho o impacto será diferente." A título de exemplo, o professor faz notar que tirar um curso de Ciências da Paisagem não é a mesma coisa que ter uma licenciatura em Arquitectura Paisagista. E questiona: "O que é que um tipo formado em Ciências da Paisagem vai fazer? Vai para o desemprego."

O docente do ISPA confessa ainda ter ficado perplexo ao encontrar cursos como o de Ciências da Complexidade na lista da oferta formativa.

Em Portugal há 1181 cursos distribuídos por 271 estabelecimentos de ensino superior» (...)

Citado do i , entrevista a José Morgado Professor no ISPA.

sexta-feira, agosto 26, 2011

liderança


(...) «perigos da liderança. O elemento comum a todos é a sensação de invulnerabilidade da qual resulta uma vertigem de poder infinito. Por vezes, quando se está no topo, parece não haver limites. De onde decorrem três perigos: (1) os líderes poderosos afrouxam para si os quadros morais que exigem aos outros; (2) revelam uma propensão para não olhar a meios; (3) alargam o seu poder em vez de o limitarem.

Ora os líderes sábios fazem o oposto: (1) aplicam a si mesmos os quadros que querem que os outros sigam. Eles sabem que constituem um exemplo e que os outros seguirão esse exemplo, seja ele bom ou mau; (2) sabem que os meios não justificam os fins ("Adoro a competição", dizia Murdoch, que acrescentava: "E quero ganhar"); (3) restringem o seu poder. Conscientes do apelo do canto das sereias, pedem para ser amarrados ao navio.

Os líderes sábios acabam pois por controlar o seu próprio poder. Rodeiam-se de pesos e contra-pesos. São cautelosos e sabem que no meio está a virtude.» (...)

Retirei isto do Jornal de Negócios, um artigo de Miguel Pina e Cunha.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Para pensar

JPP, no Abrupto:Link
«No primeiro dia dos incidentes em Londres, antes de se formar a vaga maciça de repúdio pelos seus autores, – também, meus amigos, em si mesma um “movimento social” –, uma menina da televisão portuguesa falava da “indignação” da “população” londrina contra os cortes nos programas sociais, em particular para a ocupação dos jovens, motivo tido como próximo dos tumultos. Durante os dias seguintes, a mesma jornalista manteve um tom próximo do inicial, oferecendo-nos aquilo que podia bem ser a visão do Bloco de Esquerda britânico (existe e são trotsquistas) resistindo mesmo a um mínimo bom senso nos relatos que fazia.

Depois, mudou, com a onda, mas percebia-se que o seu entusiasmo esmorecera. Pelos vistos a “população” que se tinha “indignado” contra a polícia, dedicava-se a roubar plasmas e telemóveis. Deveria estar mais atenta aos trabalhistas britânicos, cujos deputados eleitos nos bairros onde começaram os tumultos foram dos primeiros a condenar violentamente o que se estava a passar e a pedir punição exemplar. Eles sabiam muito bem o que é que os seus eleitores pobres, étnicos, trabalhadores, pensavam da “população” que tanto entusiasmava a jornalista»

O ruído, assasino do pensamento

«O ruído é a mais impertinente de todas as interrupções porque interrompe o curso do nosso pensamento e chega mesmo a cortar-lhe o fio. Mas quando não há nada para interromper, é evidente que não pode ser sentido como um incómodo particular»
(Arthur Schopenhaeuer, 1788-1860)

domingo, agosto 07, 2011

educar para a eco-austeridade


(...) « ideias para transformar as suas idas ao supermercado em lições de vida para os seus filhos.

Distinga entre aquilo que apetece e aquilo de que precisamos. Quando um miúdo vê um brinquedo que realmente quer, ele muitas vezes acredita que precisa dele. Tente ensinar-lhe a diferença. Uma forma de não mimar demais os seus filhos é ensinar-lhes que aquilo de que necessitamos é importante e aquilo que nos apetece é supérfluo. Assegure-os que fará o seu melhor para lhes oferecer aquilo de que eles necessitam. Deixe para os amigos e familiares, nas alturas de aniversário e Natal, para lhes darem o que eles querem.

Evite comprar brinquedos e/ou roupas caras e de marca. Isto ajuda a desenvolver a ideia de distinguir o "apetece" do "preciso".

