terça-feira, junho 30, 2009

Democracia em fascículos

O Professor Mário Pinto escreve no InfoVitae, a propósito das críticas que um senhor deputado terá feito ao protesto de um pai que não está conforme com a actual situação em matéria de educação sexual nas escolas:

«Responda lá, a essa voz que invocou a maioria, o seguinte. Democracia não é igual a ditadura da maioria. Democracia é igual a pluralismo, porque se baseia nas liberdades individuais.


O argumento da maioria não legitima que a maioria imponha um regime único e autoritário a todos. Isso tornaria a democracia num regime de ditadura da maioria. Por isso, tem todo o sentido que (...) discorde de uma lei que, implicitamente ao menos, pretende impor a todos uma obrigação de uma certa orientação de educação.


Se para a liberdade sexual se reivindica a liberdade de orientação e a igualdade de legitimidade e direito entre orientações diferentes, porque é que para a educação não se aplica o mesmo raciocínio?

Nem nas escolas públicas a maioria tem direito de impor uma certa orientação em matéria de educação sexual, visto que nas escolas ditas públicas se invoca a liberdade individual de aprender e de ensinar.


O ensino obrigatório (que é menos do que educação obrigatória) é apenas uma regulação de liberdades fundamentais da pessoa humana, das liberdades de aprender e de ensinar — porque o Estado não tem nenhum direito de ensinar, como diz o nº nº 2 do art. 43º da Constituição. Deve por isso o ensino obrigatório ser definido num mínimo, que não comprima as liberdades — é o que diz o art . 18º da Constituição: «a lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos».


As liberdades individuais, dos alunos e dos seus pais, não podem ser expropriadas, pela imposição de orientações, mesmo nas escolas públicas, onde só os pais e professores são titulares de liberdades de aprender e de ensinar.


O Estado não tem direitos de educação; não é nem educando, nem educador. Não pode impor educação. Pode apenas criar condições institucionais e materiais neutras. E garantir as liberdades individuais.


Gostava de saber porque é que aqueles que tanto clamam pela divisa «pro choice», em matéria de aborto, não se batem também pela liberdade de escolha da escola e do ensino escolar.


Gostava de saber porque é que a mesma mulher, a quem se reconhece o direito de escolher, com o apoio financeiro do Estado, entre abortar ou não («pro choice»), não merece o mesmo reconhecimento «pro choice» para a liberdade de escolher a educação e o ensino escolar do seu filho, que escolheu não abortar, com igual apoio financeiro do Estado.» (Mário Pinto)

sexta-feira, junho 26, 2009

Jackson



O mundo levanta-se em louvor do falecido Jackson. Em simultaneo reclamam-se penas duras para os acusados de pedofilia.

Somos propensos ao paradoxo, ou temos a memória demasiado curta.
Em qualquer caso, isto é pouco saudável (digo eu).

segunda-feira, junho 22, 2009

No País das palavras



A noticia não é muito recente, mas como vamos ter eleições dentro em pouco, vale a pena recordar o que vão dizendo estes palavrosos senhores ...


sexta-feira, maio 22, 2009

A saga continua

Diário de Notícias de 7 de Outubro de 2008:

«"Não estávamos a conseguir aguentar financeiramente a casa, estávamos a entrar em situação de ruptura e então resolvemos separar-nos, mas só no papel."


O desabafo é de João R., 41 anos, pai de seis filhos, residente em Braga, que simulou uma separação com a sua mulher, Ana R., 39 anos, para poder beneficiar das deduções em sede de IVA relativas a encargos com os filhos do casal.
Desde então, há quatro anos, a família Rodrigues, que continuou a ser uma família no seu dia-a-dia e que apenas se divorciou "no papel", tem vindo a poupar cerca de mil euros por mês. "O correspondente a um salário quase", explicou ainda João R. ao DN.

Esta é mais uma de muitas famílias de pais casados ou unidos de facto a quem o Estado- através do regime de tributação de IRS em relação aos encargos com os filhos - não permite descontos fiscais sobre o valor desses encargos, ao contrário das famílias monoparentais, de pais separados ou divorciados, que podem descontar o valor da chamada "pensão de alimentos".


Esta realidade foi denunciada já em 2005, pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, e levou o Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, também logo na altura, a fazer um apelo ao Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, nesse sentido.

Em 2007, o Governo assumiu a existência dessa falta de equidade na tributação fiscal e prometeu um igual tratamento, mais favorável às famílias monoparentais, naquilo a que chamou "Relatório para a simplificação dos Sistema Fiscal Português".

Até hoje, contudo, tudo se mantém. Por isso, o Provedor de Justiça voltou a questionar, ontem, o Governo, para que lhe transmita "o estado de concretização das medidas preconizadas nesse relatório", pode ler-se no comunicado do gabinete de Nascimento Rodrigues.


Contactado pelo DN, o gabinete do Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, não esclareceu o porquê do atraso e apenas assumiu que "esse assunto está a ser estudado".


"Desde que fingimos esta separação que conseguimos comprar um carro, para transportar decentemente os meus seis filhos, um fogão para a cozinha e fazer férias". Porque, segundo João R., "estávamos a caminhar para uma "situação absurda" .
Por isso, há quatro anos, casados desde 1990, o casal, com educação de nível superior e a trabalhar como quadros superiores de empresas, recorreu a um advogado e simulou uma intenção de separação. "Mas nada mudou. Continuamos a viver juntos e a gostar um do outro."»

Republiquei este post hoje porque, pelos vistos, ainda não somos
uma espécie em extinção ... (por enquanto)

terça-feira, maio 19, 2009

Criancinhas


«A criancinha quer Playstation. A gente dá. A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa. A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate. A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente. A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando. A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua. Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares. A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com
os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».


Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».


A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias». Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?


Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.»
(
A Devida Comédia, coluna de Miguel Carvalho, Artigo publicado na revista VISÃO online)

terça-feira, março 10, 2009

Cada vez mais jovens ...

Uma médica do Madison Memorial Hospital, nos EUA, fala acerca de uma "mãe" de 9 anos que acaba de ter a sua criança no Hospital (um bebé com cerca de 2,3oo kg).


Falado em inglês, noticia da CBS news, editada em 23 de Janeiro de 2009.

