terça-feira, março 23, 2010

Violência

"A pessoa aprende sem o saber, e em consequência sem saber o que aprende. A violência da situação televisiva manifesta-se nesta espécie de captura de quem vê e que sem esforço não se consegue afastar." (Lurçat, "Tempos Cativos: As crianças TV")

O desenvolvimento da comunicação em massa, particularmente da televisão, tem vindo a transformar as crianças. Surgem diferentes comportamentos, alguns deles violentos e outros que conduzem à imitação massiva, alterando os modos de alimentação, vestuário, diversão, expressão oral (...).

A programação infantil dos quatro canais portugueses foi objecto de uma análise, feita durante um mês, há alguns anos atrás. As conclusões foram de certo modo inesperadas: há muita escolha, cerca de 70% dos programas foram considerados bons ou francamente recomendáveis, e a maior parte nem sequer é violenta. As coisas seriam pacíficas não fosse o caso dos dois programas considerados susceptíveis de serem banidos - Dragon Ball Z e Sky Surfers - que são precisamente aqueles que mais agradam às crianças. A lista de "reclamações" sobre o Dragon Ball Z é longa: a série é violenta, tem conteúdos que estão paredes-meias com a pornografia e cria habituação. Mais grave ainda é que já existem casos de imitação dos rituais violentos transmitidos na televisão.

Algumas crianças imitam a agressividade e violência que vêem nas séries mais brutais, o que conduz a uma "passagem ao acto". Numa escola de Lisboa, uma criança foi vítima dos seus colegas fãs do Dragon Ball Z que, à imagem e semelhança da série a espancou, ao ponto desta dar entrada no hospital. Devido a casos semelhantes nos Estados Unidos, o Instituto Nacional para a Saúde Mental, em 1982, a Academia Americana de Pediatria, em 1984, e a Associação dos Psicólogos Americanos em 1985, todos concluiram que a violência televisiva é causa de comportamentos agressivos nas crianças. Apesar destes institutos serem americanos, não é por isso que o problema não afecta a Europa, porque neste momento a televisão é global e nós vemos o que o mundo inteiro vê.

O inquérito à programação foi conduzido durante um mês pela Associação Portuguesa de Espectadores de Televisão (APET), contou com o apoio de uma psicóloga e responsáveis universitários. O objectivo era analisar a programação infantil transmitida pelos canais portugueses e verificar a sua qualidade.

Uma das conclusões obtidas refere que a programação é vasta e o leque de escolha enorme. Semanalmente, eram exibidas sessenta e quatro séries infantis e seis filmes, nos canais nacionais. Um facto que agrada aos adultos consultados, mas que parece ser pouco ou nada valorizado pelos inquiridos mais jovens. Aqui, o leque de preferências é reduzido ao mínimo e, curiosamente, as crianças gostam precisamente das séries que os adultos rejeitam. Os que são classificados com notas negativas e apelidados de "perigosos" ou "a banir" são o DragonBall Z, Iron Man, Sky Surfers, Masked Rider e Peter Pan. Em comum têm violência em excesso, enredos sem consistência, personagens assustadoras e ausência de intenção formativa.


Este estudo deu particular importância à série Dragon Ball Z, classificando-a como sendo "monumentalmente violenta". Alguns dos jovens inquiridos confessam não ter apreciado partes dos desenhos animados, tais como "quando deitam sangue pela boca" ou "quando o Cell chupou o braço ao outro e ele ficou com a pele pendurada",ou ainda na altura em que "mesmo sendo uma máquina, fez impressão que ficasse com um bocado de cérebro arrancado".

No Dragon Ball Z é também criticado "o uso de conteúdos que são consensualmente de adultos, estamos a falar de pornografia". Um dos personagens é um velho barbudo que, ao vencer combates fatais,recebe prémios em dinheiro. Com a verba arrecadada "vai comprar livros de pornografia". O "mestre" é conhecido por perseguir raparigas para as beijar, considerando a APET que "as imagens eróticas aparecem sem qualquer ligação com a história".