(...) A sua filha gostava imenso de dormir num pijama com as princesas da Disney nele desenhadas, mas convenhamos que dormirá tão bem num pijama Zara que custa metade do preço. (...) Explique isto aos seus filhos. Não se trata apenas de gastar mais uns euros nisto ou naquilo. Trata-se sim de adoptar um pensamento racional em relação a desejos imediatos. (...)

Adie a gratificação. Os nossos filhos estão a crescer numa geração que vive do imediato e que se está a tornar impaciente - eles têm acesso a fotografias instantâneas, mensagens instantâneas e filmes instantâneos. Ensine-os a esperar pelas coisas que eles querem mas de que não precisam. As probabilidades dizem que, se o fizer esperar, por um período determinado, por certa coisa (3 ou mais meses) o seu desejo por essa coisa vai diminuir, ao ponto de se esquecerem dela. Se, depois de um longo período de espera, eles finalmente têm o que querem, os seus filhos vão usufruir e apreciar mais essa mesma coisa.

Faça compras com uma lista, e tudo o que não estiver na lista não compre. Isto ajuda a controlar as chamadas compras por impulso e torna claro para os seus filhos aquilo que lhes vai ou não comprar. Mantenha-se longe das secções de doces e de brinquedos, a não ser que estes façam parte da sua lista de compras. Isto poupar-lhe-á algum tempo e dará menos ideias aos seus filhos de coisas que eles queiram.

(...)
Ensine aos seus filhos o valor do euro. Quando o seu filho tiver idade suficiente para usar o dinheiro, dê-lhe uma pequena mesada. Como diz o ditado, "para ensinar o seu filho o valor de um euro, dê-lhe um cêntimo". Dê-lhe uma determinada quantia de dinheiro mensalmente ou de dois em dois meses, para que ele tenha que esperar um tempo para que possa gastar o dinheiro. Nunca lhe dê um adiantamento. (...)

Recorde-o que o pouco é muito. É muito melhor dar aos seus filhos brinquedos educativos e de grande qualidade do que encher o quarto deles de brinquedos baratos que se partem facilmente e que em relação aos quais eles perdem rapidamente o interesse. Quanto menos brinquedos o seu filho tiver, mais os vai apreciar. (...)

Resista à pressão. Um dos argumentos mais persuasivos que uma criança pode usar para o convencer a comprar qualquer coisa ridiculamente cara é dizer "toda a gente na escola tem. Eu vou ser o único a não ter". Aqui terá uma oportunidade excelente para construir a atitude do seu filho perante as pressões dos pares. Mas primeiro deve preparar-se a si próprio para resistir à pressão dos outros pais, família e amigos. Esteja preparado para enfrentar a crítica de outros pais, família e amigos.

Partilhe com os seus filhos as razões para não comprar um determinado brinquedo muito popular e diga aos seus filhos que os está a educar de acordo com os seus padrões e de acordo com aquilo em que acredita, não com os padrões dos outros.

Mantendo-se firme, estará a ajudar o seu filho a viver de acordo com os seus princípios, sem ceder a pressões. Na adolescência, quando os colegas o pressionarem para beber ou tomar drogas, terá mais esperança que eles estejam acostumados a não fazer tudo o que os outros fazem e manterem-se firmes nas suas convicções. E isto ensinar-lhes-á também que o valor de uma pessoa advém não daquilo que ela tem mas sim daquilo que ela é.

Desenvolver uma atitude agradecida. Comparando com todas as crianças do mundo, os nossos filhos são extremamente privilegiados. Os nossos filhos usufruem de mais brinquedos, comida, conforto e mordomias, até mais do que os filhos de reis e rainhas de outros tempos. Além disso, enquanto o nosso filho se debate sobre que sabor de gelado escolher, outras crianças, do outro lado do mundo, estão a morrer à fome.

(...)
Modere e restrinja os seus próprios gastos. Faça um orçamento e mantenha-se fiel ao mesmo. Evite compras desnecessárias. Arranje forma de viver de maneira mais simples. O seu exemplo fala mais do que qualquer palavra.

Dizer que não a todas as coisas que o seu filho não precisa, numa base regular, não é fácil ou divertido. Na verdade, dá grande prazer a todos os pais ver a cara de alegria dos filhos quando eles têm um brinquedo novo ou qualquer outra coisa que eles desejem muito. Mas estes "nãos" são, na verdade, grandes "sins".

