sábado, julho 11, 2009

portugal sem políticas de família


«O Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis entende que as políticas familiares estão pouco desenvolvidas em Portugal.

Treze autarquias foram ontem premiadas por boas políticas de apoio.
"As sociedades entendem que gerar e educar as gerações seguintes é da responsabilidade das famílias, mas os sinais que a sociedade e o Estado dão nem sempre vão nesse sentido", afirma João Paulo Barbosa de Melo, membro do Observatório. Como exemplos, dá as políticas de fiscalidade, segurança social, transportes e urbanismo, que não são pensadas para as famílias, uma vez que as mais numerosas pagam mais e não são mais apoiadas por ter mais elementos. "Assim as famílias ficam mais frágeis e têm menos filhos que o desejado", considera.» (...)

«O Observatório distinguiu 13 municípios pelas boas práticas em políticas familiares. Angra do Heroísmo, Aveiro, Cadaval, Cantanhede, Évora, Funchal, Tavira, Torres Novas, Torres Vedras, Vila de Rei, Vila Nova de Famalicão, Vila Real e Vila Real de Santo António foram os municípios premiados» (...)

sexta-feira, julho 03, 2009

Lembraram-se agora ...


A maioria no governo lembrou-se (agorinha ...) que quer "favorecer" as famílias que querem ter filhos ...

Ora «a França atingiu há bastante tempo os desejados indices de 2.1 de crianças por mulher num espaço de tempo razoável e, curiosamente, o grupo populacional a atingir esse valor em primeiro lugar foram os casais portugueses aí emigrados!

É fácil de se perceber que os casais portugueses obterão em Portugal os mesmos "resultados" que em França no caso de Portugal adoptar a mesma política de família que a França!»

Isto é o que diz
a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas ("caderno 15") que faz o elenco dessas medidas, sublinhando que o básico é acabar de vez com a fortíssima política anti-família e anti-natalidade do sistema fiscal português.

Este carácter penalizante e discriminatório foi reconhecido publicamente pelo Ministro das Finanças desta maioria (programa "Prós e Contras" de 6 de Novembro).

Video aqui.


quarta-feira, julho 01, 2009

Promoção da família


O Ministério da Juventude de Singapura promove uma campanha mediática para favorecer o desenvolvimento de famílias sólidas.


O tema da campanha é "think family" e a ideia é que as pessoas tomem consciência do valor das famílias bem estruturadas.



Pelos vistos, do Oriente já não vêm só automóveis e telemóveis.


terça-feira, junho 30, 2009

A Plataforma



Comunicado da Plataforma Resistência Nacional

«Os cidadãos Portugueses, nomeadamente Pais com filhos em idade
escolar, que em número significativo e em devido tempo fizeram chegar a sua voz à ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA colocam as questões abaixo às quais exigem respostas:

a) As escolas já fazem a explicação científica completa da reprodução humana. Mas aos políticos não basta. Agora o que querem é doutrinar os seus valores e a sua visão do homem;

b) Há mais de 300 modelos de educação sexual já testados, muito distintos nos objectivos e resultados. Não percebemos com que direito quer o parlamento português, entre os 300, impor 1 modelo único, uma espécie de “nacional‐sexualismo” totalitário.

c) Queremos que nos dêem a prova científica de que “o” modelo “nacional‐sexualista” já foi testado noutros países e deu os resultados pretendidos. Onde diminuiu o número de gravidezes adolescentes? Onde diminuiu o número de infecções sexuais?

d) Queremos ver as actas da Comissão parlamentar que debateu esta lei para saber quais foram as provas científicas apresentadas.

e) Exigimos que cada deputado nos responda a estas perguntas: acha que educou bem os seus filhos? Acha que foi tão exemplar que tem o direito de impor as suas convicções aos outros?

f) Queremos saber que “impacto ético” se prevê que este modelo “nacional‐sexualista” venha a ter.

g) Há pessoas que querem esse modelo para os seus filhos, e estão no seu direito. Mas têm o direito ao modelo e ainda o direito à prova de que este modelo foi sujeito a um controle de qualidade cientificamente sólido.