Encomendar um filho na telepizza

Nem todos estão conscientes de que, hoje em dia, diagnóstico pré-natal significa geralmente abortar, na presunção de que é possível evitar algumas doenças, matando o futuro doente.

A verdade é que apenas se avaliam probabilidades de adoecer, o que significa que se matam seres humanos saudáveis, apenas para que não adoeçam num futuro imprevisível.
Para sermos coerentes, provavelmente mataríamos toda a gente porque todos estamos em risco de adoecer ( ou de ter um acidente grave com sequelas).

Tudo isto começou há muito tempo, com a fertilização in vitro. Desde essa altura que a produção de embriões humanos por manipulação no laboratório, teve sempre como efeito colateral a morte de centenas de irmãos desse ser, por não terem sido "seleccionados" para implantação no útero.


Claro que tudo isto é justificado com ideais muito virtuosos, como sejam uma sociedade sem doentes, ou o evitar de terríveis doenças hereditárias. À medida que for aumentando a capacidade de diagnóstico precoce, a manter-se esta cultura, iremos matando ("seleccionando") cada vez mais crianças, muitas delas saudáveis, apenas porque tinham uma "probabilidade" de vir a adoecer, algures no futuro.


O facto de nem todos os que têm predisposição genética para adoecer, adoeçam efectivamente (é apenas uma probabilidade), tal como o facto de que os ditos "saudáveis" adoeçam frequentemente de doenças comuns, não tem demovido os novos "construtores" de seres humanos.

O poder de "construir" e destruir seres humanos é, na sua argumentação, um dogma intocável: quem se opõe é retrógrado, inimigo do "progresso", tem interesses ocultos, etc.


Com tudo isto já se estão também a criar novas discriminações sociais: entre os que têm dinheiro para a "selecção" dos filhos, e os pobres que ficariam entregues ao azar genético.


No meio de tudo isto, sobra a superstição científica sobre o valor preditivo dos genes. Basta passar os olhos pelos casos do mundo real.
No New York Times de Agosto passado, uma entrevista a duas irmãs gémeas, ambas com 92 anos de idade, mostrou uma delas vibrante de saúde e actividade, vivendo sozinha e conduzindo carro, fazendo compras e participando em actividades da comunidade. A outra acamada, por fractura osteoporótica, com uma doença que a está a levar à cegueira, com incontinência urinária e demência.

Os genes são apenas um dos dados da saúde e da doença: os factores do ambiente, da cultura, os hábitos de vida, a alimentção, as escolhas individuias, etc. têm um peso equivalente no prognóstico.

James W. Vaupel é director do Laboratório do Instituto Max Planck, na Alemanha, dedicado ao estudo da "Sobrevivência e Longevidade". Segundo ele, enquanto a altura de uma criança pode ser explicada em 80 a 90% pela altura dos pais, no que diz respeito à longevidade, os genes herdados apenas contribuem com 3%. De facto sabe-se que os gémeos monovitelinos ("verdadeiros" gémeos) morrem com diferenças de idade média de cerca de 10 anos.

O que tudo isto significa é que as probabilidades e generalizações apenas funcionam na estatística de grandes grupos. Em termos gerais, sabemos que um obeso que fuma tem mais hipóteses de morrer cedo do que o magro, que não fuma: mas perante casos individuais, nada sabemos.

A maioria das pessoas em famílias com doenças hereditárias não morrem da doença que herdaram, muitas nem sequer têm a doença.

segunda-feira, março 09, 2009

TPC

Esta jovem de 12 anos gravou este trabalho que fez para a escola (7º ano de escolaridade).



As legendas em português podem ser ligadas / desligadas no icone no canto inferior direito (icone "CC")

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Educação para a cidadania

Em Espanha, a disciplina de Educação para a Cidadania é objecto de debate aceso.



(Extraído do livro "Educación para la Ciudadanía y los Derechos Humanos", editorial Octaedro, p. 32.)

terça-feira, fevereiro 17, 2009

O vazio

«Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido. Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia.» (...)(Mário Crespo, no Jornal de Notícias, em 16 de Fevereiro):

«O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.


Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido.

Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. (...

Descobriram agora ... Mas qual ética?

A reitora da Universidade de Aveiro, Helena Nazaré, comenta que as Universidades têm uma parte da responsabilidade pela crise financeira por não terem preparado os seus aluno para as questões éticas. (No Diário Económico)


Importante, interessante, apenas um pouco tardio. Mas o debate é cada vez mais necessário: qual ética? A que valoriza os seres humanos em função da sua capacidade de "serem desejados", ou "autónomos", ou "auto-conscientes"? Porque essa é precisamente a ética que nos levou à situação em que estamos.


Estamos onde estamos não por acidente, mas por escolhas (globais) estrategicamente e deliberadamente propostas e impostas ...

Repare-se que no National Prayer Breakfast, uma tradição respeitada por todos os presidentes do EUA, o Presidente Barack Obama citou Santo Agostinho: "Reza como se tudo dependesse de Deus; trabalha como se tudo dependesse de ti."

Estão a imaginar as nossas Escolas Públicas a fazerem algo parecido?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

TV e video podem perturbar o desenvolvimento verbal

Um estudo publicado na revista médica "Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine" pretendeu avaliar a qualidade da interacção entre crianças pequenas e seus pais e relacioná-la com os conteúdos dos meios de comunicação.

As crianças pequenas que viviam em casas onde a TV e o video estão quase sempre ligados têm menor probabilidade de desenvolver a linguagem de mod0 adequado.

O investigador principal, Alan Mendelsohn, director de investigação clínica do Departamento de
Pediatria da Escola de Medicina de Nova York, afirma desalentado que "a tv educativa não é uma solução".

Desde que a TV esteja ligada, ou o vídeo, o contacto verbal entre pais e filhos fica reduzido, refere o estudo.

O estudo também não demonstrou que a chamada programação educativa aumentasse a interacção verbal entre pais e filhos, mesmo quando viam tv juntos.

O que acontece é que a tv fica acesa enquanto a mãe, geralmente ela, se ocupa com outras tarefas da casa e as crianças ficam sós diante da "ama electrónica".