Eles são sins para as vozes da consciência e da razão. Sim contra a pressão dos pares. Sim em crescer em paciência e domínio sobre aquilo que se deseja. Sim à responsabilidade financeira e à liberdade. E sim a uma felicidade que dura muito mais do que bens materiais e fugazes.» (Mary Cooney, em aceprensa.pt)

quinta-feira, julho 21, 2011

Sociedade sem sexos

Em Estocolmo (na Suécia) o jardim infantil Egalia proibiu que os menores a seu cargo sejam tratados como rapazes ou meninas, para que cada um "escolha" desde a infância a sua "orientação sexual".

Este centro apresenta-se como sendo o projeto mais radical a favor da ideologia de género e contratou um “pedagogo de diversidade sexual” para ajudar os professores e funcionários a eliminarem as referências masculinas e femininas, quer da linguagem, quer na conduta.

Conforme opina o Forum Libertas.org, "a escola Egalia não considera os meninos como meninos, nem as meninas como meninas, mas para eles tudo é neutro". Os professores eliminaram "por completo o uso de palavras como ele e ela, e em seu lugar utilizam o pronome finlandês hen, que, ao ser neutro, serve tanto para referir-se a um homem como a uma mulher".

A escola diz que depois de um ano de funcionamento já tem uma lista de espera de 200 famílias que esperam uma vaga. "Quem são os principais alimentadores desta escola? Os casais homossexuais", respondeu a agência.

"A sociedade espera que as meninas sejam frágeis, gentis e bonitas e que os meninos sejam machos, ásperos e extrovertidos. Na Egalia nós damos-lhes a fantástica oportunidade de serem quem queiram ser", afirma Jenny Johnsson, uma das professoras.

Em declarações à ACI Prensa, a médica psiquiatra Maíta García Trovato, explicou que esta situação "além de ser absurda, poderia até configurar uma forma de maus tratos infantis" e recordou que "as crianças não são porquinhos da Índia para serem submetidos a este tipo de experimentação social".

"A tentativa de introduzir a ideologia de género logo nos primeiros anos de vida, é uma das estratégias desenhadas pelos promotores desta ideologia. No afã de "lutar contra os estereótipos", esquecem coisas tão óbvias como a diferença sexual, que faz a complementaridade de duas pessoas e as leva a formar um bem que todas as sociedades protegem - a família - por ser o habitat mais natural e adequado do ser humano: ".

Expor às crianças a possibilidade de "escolher" o género "é um despropósito e o único que conseguiria seria negar uma identidade à qual todos temos direito, desde que tomamos consciência de quem somos: a identidade sexual".

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Ou seja, desistiram (cobardemente, diria eu ...) de lutar por uma sociedade sem classes e, agora, querem impor uma sociedade sem sexos ...

segunda-feira, julho 04, 2011

Famílias reclamam igualdade de tratamento

(...) As famílias com filhos são as que, de forma desproporcional, têm sido mais atingidas pelas restrições financeiras impostas pela crise, quando são aquelas que têm um maior número de despesas essenciais (pelo que uma menor capacidade de encolher as despesas), e são também as que terão mais dificuldades em situações de desemprego, de doença, etc?

Assim mais uma vez reafirmamos 10 desafios que irão ser entregues a este Governo.

A nossa mensagem é simples: para garantir o futuro precisamos de mais crianças e jovens e de crianças e jovens bem preparadas e educadas, com capacidade de enfrentar os desafios de amanhã. (...)

(Comunicado da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas)

segunda-feira, junho 20, 2011

Como falar da morte às crianças

Traduzido e adaptado de aciprensa:

Em Outubro do ano passado tivemos uma série de infortúnios na família. O mais importante foi a morte do meu sogro e foi motivo de longas conversas entre a minha esposa, os filhos e eu.

O meu sogro vivia connosco já há alguns anos, tinha oitenta e um anos e era o mais velho da casa. Morreu sem ter tido nenhuma doença especial, sem grandes avisos, não nos dando tempo para nos prepararmos. Ficámos confrontados tanto com a dor, como com a dificuldade de dar a notícia aos nossos filhos.

Demo-nos conta de que mesmo quando nós adultos nos tentamos preparar para a falta dos familiares que nos são mais próximos, raramente pensamos em como ajudar os mais novos nesse transe.