A gravidade da série é tanto maior quanto a pesquisa feita junto das crianças parece indicar que os espectadores não têm capacidade para recontar os episódios a que assistem. Tal como refere Liliane Lurçat "A criança não se pode opor, nem moral nem fisicamente. A criança fascinada está subjugada pelo que vê", assim o enredo não surge no contexto, mas "em cenas soltas" muitas delas de enorme violência, facto que sugere imitações perigosas. Segundo Helena Marujo, a psicóloga consultada pela APET, existem já casos de repetição de um ritual do Dragon Ball Z que dá pelo nome de Kamea-Hamea. As crianças unem as mãos para "concentrar energias" e, numa escola do primeiro ciclo de Lisboa (que pediu para não ser identificada), um grupo de alunos fez um círculo à volta de uma colega e espancaram-na ao ponto desta ser hospitalizada. A psicóloga foi chamada a intervir a pedido dos pais alarmados e não restaram dúvidas quanto "à assumida semelhança entre o que as crianças fizeram e o que dizem ver no desenho animado".

Mais recentemente assistimos ao aparecimento de uma nova série - os Pokémon - que também têm sido objecto de estudo e de fortes críticas. O ponto de partida para o aparecimento de algumas críticas prendeu-se com um facto que ocorreu no Japão. Numa das noites em que a série estava a ser transmitida na TV Tokyo, 729 pessoas, maioritariamente crianças e adolescentes, deram entrada nas urgências dos hospitais e 24 horas depois cerca de 200 ainda estavam internadas. Todos eles tinham assistido ao último episódio dos Pokémon e apresentavam sintomas idênticos: irritação ocular, tonturas, náuseas, convulsões, problemas respiratórios ou ataques de epilépsia.

De acordo com as notícias divulgadas na altura, os sintomas terão surgido cerca de vinte minutos depois do início do episódio e na sua origem estaria uma sequência na qual os olhos do Pikachu - principal personagem da série - emitiram fortíssimos relâmpagos alternados vermelhos e azuis. A sequência, em que Pikachu lutava contra um vírus que atacara um computador, projectou 54 imagens em cinco segundos.

Segundo alguns psiquiatras e outros especialistas esta técnica de efeitos especiais, nomeadamente quando se recorre à alternância de luzes fortes, pode activar reacções epilépticas fotossensitivas, muito em particular nas crianças. Casos idênticos registaram-se já em 1989, no Japão, em 1991 nos Estados Unidos, em 1993 na Grã-Bretanha, e mais recentemente, também no Japão, devido a uma outra série de desenhos animados transmitida pela televisão pública

Mais elementos e estudos em http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2000/icm31/introd.htm

Repesquei esta mensagem, a propósito da notícia de que a CNIPE (Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação) sentiu necessidade de criar uma linha telefónica de apoio para crianças e famílias vítimas de violência na escola (964 466 499).

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Pela Família

Pelo casamento e pela família.
É tempo de agir

Concentração na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, dia 20 de Fevereiro, sábado. Vamos fazer uma festa de famílias!!!

terça-feira, dezembro 15, 2009

Clima


(...) «Nas igrejas pode estar a diminuir o número de fiéis, mas nas ruas correm multidões de penitentes. Dizem que vão salvar o planeta e sobretudo comprazem-se em anunciar-lhe o fim, ora submerso como aconteceu à orgulhosa Atlântida, ora abrasado como terá sucedido em Sodoma e Gomorra.

Àqueles que ousam questionar tal Apocalipse acusam de incredulidade e casos existem em que tentaram mesmo criminalizar a formulação destas dúvidas que vêem como uma heresia. E assim, dois séculos e meio após ter sido escrito o Juízo da Verdadeira Causa do Terramoto Que Padeceu a Corte de Lisboa, no primeiro de Novembro de 1755, o padre Gabriel Malagrida tornou-se não só uma obra actual como global.