"As nossas conclusões são relevantes porque a interacção entre pais e filhos tem uma enorme repercussão no desenvolvimento infantil precoce e no sucesso escolar, bem como nos riscos relacionados com a adolescência", sublinham as conclusões do estudo.

Este estudo vem reforçar as recomendações da Academia Americana de Pediatria de que as crianças com idade inferior a 2 anos não devem ver televisão.

O estudo centrou-se em crianças pequenas e em familias com baixo nivel socio-económico.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Carta a Javier Fesser


Publicada no ABC em 7 de Novembro de 2008, a propósito do seu filme.

«Carta a Javier Fesser»

«Não conheci Alexia, nem a sua família, nem o Opus. Julgo que posso dizer que tampouco conheço a Deus. Sou mãe de uma criança de sete anos com cancro. Nunca lhe ouvi uma queixa, nem nunca perguntou o porquê da doença. Quando não pode mais com dores, fica com a cara molhada de lágrimas. E nós ficamos desconsolados. Tenho a certeza que ela é mais valente do que nós. De manhã, quando vou acordá-la dou graças por esta filha que é um tesouro que recebi.

Ao seu lado entendi como é possível sofrer e ser feliz ao mesmo tempo. Somos felizes porque a sua presença ao nosso lado preenche os nossos dias. Ao mesmo tempo sofremos porque não podemos fazer nada para a manter connosco; custa-nos ver como se vai apagando lentamente.

No dia em que se vá, o nosso coração ficará rasgado. No entanto por vezes quereria que fosse agora, para não a ver sofrer. Quem pode resistir à dor de ver que se nos escapa, sem podermos fazer nada?

Javier, não sei se conseguirás entender isto. O que sentiram os pais de Alexia? Não é nada parecido com o teu filme, não é? Já imaginaste se algum dia Deus permitir que tenhas um filho moribundo entre os teus braços? Serás capaz de repetir o que tens dito nas entrevistas? Se passares por isso, verás como o mundo muda de cor... Faltou colocares-te no lugar dos outros.

Parece-me que o teu filme não nos feriu só a nós, mas a todos os espanhóis, porque é um ataque frontal à democracia, que só pode construir-se sobre a tolerância e o respeito às crenças dos outros. Podemos não estar de acordo e podemos dialogar sobre isso, mas é uma tirania levantar a bandeira da liberdade para violar os direitos dos outros e troçar de forma gratuita do sofrimento alheio.

Não duvido que sejas um talento, mas fico entristecida que o uses para ferir, em vez de construir esperanças. O esforço seria o mesmo, e o aplauso seria de todos. Também não entendo porque é que o governo financia, com o dinheiro de todos, filmes que ferem a sensibilidade de tanta gente, em vez de pagar a luta contra o cancro, ou contra a doença de Alzheimer.

Tanto o meu marido como eu tivemos imensas dúvidas em escrever-te. Há tanto que fazer nesta sociedade que isto nos parece uma perda de tempo. Acabámos por fazê-lo na expectativa de que isso possa ajudar outros pais.

Nós decidimos que queremos procurar a verdade sobre esse Deus que sobrevive à morte, e que não permite que a nossa vida acabe no vazio. Também decidimos ir ter com alguém do Opus Dei para que possa explicar-nos tantos porquês que não entendemos. Talvez nos dêem as respostas que tu não soubeste dar-nos.

Embora para o mundo de hoje isso pareça impossível, acreditamos que talvez só Deus nos poderá confortar. »

Teresa e Pablo.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

opção da mulher


«Portugal é o segundo da UE com maior taxa de cesarianas » (noticia de hoje no Publico)

(...) Vários factores contribuíram para este aumento, incluindo o medo dos processos judiciais, a percepção de que a cesariana era um procedimento seguro e o desconhecimento das suas possíveis consequências adversas. O facto de as mulheres pedirem cesarianas também foi citado", refere o relatório (...)

Pelos vistos para os nossos moralistas sanitários o facto de as mulheres optarem por cesarianas não deveria ser respeitado. Mas se optarem por abortar, já não há nada a dizer e até dá direito a subsídio!



domingo, dezembro 14, 2008

Pais-helicóptero


«Nós pais nunca podemos ganhar, não é? Quando se trata de vencer, todos são melhores do que nós, incluindo os que nem sequer têm filhos.


Uma mãe recente aprende esta primeira lição quando sai pela primeira vez, para a rua, com o filho no carrinho (com a criança virada para si porque, felizmente, as investigações da psicologia confirmaram esta básica questão de bom senso...). O primeiro estranho bem-intencionado que encontra garante-lhe que a criança está irrequieta, por estar demasiado presa; o bem-intencionado seguinte, garante-lhe que a criança está em risco, por estar demasiado solta.

Lê-se muito, hoje em dia, sobre os chamados pais-helicóptero. Também já vimos atrás os chamados pára-quedistas bem intencionados ... Os pais-helicóptero envolvem-se pessoalmente em cada pormenor da existência dos seus filhos, permanentemente pairando, vôo circular, para protegerem as crianças não só do mal exterior, mas delas próprias. Se acham a Wikipédia credível, então a expressão "pais-helicóptero" é original do séc. XXI.

Claro que hoje em dia, os pais não têm grande alternativa senão planarem como helicópteros; de facto até é isso mesmo que a sociedade espera deles. Lembro-me logo dos trabalhos de casa (TPC's). Tendo acompanhado a ida para a escola de 10 crianças, ao longo dos últimos 16 anos, senti claramente a mudança no modo como as crianças são ensinadas a lidar com os deveres e os compromissos. A responsabilidade por estas tarefas foi transferida dos alunos, para os seus pais.

No "velho" séc. XX, quando o meu filho mais velho estava a começar a receber alguns trabalhos para casa (algures no 2º ano de escolaridade), recebiam um pequeno caderno (com metade das folhas) para fazerem e guardarem os seus pequenos trabalhos. Era a sua tarefa.

Se omitissem os deveres, três vezes sucessivas, na semana seguinte deveriam sofrer as consequências: o caderno tinha que ser assinado, diariamente, por um dos progenitores.