Deixamos aqui algumas experiências:

  • Explicar o que sucedeu de forma clara aos filhos. Não é boa ideia dizer que a pessoa que morreu foi em viagem, ou que está adormecida. Em ambos os casos as crianças ficarão na expectativa de que a pessoa irá regressar ou acordar. Sabe-se que algumas perturbações do sono em crianças está associada ao medo de adormecer e morrer. Não se deve ter medo de usar a palavra "morte" nem "morto" - as crianças mais velhas entendem bem estes termos e sentem-se mais seguras por perceber de que estamos a falar.
  • Não é útil descrever com muitos pormenores como ocorreu a morte: deve explicar-se de forma clara, mas breve.
  • Devemos estar disponíveis para ouvir e intuir os sentimentos dos mais pequenos. Alguns sentem culpabilidade pela morte dos familiares. É útil explicar com clareza que aquilo que eles tenham dito, ou pensado, não provoca a morte a ninguém.
  • O entendimento que as crianças têm da morte varia com a idade. Os rapazes só entendem o significado da morte depois dos 3 anos, em geral. Dos 3 aos 5 anos, tendem a considerar a morte como um estado temporário, e reversível. A partir dos 5 anos já entendem que a morte é uma situação definitiva, mas só pelos 10 anos é que lhes ocorre que também eles próprios podem morrer.
  • A partir dos 10 anos entendem que a morte toca a todos.
  • Isto não é matemático: há muitas variações e, geralmente, as crianças que passaram pela situação de morte de um ser próximo geralmente têm uma compreensão mais profunda da situação.
  • Ficámos convencidos de que não devemos impedi-los de participar no velório e no enterro, mas apenas se o quiserem, livremente, fazer. Verificámos que a sua participação, voluntária, foi uma ajuda boa para eles próprios e para os outros.
  • Não se deve ter vergonha de chorar na frente dos filhos: eles entendem e sentem-se acompanhados na dor, mas as cenas (escandalosas) de gritos e sinais de desespero criam neles uma imagem muito negativa.
  • Devemos deixá-los expressar a sua dor. Podemos até ajudar comunicando-lhes como nós também sentimos essa pena. Isso evita algumas situações de dor não expressa, manifestada através de pesadelos, dificuldades de concentração, etc.
  • As crianças sentem-se mais acompanhadas com um abraço do que com explicações.
  • Para os que têm fé, é uma oportunidade de explicar em que consiste a esperança da reunião de todos na presença do Pai Comum.

segunda-feira, maio 16, 2011

País em vias de extinção

«Já tudo se disse sobre o memorando de entendimento entre Portugal e as organizações internacionais. Temos aí um plano, exigente mas equilibrado, para regressar à solidez financeira e crescimento económico. Basta que o próximo governo o assuma como prioridade e vença os grupos de pressão, aqueles que nos trouxeram a esta situação e ainda estão vivos e activos para se protegerem dos cortes.

O mais espantoso neste processo é que, na miríade de comentários, mal se tenha falado do pior problema estrutural do país que, apesar de compreensivelmente alheio ao memorando, está por baixo de boa parte das dificuldades actuais: a decadência demográfica. Portugal tem a taxa de fertilidade mais baixa da Europa ocidental, quase metade do nível de reposição das gerações. Somos um país em via de extinção.» (...)

«A ausência de crianças e jovens, que afecta o sistema educativo há anos, sente-se já em múltiplas outras áreas. Falta de produtividade, envelhecimento da população, problemas de segurança social, saúde, assistência, etc., são crescentes. Até a solução da dívida, poupar mais e trabalhar melhor, fica difícil num país com percentagem crescente de idosos.» (...)

«Nos últimos anos, o Governo teve uma posição clara e empenhada neste assunto, com decisões fortes e incisivas. Facilitou o divórcio, subsidiou o aborto, promoveu o casamento homossexual, criando assim a mais maciça campanha de ataque e desmantelamento da família da nossa história. Dados os resultados, pode dizer-se que, pelo menos aqui, a política governamental foi um grande sucesso e o Executivo pode orgulhar-se. Deu mesmo cabo do País!» (...)
(J César das Neves, DN, 16 de Maio)

sexta-feira, maio 13, 2011

"Os professores como factor determinante do sucesso escolar"


(...) «Nos últimos anos, tem sido repetidamente demonstrado, nas análises mais cuidadosas das variáveis que afectam o sucesso dos alunos, que o factor que mais influencia a relação escola - sucesso dos alunos é o professor e a qualidade das suas práticas.