(...) O resto desta história é razoavelmente conhecido: o padre Malagrida acabou queimado num auto-de-fé e o Marquês de Pombal reforçou os seus poderes
(...)
Aquele espalhafato penitencial da pegada ecológica que esta semana anda por Copenhaga tem de facto muito dopalavreado dos pregadores que, comoo pobre Malagrida, aterrorizavam os nossos antepassados, associando os seus pecados aos tremores de terra, à perda das colheitas, àssecas ou à fúria das águas. As alterações climáticas sempre aconteceram e a instabilidade do clima sempre reduziu os homens, sejam eles das cavernas ou dos arranha-céus, à sua insignificância.

Por isso em todos os tempos sempre existirão Malagridas a inventarem-nos responsabilidades naquilo que infelizmente não podemos evitar, como as catástrofes naturais, ou a agigantarem-nos os medose as culpas como está a acontecer actualmente com o aquecimento global que, recordo, sucede aoterror duma nova idade do gelo e à explosãodemográfica como os flagelos que, nas últimas décadas, nos garantiram que iam destruir o planeta.



Mas não sejamos inocentes: Malagrida não existe sem Pombal. Por Copenhaga circulam os herdeiros do autoritarismo iluminista que em cada catástrofe, seja ela real ou anunciada, vêem uma possibilidade de aumentar o seu poder para níveis que, não fosse esta ambiência catastrófica, não se aceitariam.

As propostas que em nome da salvação do planeta se têm feito ouvir por parte de líderes como Sarkozy, Lula da Silva ou Zapatero provavelmente ficarão pelo meio do caminho à excepção óbvia da produção de milhares e milhares de regulamentos que aumentarão o poder dos governos não para melhorar a vida do ou no planeta, mas sim para complicar a existência dos comuns mortais e torná-los cada vez mais dependentes do poder político.» (Helena Matos, no Público de 10 de Dezembro)

Sem resposta aos cépticos, Al Gore estreou-se mal em Copenhaga. «Num discurso proferido ontem na capital dinamarquesa, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos afirmou que um novo estudo revela que o Árctico vai deixar de ter gelo, durante os meses de verão, dentro de cinco anos. No entanto, o autor deste estudo, Wieslav Maslowski, nega ter chegado a esta conclusão. (...)

Maslowski afirmou que "nunca tentou estimar uma probabilidade tão exacta" como a que foi anunciada por Gore.

Mais tarde, o autor de "Uma verdade inconveniente" admitiu que os 75% foram usados por Maslowski como um "dado aproximado" numa conversa entre os dois há vários anos. (...)

O discurso de Gore foi também alvo de criticas por parte da comunidade científica, que descreve a estimativa como "agressiva". "Isto é um exagero que deixa a ciência exposta às críticas dos cépticos", afirmou Jim Overland da Oceanic and Atmospheric Administration.» (Jornal de Negócios, notícia em 15 de Dezembro)

sábado, dezembro 12, 2009

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Afinal o que é o casamento ?

(...) «Em todas as épocas e civilizações, o casamento tem um reconhecimento social e jurídico por estar na origem da mais básica das instituições sociais. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a família é o «elemento natural e fundamental da sociedade e, como tal, tem direito à protecção desta e do Estado» (artigo 16º, nº3).
A primeira forma dessa protecção traduz-se no reconhecimento da sua insubstituível função social» (...)

(...) «Há hoje quem queira abolir qualquer modelo de referência e abrir a porta desse Direito a uma pluralidade de formas “familiares” (para os mais radicais, tantas como a imaginação humana possa conceber, incluindo a poligamia e as comunidades sexuais). Não há Família, há famílias – diz-se. A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo insere-se nesta linha. Mas se há muitas formas de convivência, família como “célula básica da sociedade”, “elemento natural e fundamental da sociedade” (na expressão da DUDH) só há uma: a que se baseia na união monogâmica e estável entre um homem e uma mulher. Só assim concebida é que ela pode assegurar a harmoniosa renovação da sociedade – a mais básica das funções sociais.» (...)