Por outras palavras: a assinatura dos pais era requerida apenas para os alunos que ainda não tinham conseguido organizar-se e responsabilizar-se pelas suas tarefas. Esta estratégia servia para ajudar na responsabilização da maioria dos alunos, e permitia uma maior proximidade naqueles que a requeriam.

Para os meus dois filhos mais velhos funcionou lindamente. Mantiveram-se bastante organizados até à Universidade.

Actualmente os alunos compram uns cadernos enormes, com argolas espiraladas, e na maioria das escolas é pedido aos pais que assinem diariamente os cadernos.

Parece-me que este foi o início dos "pais-helicóptero". Isto não ajuda nada os pais que tentam ao máximo não serem "helicópteros" [abelhudos, diria eu]. Na escola dos meus filhos estes cadernos têm que ser assinados diariamente, mesmo que não haja nada escrito no caderno, nesse dia.

A Mãe e o Pai têm mais uma rotina importante no seu dia: assinar uma folha do caderno, ainda que em branco. E os meus filhos não se podem esquecer, diariamente, de recordar ao Pai ou à Mãe de que devem assinar uma folha branca. Já não são só "pais-helicóptero", também são os "filhos-helicóptero".

E na escola, os filhos são responsabilizados ... pela assinatura dos pais. Se a assinatura faltar, mais de 3 dias, o nome do aluno é escrito no quadro, e recebem uma classificação de "trabalho de casa incompleto", mesmo que tenham feito sempre os trabalhos de casa.

O efeito desta rotina nos meus filhos, na fase do ciclo básico, foi interessante. Tornou-se uma luta para conseguir que eles se responsabilizassem pelos seus estudos. Actualmente, com os mais novos, as conversas podem ser assim:

-Mãe:«O que é que queres dizer com que 'ainda não começaste a fazer' o projecto que devias entregar amanhã?»

-Filho (em tom acusador):«Só estava escrito no caderno ...»

Esta é a altura em que os meus filhos entendem (porque eu lhes digo, com todas as letras), que a única razão porque assino os cadernos é porque os professores assim o querem, mas que não é tarefa minha andar a esvoaçar à volta dos seus trabalhos de casa.

Termino a lição perguntando se eles estão a imaginar que, quando forem adultos, irei diariamente ao emprego deles ver se de facto foram trabalhar. A seguir sentam-se na mesa da sala de jantar e ficam a trabalhar até cumprirem todas as tarefas devidas para o dia, comigo a vigiar para que não haja escapadelas.

No fim ganham em independencia, e autonomia, embora provavelmente me acusem de ser realmente uma mãe-helicóptero, porque exijo que apontem para ter, pelo menos, nota 4 (numa escala de 5), mesmo que estejam a fazer o trabalho à última hora.

Os pais-helicóptero, tal como os bebés demasiado soltos, ou demasiado apertados, estarão provavelmente na mira dos bem-intencionados pedagogos. Mas a decisão do maior ou menor aperto, ou de esvoaçar ou não, é melhor deixarem-na com a Mãe e o Pai.»

(escrito por Michelle Martin, Toronto. Canadá, no blog de Mercator.net)

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Com a verdade me enganas ...


«Ninguém emenda um erro que não reconhece. Quem acha que tudo vai bem só corrige o mal demasiado tarde. A recente crise financeira mostra muitos casos destes»

(...)

«A nossa imprensa traz pouca informação. Muita análise, intriga, provocação, boato, emoção, combate, mas pouca informação. O público não quer jornalismo, quer entretenimento. Para ter sucesso o repórter precisa de ter graça, ser espirituoso, ver o aspecto insólito. Assume uma atitude de suposta cumplicidade com o leitor, ouvinte ou espectador desmontando para gáudio mútuo o ridículo que achou que devia reportar. Antecipa no relato o que assume ser o veredicto popular, condenando ou absolvendo aqueles que devia apenas retratar.

Assiste-se a uma verdadeira caça ao deslize, empolado até à hilaridade. Só triunfa se apanhar desprevenido e atrapalhar o entrevistado. Enquanto descreve o que vê quase às gargalhadas, não se dá conta da perda de dignidade profissional. Tem sucesso, mas não rigor. Quem segue a notícia fica com a sensação de ouvir aquele que, dos presentes, menos entendeu o que se passou no acontecimento.

Aliás, relatar o sucedido é o que menos interessa. O jornalista vai ao evento para impor a agenda mediática que levou da sede. A inauguração de um projecto revolucionário, por exemplo, só importa pela oportunidade de fazer a pergunta incómoda ao governante sobre o escândalo do momento. Investimentos de milhões, trabalho de multidões, avanços e benefícios notáveis são detalhes omitidos pela intriga picante que obceca o periódico.» (...)
(J Cesar das Neves, artigo DN, 01 Dez 2008)

sexta-feira, novembro 28, 2008

Taxa sobre os produtos cosméticos

A douta maioria na Assembleia da República acaba de aprovar, in extremis, uma emenda para garantir que a "taxa sobre os produtos cosméticos" seja de 1% e não 2%. Extremamente adequado e pertinente já que é seguramente um produto a usar abundantemente quer na AR, que em muitos orgãos de comunicação social.

Será por isso que a
APFN (Associação Portuguesa de Famílias Numerosas) chamou às alterações do orçamento, no que respeita ao IRS das famílias, "uma gigantesca aldrabice". Alguns jornais (o Sol e o DN, pelo menos) divulgaram a falsa notícia de que a posição do governo estaria "próxima" da reclamada pela Associação, divulgação feita depois de o comunicado da Associação já ter chamado ao assunto "pior a emenda que o soneto"!

Agora, além de coisas brilhantes como penalizar os carros a diesel (mais amigos do ambiente que a gasolina ...), reduzem as deduções das pensões de alimentos dos casais separados, a pretexto "acabar com a discriminação fiscal dos pais casados ou viúvos relativamente aos pais com outros estados civis".

A verdade é que "esta solução faz com que a esmagadora maioria dos contribuintes que pagam pensão de alimentos, cujo IRS é inferior a 20% do seu rendimento bruto, fiquem a pagar ainda menos IRS. Apenas os contribuintes que pagam pensão de alimentos e cujo IRS é superior a 20% do seu rendimento bruto têm um ligeiro agravamento do IRS. (...) Em qualquer das situações, os casais divorciados ou separados com filhos (qualquer que seja o seu número) continuam a ser fortemente beneficiados relativamente aos casais casados ou viúvos."