Compreendeu-se também que esta ligação entre o ensino e a aprendizagem funciona melhor quando os professores são actores empenhados no processo e não se limitam a um papel de agentes.

Porque uma reforma, um programa, uma medida só é eficaz, na medida em que as pessoas são eficazes. Dizendo de outro modo, uma reforma é tão eficaz quanto as pessoas são eficazes.» (em aceprensa.pt)

Uma nova diáspora portuguesa

(...) «Portugal surge claramente acima da média em termos de predisposição dos jovens em terem uma experiência profissional no estrangeiro, de facto 25% admitem mudar de país numa perspectiva de longo prazo (igual à média europeia) e há ainda 32% que desejavam ter uma experiência temporária no estrangeiro (mais 4 pontos que a média europeia).

Ao todo temos 57% dos nossos jovens predispostos a trabalhar fora do país um valor acima dos 53% da média europeia. (...) No jornal Economia & Finanças, aqui.

sexta-feira, maio 06, 2011

A viragem do século no Reino Unido (e cá?)

(...) «Quase um ano depois da chegada de David Cameron ao número 10 de Downing Street, a sua visão da Grande Sociedade tem vindo a adquirir perfil»

Mas qual?

«A Grande Sociedade era nessa altura um projecto difuso na mente de Cameron. Havia, evidentemente, uma ideia clara: devolver aos cidadãos e às comunidades locais parte do poder que tinha vindo a ser acumulado pelo Estado na era trabalhista.

Cameron tem as coisas definidas: acabaram os entraves burocráticos da era trabalhista; agora é preciso favorecer a diversidade e a escolha

Mas o conjunto de ideias que acompanhavam essa mensagem central não eram demasiado concretas. Cameron -assegurava- queria promover o voluntariado, a iniciativa dos cidadãos, os valores familiares e a responsabilidade cívica.


Talvez o que desse maior coerência ao seu programa fosse a ideia de que a sociedade britânica estava quebrada e tinha de ser recomposta entre todos; uma espécie de "do it yourself" comunitário.

(...) A versão de alguns tories (...) é que o permissivismo dos trabalhistas, juntamente com uma política fiscal que privilegia a instabilidade familiar, tinha potenciado certos problemas como a dependência dos subsídios, o crescimento das taxas de divórcio ou o enfraquecimento dos vínculos sociais.

Outros tories, pelo contrário, preocupavam-se mais com a proliferação de regulamentações estatais durante os treze anos de governo trabalhista (acentuada, sobretudo, na fase liderada por Gordon Brown). (...) Para os críticos de Cameron, a Grande Sociedade é uma bonita maquilhagem para justificar os cortes orçamentais

(...) Em síntese, poder-se-ia dizer que durante a campanha eleitoral, a visão da Grande Sociedade tinha bastantes ingredientes para conseguir o apoio dos votantes. Em primeiro lugar, porque era uma ideia inclusiva: embora se definisse em oposição ao Estado Providência dos trabalhistas, apelava aos cidadãos com a ideia de que "disto tratamos nós todos". E, em segundo lugar, porque presentava valores e princípios positivos.

Também era uma ideia astuta, pois apresentava uma saída digna -e, de alguma maneira, uma justificação teórica coerente- para os futuros cortes orçamentais que o novo governo teria necessariamente de efectuar. Se a partir de agora a iniciativa seria dos cidadãos... que ninguém fosse a seguir solicitar dinheiro a Cameron.

(...) Aprovada em Julho passado, a Lei das Academias possibilitou que pais, professores, empresários, igrejas e organizações de beneficência criassem novas escolas, com financiamento público, sem que as autoridades educativas locais pudessem vetá-las

Em Novembro, o governo publicou um Livro Branco onde acrescentava novos incentivos à variedade de escolas e à liberdade de escolha. Além disso, propunha envolver mais as escolas públicas na preparação dos seus professores, dando àquelas uma maior autonomia

Depois da educação, chegou a vez da saúde. A medida mais significativa da reforma proposta por Cameron em Janeiro deste ano, consistia em transferir a gestão de 80% do orçamento do sector da saúde que se encontrava nas mãos das autoridades sanitárias locais, para consórcios formados por clínicos gerais, que se iriam juntar de modo a contratar serviços de hospitais e especialistas. O seu trabalho seria supervisionado por um novo órgão independente


Se acabasse por ser aprovada pelo Parlamento, a reforma permitiria aos médicos da Inglaterra (as outras partes do Reino Unido têm os seus próprios sistemas de saúde) decidir onde é necessário mais dinheiro e onde deve haver cortes. Além disso, os consórcios seriam autorizados a contratar serviços de empresas privadas que passariam a competir com a administração pública de saúde.