(...) «seria inadmissível que uma opção tão relevante fosse tomada em função de estratégias políticas ou modas ideológicas e contra o sentir da maioria do povo, como o vêm revelando várias sondagens. Se é o povo que está supostamente “atrasado”, pois que se aproveite o referendo para o “esclarecer”. Mas que não se decida contra ele.» Pedro Vaz Patto, Juiz.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Pais pedem demissão do Director Geral da Saúde

«A Plataforma Resistência Nacional exigiu, à Srª Ministra da Saúde, em 21 de Agosto de 2009, a imediata demissão do Director Geral de Saúde, Dr. Francisco George, por ameaçar a saúde de milhares de jovens portuguesas» (...)




A Plataforma colocou várias questões, de índole técnica, ao Ministério, relacionadas com gravidez, contracepção e infecções de transmissão sexual, na adolescência, questões às quais o Ministério não conseguiu responder, iludindo a resposta com afirmações que não correspondem ao que actualmente a ciência diz sobre o assunto
.

Aqui, o comunicado. ->



Termina a Plataforma a dizer: "Na iminência de uma crise pandémica não é admissível que à frente da Direcção Geral de Saúde esteja alguém que demonstra uma ignorância perigosa, tendo em atenção a gravidade da matéria: apenas e só a saúde de milhares de portuguesas adolescentes e jovens."

Repliquei este post, depois desta noticia. Pois é, a aldrabice é contagiosa ...

domingo, outubro 18, 2009

Faltas à escola por febre


No contexto da epidemia de gripe que se prevê, o Ministério da Educação já oficiou às escolas para simplificar os procedimentos de faltas dos alunos às aulas por motivo de febre.

Assim, bastará que os pais justifiquem (na caderneta escolar, por exemplo) as faltas - até 7 dias (5 dias úteis)- por motivo de febre, sendo contado como primeiro dia, o dia em que teve febre.

Só será necessário atestado médico, para regressar ANTES dos 7 dias que estão preconizados.

Febre, de acordo com o sitio da Direcção Geral de Saúde, neste contexto, é um valor igual, ou superior, a 38º C.


sábado, outubro 03, 2009

família numerosa engripada


«Yoya, uma madrilena, mãe de oito filhos, conta como passou a gripe lá por sua casa:

(...)

«"tudo começou na segunda-feira, quando duas das crianças pequenas se sentiram doentes, com febre e dor de garganta». Nos dias seguintes foram adoecendo outros e , finalmente, também o pai."
A mãe ficou inicialmente surpreendida, mas tranquila. Já teve outras experiências parecidas.

"Como agora não se fazem análises, a não ser nos doentes que são internados, telefonei ao Pediatra que me disse que se aparecessem outros casos seria gripe A, (...) já que com o clima actual, e nesta altura do ano, seria quase impossível ser gripe sazonal."


O que é que faz uma mãe de oito filhos, todos doentes com gripe, e ainda o marido igualmente doente?
"Não paro. Aos mais pequenos, é preciso cuidar de tudo, não confundir as doses dos medicamentos, vigiar a febre. (...)
De qualquer modo, embora o contágio fosse rapidíssimo, os primeiros a adoecer já voltaram ao colégio.
Foi a própria escola que nos enviou uma circular, no iníco das aulas, em que nos avisavam que em caso de gripe poderiam regressar 24 horas depois de ter desaparecido a febre."» (...)