(...) "A manter-se esta situação, é naturalíssimo que bastantes mais pais casados se separem "no papel", numa legítima medida de "planeamento fiscal", a fim de, pagando muito menos IRS, resistirem com menor dificuldade à crescente crise económica (e não só) em que o País vai mergulhando.
Terão, ainda, direito ao benefício de 20% no abono de família devido aos pais "monoparentais" que o Governo instituiu neste ano. Para esse fim, terão apenas que ter o cuidado de darem moradas fiscais diferentes um do outro, da mesma maneira que várias empresas têm a sua sede social nos locais que lhes permitam pagar menos imposto."
(...)

E ainda há quem se queixe da estupidez de um líder do outro lado do Atlântico! Hi-Ho!

terça-feira, novembro 25, 2008

os patolas a que já nos habituámos


«OE2009: PS corrige diferenças no tratamento fisca»

«Pior a emenda que o soneto?»


A maioria para lamentar prepara-se para mais uma ideia "luminosa". Ver aqui, o comunicado da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, a propósito das alterações fiscais que a maioria propõe em sede de IRS.


«Foi com grande surpresa que a APFN tomou hoje conhecimento pela comunicação social de que o grupo parlamentar do PS vai entregar uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2009 que penaliza fortemente os contribuintes divorciados que pagam pensão de alimentos, sob a desculpa de corrigir a discriminação fiscal na tributação de contribuintes casados face a divorciados.» (...)



«A injustiça perante os contribuintes casados ou viúvos consiste em que, quem recebe essa pensão, pode deduzir até 6000 EUR dessa fonte de rendimento. Pelo contrário, os casados ou viúvos não podem deduzir qualquer valor ao rendimento que recebem para suportar as despesas normais do "simples viver" - comer, vestir, calçar, porque não podem ser objecto dessa fonte de rendimento!

Através desta medida, parece que o legislador quer penalizar os contribuintes divorciados ou separados mais generosos, tornando ainda mais difícil a fixação de uma justa pensão de alimentos.» (...)


O comunicado tem a data de 21 de Novembro, mas ainda hoje alguma imprensa o ignora. Tão poderosa é a voz do dono...


segunda-feira, novembro 17, 2008

High School Musical 3




Itálico"High School Musical 3: o último ano",
mantém o êxito dos filmes anteriores. Neste os personagens já envelheceram um pouco (é o último ano na escola ...), mas rodam e rodopiam com o esforço e o optimismo do costume.
O serviço de informação Aceprensa, tem a crítica aqui.




quarta-feira, outubro 29, 2008

???????????


Segundo noticia inserida no jornal Público, o Conselho Nacional de Educação recomendou ao Ministério da Educação que "os alunos deixarão de reprovar na escola até terem completado o 12º ano".

«Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.» (Thiago de Mello, Estatuto do Homem)

Oxalá as empresas do futuro sejam todas automatizadas e não precisem de pessoas treinadas e competentes!

terça-feira, outubro 28, 2008

A sequencia



Não foi há muito tempo que alguém minimizava o facto de que o " número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado".

Estamos a falar de Portugal.

As
denúncias do professores tampouco tiveram efeito.

Os protestos dos pais, talqualmente. Os tais pais de quem a escola se queixa por falta de participação. Já agora, participam em quê? Não escolhem a escola, nem o professor, nem o manual, nem o currículo ... E se protestarem, são ouvidos?

Bem,
agora começam a ver-se algumas consequencias deste último quarto de século de maravilhosas teorias educativas. Continuemos a participar e a protestar. Algum dia (esperemos que cedo) alguém poderá pensar que a única teoria que não foi experimentada, era a mais óbvia.

quinta-feira, outubro 23, 2008

promoção da precariedade




(...) «Há pessoas em cujo espírito subsiste a ideia de que defender a concepção de uma família estável e duradoura, como alicerce para a saúde mental do indivíduo e para o bem da sociedade, corresponde a um pensamento retrógrado.

Pressente-se, assim, que a estabilidade na família é vista com um cepticismo mordaz e como uma grilheta à liberdade individual.


Embora careça de melhor explicação quais os modelos alternativos de família que defendem os vários partidos políticos, "a concepção de família alternativa" mais popular é aquela que fomenta as experiências individuais e rejeita um estilo de vida padronizado. Ou seja: viver bem e ser feliz não depende de uma forma-padrão.

Nesta configuração, a família transforma-se numa união de pessoas que coabitam numa proximidade física e emocional, na qual a "paixão por viverem juntas" é o único compromisso de coexistência.

Mas este é um conceito de família vago, permissivo e volátil, uma vez que, ora existe, ora deixa de existir.

Trata-se de uma concepção de família que não deixa espaço para a estabilidade e que tem asco à responsabilidade, dado que, ao mínimo sinal de inconveniência, fracasso ou de risco, facilita a impulsividade e aponta inequivocamente a fuga como a melhor saída.»


(...)

Promover a volatilidade absoluta nas relações familiares, sem direitos e obrigações prescritas, é promover a imaturidade.

(...)

Já há muito tempo que a Psiquiatria reconhece a importância da família no desenvolvimento do indivíduo e a sua ligação à psicopatologia. Qualquer alteração legislativa radical - democraticamente legítima - no regime jurídico do casamento tem fortes implicações individuais, familiares e sociais, cujas consequências são imprevisíveis.

Porém, não se tem observado, por parte do legislador, a necessária prudência e o espírito dialogante que deveria acompanhar uma matéria tão sensível como esta.

Resta esperar que a nova concepção de família não seja uma obsessão política invencível e que haja tolerância e responsabilidade democrática suficiente para se continuar a discutir este importante tema.»

Pedro Afonso, A familia volátil e a imaturidade,
Médico psiquiatra ,
no Público de 23-10-2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

natalidade


No Jornal de Notícias:

«
Natalidade: Boticas, Murça, Lamas de Olo, Arrois, Provezende e Vimioso atribuem incentivos»

«Os bebés que nasçam em Boticas, a partir de 2009, vão ter direito a um apoio financeiro de 500 euros, uma iniciativa hoje anunciada pela autarquia no âmbito de várias medidas para aumento da natalidade naquele concelho.