(...) Tendo em conta estas medidas, é evidente que Cameron está a ser coerente com a sua visão da Grande Sociedade. Outra coisa é o facto dos cortes que estão a ser efectuados pelo seu governo serem motivo de discussão. Neste sentido, é interessante a crítica que lhe fazem algumas organizações de beneficência (teoricamente, simpatizantes potenciais da Grande Sociedade).

A crítica pode resumir-se assim: por um lado, Cameron quer que os cidadãos façam voluntariado e que se envolvam mais na actividade quotidiana dos seus bairros; por outro lado, corta as ajudas económicas às organizações de beneficência.

Para a revista The Economist (10-02-2011), esta polémica pode levar a que o programa da Grande Sociedade não seja mais do que uma bonita maquilhagem para justificar os cortes, e que Cameron talvez esteja à espera que os cidadãos façam gratuitamente o trabalho que costumava ser feito pelo governo.

Em relação com esta polémica, conta o jornal The Telegraph (14-02-2011) o confronto havido entre Cameron e Sir Stephen Bubb, director da Association of Chief Executives of Voluntary Organisations, numa reunião realizada no mês de Fevereiro em Londres.

"O senhor tem paixão [pela Grande Sociedade]", atirou sir Bubb a Cameron. "E eu tenho paixão pelas organizações de beneficência; e quando observo que alguém faz cortes nas suas ajudas, e o seu trabalho nas comunidades vulneráveis enfraquece, digo que isso não está bem".

Mas Cameron não se intimidou facilmente. Aproveitando dados publicados durante essa altura -mais de 220 responsáveis por municípios têm um salário superior ao do primeiro-ministro (142.500 libras em 2010) e, pelo menos, mil funcionários ganharam nesse ano mais de 1.000 libras- argumentou que o governo não tinha outras opções devido ao elevado défice público.

"Contudo -acrescentou-, as autoridades locais têm margem de manobra e podem decidir a que destinam os seus orçamentos. Por isso, estamos a pedir-lhes com firmeza que cortem no seu aparelho burocrático e baixem os seus salários, antes de fazerem cortes às ajudas concedidas às organizações de beneficência".

(...) Dias depois da polémica revelada pelo The Telegraph, o mesmo diário -de orientação conservadora- publicou um artigo assinado por Cameron onde anunciava a publicação de um Livro Branco dirigido à modernização do sector público britânico.

Este documento, que irá ser publicado em breve, pretende possibilitar que as empresas privadas assumam a prestação dos serviços públicos (com excepção da segurança nacional e da justiça) de modo a "substituir o monopólio do Estado por um sistema mais competitivo e eficaz".

Ter-se-á de esperar para ver o que diz o documento. Mas se, no final, a sua visão da Grande Sociedade se reduzir à eterna discussão Estado vs. mercado, seguramente irá defraudar um amplo sector do Partido Conservador.

E não é porque não estejam de acordo com esta ideia -estão-no-, mas porque na formulação original da ideia da Grande Sociedade estava presente um discurso ético que agora praticamente desaparece: o de impulsionar os valores familiares e os vínculos comunitários.

Dizia-o a seu modo o próprio Cameron no seu artigo: "Para nós, devolver o poder aos cidadãos em detrimento de Whitehall [sede do governo britânico] e modernizar os serviços públicos, são aspectos mais significativos da Grande Sociedade que o trabalho que estamos a realizar para estimular a acção social".» (Publicado em aceprensa)

sábado, abril 30, 2011

ONU afirma importância do pai na família

«O relatório sobre o papel dos homens na família (Men in Families and Family Policy in a Changing World), recentemente divulgado pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, afirma que "a vinculação e a atenção do homem são importantes tanto na vida das mulheres como na dos filhos" (...)

«Os efeitos benéficos da presença dos homens na família incidem especialmente no grau de desenvolvimento intelectual e emocional dos filhos, tanto dos rapazes como das raparigas. Demonstrou-se, por exemplo, que a presença e vinculação do pai influi positivamente nos resultados dos testes cognitivos e linguísticos realizados por crianças da pré-primária: as que contam com a presença do pai apresentam melhores resultados que as que dela carecem.»