(notícia no ABC)

aviso à navegação


«Há para aí muito navio de guerra fazendo fumo para se esconder. Ninguém diz o que pensa, ninguém fala das coisas como são, não se lê, só se treslê. Uma assustadora hipocrisia enche o espaço público.» (Pacheco Pereira, no Abrupto)

quarta-feira, setembro 30, 2009

Acertar, mesmo não querendo


Comunicado da Associação Juntos pela Vida, « Ás 18h00 de dia 27 de Setembro os Juntos pela Vida enviaram o comunicado em anexo para a comunicação social.

Infelizmente, como se verificou, foi premonitório…»



COMUNICADO

«Independentemente dos resultados eleitorais o que se anuncia é uma ofensiva sem precedentes da Cultura da Morte!

.

1. No longo cortejo de Crimes contra a Humanidade há um que se destaca:

a. Pela natureza, grau de inocência e vulnerabilidade da vítima;

b. Pela assustadora e desproporcional coligação de forças que se une para atacar o mais indefeso dos seres;

c. Pela completa corrupção das funções do Estado, do Direito e da Medicina;

d. Pela instrumentalização e destruição das mães, atiradas para a sarjeta surda de uma dor longa, que as consome em fogo lento;

2. O aborto é o mais abominável de todos os crimes.

3. Os Juntos pela Vida preveniram, na manipulada campanha do referendo ao aborto, que tal como ao dia se segue a noite, ao aborto se seguiria a eutanásia.

4. Disseram-nos que uma coisa não implicava a outra, apesar de Portugal ser o único país que na mesma legislatura legalizou o aborto e tentou legalizar a eutanásia;

5. Hoje o alerta vai mais longe – a partir de 28 de Setembro de 2009 Portugal vai conhecer o mais violento ataque à vida jamais lançado no mundo ocidental:

a. Já temos a lei do aborto mais liberal do Ocidente;

b. O BE proporá a eutanásia, a pedido do próprio, a partir dos 18 anos; e, a pedido dos familiares, para pessoas inconscientes ou inimputáveis. O PS chumbará a proposta aprovando a medida “mais moderada e não menos moderna” da eutanásia "só" para "doentes".

c. É “lógico”, pois quando faltam crianças há que assegurar a sustentabilidade das pensões eliminando os pensionistas.

d. O BE proporá o casamento gay com possibilidade de adopção. O PS chumbará e, mais “moderadamente”, aprovará primeiro “só” o casamento gay, e num “prudente depois” a adopção.

e. Será imposta nas escolas a propaganda gay através da educação sexual.

f. Irão chamar os promotores e industriais do aborto para serem os responsáveis pela educação sexual para a prevenção do aborto;

g. Irão assimilar o contrato de casamento e a união de facto – que passarão a ser situações equivalentemente precárias –, desprotegendo-se totalmente mulheres e crianças.

6. Por tudo isto a partir de 28 de Setembro de 2009 está decretada a caça à criança, ao idoso, ao doente e à mulher.

7. Com a mesma angústia de morte que sentiram as pessoas mais lúcidas perante os passos crescentemente errados que antecederam a Segunda Guerra Mundial, os Juntos pela Vida recordam hoje aquela frase atribuída a Balzac: “maldito o que não gritasse no deserto, pelo receio de não ser ouvido por ninguém”.

8. Neste momento como em outros da nossa história recente os Juntos pela Vida saberão assumir as suas responsabilidades, seja pela acção junto do parlamento hoje eleito, seja na promoção de todas as movimentações populares necessárias a impedir este imposição de uma Cultura de Morte.

Lisboa, 27 de Setembro de 2009»

domingo, setembro 06, 2009

A palmada neo-zelandesa

Um referendo, na Nova Zelândia, pede a descriminalização da "palmada". Desde 1996 que a reforma do Código Penal neste país passou a considerar maus -tratos qualquer castigo físico às crianças, remetendo para o juízo individual das autoridades a decisão de aplicar, ou não, a lei.

Este referendo, de inciativa popular, votou pela despenalização da "força razoável" por 87,6% de votos a favor, com uma participação de 54% dos eleitores.