São cada vez mais as autarquias e juntas de freguesia, em Portugal, que atribuem apoios financeiros à natalidade, criando incentivos para o aumento da população, cada vez mais envelhecida.» (...)



quarta-feira, outubro 01, 2008

A confusão continua

O Governo continua a chamar "política de apoio às famílias" à distribuição de subsídios aos carenciados. Como se o facto de castigar e discriminar continuamente as famílias com filhos (no IRS, no custo da água para consumo, no Imposto sobre Imóveis, no Imposto Automóvel, no IVA ...) fosse uma questão a resolver distribuindo rebuçados...

O suicídio demográfico em que o país entrou não é uma trovoada, nem um terramoto, é apenas a consequencia previsível da falta da tal "política de família".

sexta-feira, setembro 26, 2008

A espécie humana em extinção?


Um dos eventos com maior impacto na história moderna está a desenrolar-se silenciosamente. Os sociólogos e os economistas estão de acordo: estamos a ir na direcção de um inverno demográfico que ameaça ter consequências sociais e económicas catastróficas. Os efeitos serão severos e duradouros e estão já a manifestar-se em grande parte da Europa.
...
Seminário

Auditório Novo da Assembleia da República

27 de Setembro de 2008
das 10:00 h às 18:00 horas

Entrada Livre

quarta-feira, setembro 24, 2008

Tal como previsto

«Estatística alarmante de 2007.
Mortes superaram nascimentos»

(Expresso, 23 de Setembro de 2008)



«Em Portugal, o panorama assustador não se verificava há 90 anos. Os especialistas chamam-lhe a "revolução demográfica", uma nova era da humanidade, onde os mais velhos tendem a ser uma maioria.»"
(...)
--------
«Tanto para as nações, como para os indivíduos, não ter filhos traz muitas vantagens, pelo menos, até se envelhecer». (...) « Contudo, com o tempo, chega-se a um envelhecimento da população em geral que traz novos problemas.» (...) há, cada vez menos activos para sustentar cada vez mais velhos, o que está a afectar a Segurança Social e as próprias famílias. «Se uma pessoa não tem irmãos, como acontece cada vez com mais frequência em grande parte do mundo actual, não terá ninguém que partilhe com ele o encargo de cuidar dos pais quando forem mais velhos».» (Phillip Longman, demógrafo e investigador,The Empty Cradle)
----------
As politicas de controle de natalidade e a chantagem fiscal sobre as famílias com filhos são um caso de "sucesso". Curiosamente, os mesmos que criaram a situação, queixam-se dela, como se não tivessem nada a ver com o assunto.


Ainda não vi as manifestações de protesto ...


«O Ministério francês da Saúde alertou terça-feira para o facto de um médico que trabalhava em quatro clínicas de Barcelona (TBC, EMECE, Fundação Morin e Ginemedex) poder ter contagiado com o vírus da sida algumas das 700 a 800 francesas que abortaram naqueles estabelecimentos de saúde. As autoridades sanitárias francesas aconselham as mulheres que abortaram nas referidas clínicas até Novembro a que contactem o seu médico e façam um teste para confirmar ou não o contágio.»
(noticia Ag. Lusa)

segunda-feira, setembro 22, 2008

Para que serve o Ministério da Educação e para que existe a Ministra?

"Associações de pais querem saber «para que servem e porque existem os exames»
As duas principais estruturas representativas dos pais defenderam hoje a necessidade de um debate urgente na sociedade portuguesa sobre o papel dos exames nacionais que responda a uma única questão: «Para que servem e porque existem?»" (No Sol)

E ainda ...

"
Afirma ministra da Educação
Passar todos os alunos do nono ano é objectivo do Governo
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje, em Lousada, que um dos objectivos da sua equipa é alcançar nos próximos anos 100 por cento de aprovações no final do nono ano de escolaridade" (Idem, Sol)

...

Bons pretextos para ir respirar ar até à Conferência promovida pelo Forum para A Liberdade de Educação, com a presença do Ministro inglês da Educação e de Guilherme Oliveira Martins

quarta-feira, setembro 17, 2008

Mulheres mais desprotegidas com nova lei do divórcio


No Expresso de 17 Set

«A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas considera que a nova lei do divórcio deixa desprotegidas as mulheres vítimas de violência doméstica, por não prever "expressamente" que aquele crime seja causa de divórcio "sem o consentimento do outro cônjuge".»

(...)


«Na opinião da associação, um sistema que suprima o divórcio litigioso por violação culposa dos deveres conjugais "não pode deixar de prever expressamente a violência doméstica contra as mulheres e os maus-tratos às crianças, como causas de divórcio sem o consentimento do outro cônjuge". "Caso contrário, a lei está a contribuir para a invisibilidade do fenómeno da violência e para a perpetuação da discriminação das mulheres e das crianças, continuando o Código Civil a reflectir a concepção tradicional de família como santuário e a imunidade do agressor", explica.»
(...)

domingo, julho 13, 2008

violencia

(...)
Matilde Sousa Franco, deputada independente da bancada parlamentar do PS, foi esta manhã a Braga, à Universidade do Minho, na 1ª Convenção Nacional da Família, inciativa conjunta de várias ONG's (In Familia, Associação Famílias, Assoc. Portuguesa de Famílias Numerosas, Federação Portuguesa pela Vida) bem como de instituições da área da formação empresarial (AESE, IESE, ACEGE).

Alertou para os perigos da nova legislação que vai regulamentar os divórcios.


A deputada prevê uma desagregação social um aumento da violência, à semelhança do que aconteceu nos Estados Unidos e no Reino Unido.

“É evidente que vai haver mais divórcios e uma desagregação social gravíssima, bem como um aumento da violência”, explica.» (...)


terça-feira, julho 08, 2008

O estado confessional


Do Estado confessional à Igreja estatal

(em Aceprensa)
«Por fim os homossexuais podem casar-se pela Igreja! Pela Igreja luterana da Noruega, para sermos mais precisos. Não é que esta Igreja tenha tomado tal decisão. Foi o Parlamento que acaba de aprovar uma lei de casamentos gays, que os equipara em tudo com os casamentos entre homem e mulher.