"A vinculação e a atenção do homem são importantes tanto na vida das mulheres como na das crianças", sublinha.

«Até a relação entre pai e filho tem grande importância na saúde psíquica dos filhos.

Segundo o relatório da ONU, a disponibilidade e a vinculação paternas têm um efeito modulador da agressividade no caso dos rapazes, em grande parte devido ao facto de o homem exercer a sua paternidade segundo um modelo de conduta masculina culturalmente adequado.

No caso das raparigas, a presença do pai reflecte-se numa maior segurança em si mesmas, em níveis mais baixos de comportamentos sexuais de risco e em menos dificuldade para fomentar e manter relações sentimentais.

O estudo identifica também alguns benefícios indirectos derivados de um maior compromisso do homem na família. Entre outros, as mulheres admitem que se sentem menos stressadas, inclusive nos aspectos relacionados com o cuidado dos filhos.»
(citado do serviço de informação aceprensa.)

campanha eleitoral de "custo zero"

Os partidos "do sistema" não aderiram ao apelo do MEP para uma campanha eleitoral de "custo zero".

Há com certeza motivos para isso, mas devem ser difíceis de explicar a quem deixou de receber subsídios de apoio, ou a quem teve o ordenado reduzido.

"uma vida pública de meia bola e força"

Pacheco Pereira e o seu realismo pessimista:

(...) «a ignorância e os péssimos hábitos intelectuais pesam mais, porque estes taliban valorizam muito pouco o rigor, o estudo, o pensar.

A maioria das citações que circulam ou são manipuladas para ganharem "força", uma prática comum na comunicação social, ou são pura e simplesmente falsificadas para servirem o escândalo que se pretende.

Quase tudo está fora do contexto e a ignorância sobre biografias, posições, história dos problemas, pura e simples memória, e muita asneira e erro grosseiro circulam sem verificação.

Um estilo quase habitual de manipulação e exagero serve uma vida pública de meia bola e força. Vale tudo, porque para muitos autores de blogues políticos, existir é hoje arregimentar-se e "militar", no sentido original do termo.


Hoje os establishments dos partidos têm forte representação nos blogues, quer do PS, quer do PSD. O PS beneficia dos meios da governação, o PSD do cheiro a poder. À osmose dos vícios partidários soma-se a facilidade com que se "bota" opinião, quase sempre marcada por um radicalismo cujo outro exemplo português comparável é o do clubismo adolescente das claques. Os blogues e as claques irmanam-se na mesma visão maniqueísta da realidade, em que tudo é ou "nós" ou eles".

O pensamento crítico é varrido como sendo pusilâmine ou subserviente ao "sistema", que é sempre a forma como denominam a democracia, ou como uma "traição" aos regimentos em marcha possuídos de gritos "a Berlim" ou "a Paris".

É tudo a preto e branco e pensam que, ao ser assim, actuam por princípios, quando na realidade actuam por indigência mental. E a ironia das coisas é que esta forma de actuar é particularmente ineficaz para os objectivos pretendidos.» (...)

quarta-feira, abril 13, 2011

Dados do problema


JPP, no Abrupto:

(...) «Vamos pagar a politiquice de Sócrates, para além do desastre prévio em que nos meteu de há vários anos para cá, mas também a falta de prudência de Passos Coelho que pensa que aquilo com que anda a lidar se concentra em sair bem nas manchetes dos jornais ou nas sondagens, e (talvez) o excesso de passividade do Presidente da República.

Mas, que raio!, será que não estão informados, por vias directas ou travessas, do que se passa e dependem dos artigos do Financial Times? Que negociações fizeram Sócrates e Teixeira dos Santos até à crise de 23 de Março com os alemães e com a Comissão?

O que é que obtiveram em contrapartida do PEC IV para além dos elogios públicos? O que é que Sócrates disse a Passos Coelho quando o informou do PEC IV e vice-versa? O que perguntou o Presidente a Sócrates e o que é que ele respondeu? O que disse Merkel a Passos Coelho, Cavaco Silva a Sócrates, Passos Coelho a Cavaco Silva?

Não acredito que tenham dito apenas aquilo que nós sabemos, e, se foi assim, então ainda é pior. Se fosse atenuante, que não é, pode-se admitir que ninguém verdadeiramente actuou sabendo as consequências. Só pensaram em si mesmos, no seu êxito político e dos seus partidos.» (...)