O Primeiro-Ministro John Key já disse que a lei não será alterada, mas que entende o sentido do referendo como que "os eleitores não querem que os pais que agem correctamente sejam penalizados por uma palmada ligeira".

quarta-feira, agosto 05, 2009

economia e natalidade


No Jornal de Negócios de 5 de Agosto:


(...) «a lista dos países mais envelhecidos é encabeçada por economias que, na última década à semelhança de Portugal, têm revelado crescimentos económicos débeis: Japão, Alemanha e Itália. Esta circunstância desperta interrogações sobre um eventual nexo entre envelhecimento e fraco crescimento.»

(...) «Para Portugal, inevitavelmente, o envelhecimento coloca importantes desafios à sustentabilidade da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde,» (...)

«Relembrando o modelo de crescimento económico de Solow: simplificadamente, o crescimento económico explica-se pela expansão da população, pela evolução do investimento/da utilização de capital e, por último, pelo progresso da produtividade ou inovação. Olhando para a economia portuguesa, a população definha, a utilização de capital é baixa e o investimento, no curto prazo, está comprometido pela escassa poupança. Restam acréscimos de produtividade. Ora, o envelhecimento da população, como a evidência empírica demonstra, implica alterações significativas nas preferências dos agentes económicos, resultando em impactos não negligenciáveis na produtividade.» (...)

(Cristina Casalinho , A maldição do envelhecimento, Jornal de Negócios)

quarta-feira, julho 29, 2009

Familias com filhos são discriminadas

«O Provedor de Justiça voltou a questionar o Governo sobre o estado em que se encontra a concretização das medidas previstas no Relatório para a Simplificação do Sistema Fiscal Português para rever a questão do tratamento fiscal mais favorável para famílias monoparentais relativamente a famílias de pais casados ou unidos de facto.

De relembrar que em 2005, depois de apresentada uma reclamação pela Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN), a Provedoria de Justiça concluiu que, em determinadas situações, as famílias monoparentais podem ser globalmente menos afectadas pela tributação em sede de IRS do que os agregados familiares de pais casados ou unidos de facto.

O relatório finalizado em Maio de 2006, defende que deve haver uma aproximação do tratamento fiscal dos agregados familiares, independentemente da situação dos pais, o que passaria por ser ponderado "o estabelecimento de um regime de tributação separada com possibilidade de opção pela tributação conjunta, sendo a opção efectuada nos moldes em que já ocorre relativamente aos unidos de facto, ou seja, mediante a assinatura para ambos da respectiva declaração de rendimentos, medida essa, aliás, já recomendada pela Comissão para o Desenvolvimento da Reforma Fiscal".» (...) Em ImpostosPress.Net

Mas os governos (todos!) gostam mais da propaganda, do que da realidade ... Basta reparar como agora (só agora ...) a maioria se lembrou de "favorecer" as famílias. De "favores" dos governos estão as famílias fartas!!

Como esta treta da "conta-poupança" de 200 € para os bebés poderem usar aos 18 anos. E até aos 18 anos, vivem de quê? Do ar?
É precisamente nos primeiros anos de vida que as famílias têm maiores dificuldades que vão desde o dinheiro para as fraldas, aos sapatos e roupa, às cadeirinhas para os automóveis (obrigatórias por lei), etc.

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas chamou a esta medida, uma
"medida divertida" própria de quem "não percebe nada" de incentivos à natalidade" e que esta iniciativa "não serve para rigorosamente nada". (notícia DN, de hoje)

"Na Europa, as famílias recebem em média cerca de 150 euros por mês por cada filho", diz o Presidente da Associação.

A Associação de Famílias Numerosas enviou aos partidos políticos uma lista de 10 medidas que julgam essenciais para incentivar a natalidade: "Esperamos que as analisem e, se estiverem de acordo, que as coloquem no seu programa eleitoral".

Se querem de facto melhorar a vida das familias, não faltam propostas positivas e concretas. E nem sequer são novas.