Mas como a Noruega, tal como outros países nórdicos, têm uma Igreja estatal, a Igreja Nacional da Noruega vê-se obrigada a oficiar as bodas gays.

De onde se deduz que o caminho mais directo para que os gays possam casar-se na igreja é que não haja separação entre a Igreja e o Estado.»
O Estado confessional, em que os poderes civis ficam submetidos aos ensinamentos da Igreja, foi enterrado há tempos, com o beneplácito da Igreja. A laicidade que se seguiu não é um problema para os grupos religiosos, sempre que se respeite a liberdade religiosa dos cidadãos.
Mas algumas tendências actuais, no fundo, não desejam uma verdadeira autonomia da Igreja e do Estado, mas sim que as actividades sociais da Igreja se submetam aos novos critérios do Estado, sob pena de desaparecerem da esfera pública.

É outro modo de tentar encerrar a religião nos templos e de a privar da influência social. Os exemplos são abundantes (...)

sexta-feira, julho 04, 2008

Promessas


Promessas fiscais de José Sócrates para as famílias terão efeitos marginais
Publico, 04.07.2008 - 08h40


As promessas do primeiro-ministro de aumentar as deduções fiscais relativas a despesas com habitação e de reduzir as taxas de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) deverão ter um resultado nulo ou pouco significativo nos bolsos dos contribuintes.

Na entrevista à RTP, José Sócrates fez declarações vagas sobre as medidas e ontem o seu gabinete insistia que os detalhes só seriam apresentados no próximo dia 10, durante o debate do Estado da Nação. Sócrates insistiu ainda que quer que estas medidas se façam sentir em 2008, algo que só é possível se a legislação for alterada de forma a entrar em vigor ainda este ano, e acentuou que pretende beneficiar os "escalões mais baixos" e "as famílias mais carenciadas".

As estatísticas de IRS de 2006 e a própria lei permitem verificar, no entanto, que o aumento não terá resultados significativos, uma vez que, em média, as famílias com rendimentos mais baixos já não pagam IRS. (...)

terça-feira, julho 01, 2008

Sem família não há economia


«As pessoas não são a nossa maior carga. São o melhor activo, a fonte de tudo o que promove o progresso humano: sonho, intuição, perseverança, engenho, imaginação, liderança, amor. Com menos seres humanos, haveria menos bocas para alimentar, mas também menos empreendedores, menos inovadores, menos soluções. O que mais deve preocupar não é o aumento da população, mas o decréscimo em que estamos.» (Jacoby)

«Em toda a história, o decréscimo de população nunca trouxe prosperidade económica . Mas o despovoamento, gostemos ou não, está aí, ao virar da esquina.» (Phillip Longman).

«O baby-boom foi despoletador de crescimento económico.» (Gary Becker)

sábado, maio 31, 2008

o dia em que os filhos nascem


«O Guilherme nasceu há dez dias no Hospital de Santa Maria. É o meu terceiro filho. Graças a ele, fiquei a fazer parte de uma elite cada vez mais elitista: só uma em 20 famílias portuguesas tem três filhos ou mais.» (João Miguel Tavares, jornalista, Diário de Notícias, 11.03.2008)

«Portanto, a partir de agora, podem esperar textos sobre os escalões de IRS para famílias numerosas (uma infâmia), a escassez do Estado no ensino pré-escolar (uma vergonha) e a ausência de apoios à maternidade (um escândalo). Sabem como é: cada um queixa-se onde lhe dói. Mas, no caldo político e social em que estamos mergulhados, a falta de atenção em relação às famílias é realmente extraordinária. E começa no dia um - o dia em que os nossos filhos nascem. Não me interpretem mal. As maternidades de Lisboa estão cheias de médicos que sabem o que estão a fazer, o parto correu muito bem, o bebé nasceu fresquíssimo e dois dias depois a minha mulher já estava em casa. Só que toda a competência técnica revela, ao mesmo tempo, uma enorme escassez do factor H - aquele pingo de humanidade que faz a diferença entre o parto ser um obstáculo a ultrapassar ou uma experiência a recordar. Em Portugal, é um obstáculo. Uma operação cirúrgica assim como se fosse uma apendicite. Aliás, desconfio que a única coisa que neste país distingue uma maternidade de um hospital é não se enviar para incineração aquilo que se extrai da barriga. Juro que não sou picuinhas. Quando se chega ao terceiro filho já se exibem orgulhosamente as feridas de guerra. Mas continuo sem perceber porque é que os pais são tratados como um empecilho que é preciso aturar: assinam papéis para aceitarem ser escorraçados da sala de partos mesmo quando não chegam a entrar nela (não podem assistir às cesarianas); têm de ameaçar imolar-se à porta de entrada só para saberem se a mulher que desapareceu há duas horas já levou a epidural; são informados do nascimento via fax (a sério) uma hora depois de o bebé ter efectivamente nascido; só podem ir ter com a mãe e com o filho à enfermaria a partir da uma da tarde e são tratados como qualquer visita; enxotam-nos para fora do quarto sempre que uma enfermeira entra para medir a tensão, mudar o soro ou enfiar mais uma cama; e nem sequer ao refeitório têm autorização de acompanhar a mulher, com medo, sabe-se lá, que acabem a roubar a sopa das outras parturientes. Tudo isto é um absurdo em pleno século XXI. Quando por toda a Europa se procura transformar o parto num acto íntimo e familiar, por cá as crianças continuam a nascer imersas em éter e num profissionalismo frio como a lâmina de um bisturi. O País não é grande coisa, é certo, mas ao menos podia receber os seus filhos com alguma alegria.»

sexta-feira, maio 30, 2008

"Direitos" humanos, na China



«A política chinesa do filho único é uma afronta humana!
A regra manda que cada casal só pode ter um filho. Se tiverem mais do que um, ou pagam uma multa incomportável, ou os escondem (e ficam ilegais), ou, então, matam-nos (o aborto é possível até ao fim da gravidez).

Pois agora, por causa do terramoto, o governo Chinês veio ironicamente suspender essa política para as famílias de Sichuan. Então, quem quiser ter outro filho pode “solicitar um certificado”, quem perdeu um filho ilegal, já não paga multa e quem perdeu um filho legal e tinha um ilegal com menos de 18 anos poderá legalizá-lo. Além disso, em Sichuan, pode-se, temporariamente, adoptar crianças órfãs sem limite.

É que, como o terramoto causou 68 mil mortos e deixou quatro mil órfãos, é preciso repor os stocks e arrumar os excedentes…
Até parece que estamos a falar de um armazém ou de produção de gado… Mas, infelizmente, estamos a falar de pessoas e não de números.
É pena que, nem sequer diante de uma tragédia desta dimensão, o governo chinês não perceba que não é o senhor da vida.»
(RR on-line, Aura Miguel)

quarta-feira, abril 23, 2008

Codigo do Trabalho - propostas em cima da mesa

Está em aberto a discussão sobre as alterações ao Código do Trabalho (Reforma das Relações Laborais)

Na área da protecção à maternidade / paternidade (pg 26 e 27 da proposta), lê-se:

(...)

«Quanto à adaptação do sistema de protecção social, é indispensável aumentar as possibilidades oferecidas aos trabalhadores no campo da conciliação da vida profissional e da vida pessoal e familiar. Nesse domínio, assume especial importância um sistema de protecção da parentalidade que reduza a desigualdade de género. Por estes motivos o Governo propõe que as propostas de revisão da Código do Trabalho sejam acompanhadas das seguintes modificações:

• Substituir a licença de maternidade, paternidade e adopção por uma licença de parentalidade inicial que:

- Aumente de cinco para dez dias úteis a licença a gozar obrigatoriamente pelo pai por altura do nascimento do filho;
- Remunere a 100% 10 dias úteis opcionais de licença, a gozar pelo pai em simultâneo com a mãe, após os dez dias iniciais; - Quatro meses remunerados a 100%, ou cinco meses a 80%, quando a utilização partilhada da licença entre os progenitores for inexistente ou inferior a um mês; - Cinco meses remunerados a 100% ou seis meses a 83% quando pelo menos um dos meses for gozado de forma exclusiva por cada um dos progenitores;

• Remunerar, através de prestação social, três meses adicionais para cada um dos cônjuges, correspondentes a uma licença de parentalidade alargada, apoiados a 25% da remuneração bruta, se gozados imediatamente após a licença de parentalidade inicial;

• Registar como trabalho a tempo completo, para efeitos de prestações da segurança social, o trabalho a tempo parcial para acompanhamento de filhos menores.»

sexta-feira, abril 18, 2008

Os pais

A desaprovação dos pais, em relação ao tabaco, tem algum impacte no fumo dos filhos? ...

Revista Médica de Pediatria,
orgão oficial da Academia Americana de Pediatria

PEDIATRICS
Vol. 108 No. 6 December 2001, pp. 1256-1262

«
Does Parental Disapproval of Smoking Prevent Adolescents From Becoming Established Smokers?»

(...artigo completo aqui, em pdf)

Conclusão:
estes dados contrastam com a noção muito estendida de que não há muito que os pais possam fazer para evitar que os filhos venham a fumar na adolescência. De facto [os dados] indicam que os adolescentes que estão convencidos da resposta negativa e desaprovadora de ambos os pais ao tabaco, têm menor probabilidade de vir a fumar. As intervenções [de saúde pública] que aumentem a eficácia dos pais no sentido de promoverem atitudes de não-fumador nos filhos, podem reduzir o tabagismos na adolescência.

Copiando errado



Expresso, Revista Única, Outubro 2007:

Sublinhado a castanho, Portugal. Em baixo, o gráfico do número de habitantes ...

Palavras para quê: são os nossos "artistas" das políticas de família que tão bem têm trabalhado.

Pode descarregar o artigo completo aqui (em formato pdf).


quarta-feira, abril 09, 2008

Pagar para adoptar, borla para abortar

Deve fazer parte de algum paradoxo moderno, isto de os partidos da direita terem que recordar à esquerda o básico da defesa dos mais frágeis.

«O CDS-PP voltou hoje a criticar o fim da isenção de custas judiciais nos processos de adopção, situação que o Governo já anunciou que irá ser revista, considerando "absurdo" que "o aborto seja gratuito e a adopção seja paga".» (Público, 9 de Abril)

segunda-feira, abril 07, 2008

Só agora é que descobriram!!!



Tanta gente a dizer isto mesmo, há tanto tempo!!!

E por que carga de água é que alguém quereria ir para uma das especialidades mais mal tratadas da medicina?

«o número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado»!!!


Leio:

«O secretário de Estado da Administração Interna, Rui Sá Gomes, disse hoje que o número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado, defendendo que o Programa Escola Segura dá uma boa resposta ao fenómeno» (...)

Armas?? Nas escolas??! Portanto, logo a seguir ao ponto electrónico para os Hospitais, iremos ter detectores de metais nas escolas?

Leio (Publico, 27-07-2009):
(...)
«a Comissão Nacional Justiça e Paz lembra, em comunicado enviado à agência Lusa, que, ao leiloar 217 armas de fogo, a PSP vem "dar um sinal contrário, prejudicando a luta contra a proliferação das armas", poucas semanas depois de a mesma polícia "ter destruído cerca de 16 mil armas, das quais cerca de mil eram armas de fogo, numa operação de grande impacto mediático". »

Portanto, a PSP apreende armas e depois vende-as? É a mesma lógica dos porno-shows , inaugurados pelos mesmos políticos "liberais" que pretendem depois condenar a pedofilia e o aumento da SIDA ... Nada de novo no país do "deserto" e dos "camelos". Não será hora de mudar?

«o número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado»!!!

Leio:

«O secretário de Estado da Administração Interna, Rui Sá Gomes, disse hoje que o número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado, defendendo que o Programa Escola Segura dá uma boa resposta ao fenómeno» (...)

Armas?? Nas escolas??!

Portanto, logo a seguir à instalação do ponto electrónico nos Hospitais, iremos ter detectores de metais nas escolas.
Deve ser o tal choque tecnológico!

«Não têm aumentado AS ARMAS nas escolas»!

Mas está mesmo tudo louco, ou são só os jornais a brincar ca gente?