h) Há pessoas que não querem este modelo, e também estão no seu direito.

i) Rejeitaremos, até ao limite das nossas energias, a interdisciplinaridade do modelo “nacional‐sexualista” pois é a forma de o tornar compulsivo e anti‐democrático, e por sexualizar de forma obsessiva todo o tempo escolar.

j) Se nós quiséssemos dar preservativos e contraceptivos aos nossos filhos não faltariam caixas nas nossas casas; sabemos muito bem onde os podemos ir buscar e de graça. Srs deputados: não finjam que não percebem!

k) Esta lei de educação sexual humilha de novo os professores: considerados uns “pais indignos” de educar sexualmente os próprios filhos; mas uns “professores hiper‐habilitados” para educar sexualmente os filhos dos outros;

l) Rejeitamos o ataque cobarde do Governo aos professores: primeiro atados de pés e mãos e atira‐os à água para avaliar o seu mérito natatório; agora, obriga‐os a leccionar matérias que não dominam e que, na maioria, não subscrevem.

m) Os nossos filhos não são da sociedade nem da comunidade escolar. A educação dos filhos é um direito/dever dos pais que é indisponível: nem os pais podem prescindir dele nem o Estado lho pode retirar. (...)

PELA LIBERDADE DE EDUCAÇÃO
PELA LIBERDADE DE PENSAMENTO
CONTRA O “NACIONAL-SEXUALISMO”
VIVA A RESISTÊNCIA
VIVA PORTUGAL

Portugal, 3 de Junho de 2009. Pela Plataforma,
Artur Mesquita Guimarães – V. N. Famalicão
Fernanda Neves Mendes – Leiria
Miguel Reis Cunha ‐ Algarve
Tlm. 963 408 216
info@plataforma‐rn.com, http://www.plataforma‐rn.com

Protecção e desprotecção


«A taxa típica de falência contraceptiva, no primeiro ano de uso, foi de 8% para os contraceptivos orais (pílula) e 15% para o preservativo masculino» (...)
(Data from the 1988 National Survey of Family Growth, in CDC, Center for Disease Control, Update: Barrier Protection Against HIV Infections and Other STD's; Trussell J, Hatcher RA, Cates W, Stewart FH, Kost K. Contraceptive failure in the United States: an update. Stud Fam Plann 1990;21:51-4. )



Condon Report (pdf, aprox. 565 Kb)

* Estudo das quatro instituições com responsabilidades na investigação sobre preservativos, na regulação do seu fabrico e na emissão de recomendações sobre o seu uso em programas de prevenção do VIH / SIDA e das Infecções sexualmente transmitidas (IST), ( ...)

(Estas quatro Agencias são: a USAID, a FDA (responsável pela introdução e autorização de medicamentos para uso humano e pela vigilância limentar), os Centros de Controle e Prevenção de Doenças Infecciosas (CDC, foram os centros que identificaram, pela primeira vez, a SIDA quando ela surgiu) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, National Institutes of Health).)


Os resultados foram publicados em Julho de 2001:
(...)
«O estudo também abordou as outras infecções sexualmente transmitidas além do VIH / SIDA que são, neste momento, pouco menos de três dezenas de doenças diferentes.

Para estas, o estudo concluiu pela pequena evidencia de que houvesse alguma protecção ou redução significativa do risco.

Algumas das doenças estudadas foram: a gonorreia (causada pela Neisseria gonorrhoeae), a infecção por clamidias (Chlamydia trachomatis), a tricomoníase (Trichomonas vaginalis), o herpes genital (virus do Herpes simplex, ou HSV), o cancro mole (Haemophilus ducreyi) e a sífilis (Treponema pallidum).

Deu-se um ênfase especial ao virus do papiloma humano (HPV) deduzindo que “não há evidencia de que o preservativo reduza o risco de infecção pelo HPV…”. Este virus é uma causa importante de infecções de transmissão sexual e está asscociado ao cancro do colo do útero, que mata mais mulheres por ano do que a SIDA, no mundo ocidental.

Mesmo com o aparecimento da vacina (que só protege de 4 tipos de HPV, dentre os cerca de 50 existentes, e não aparece como útil para todas as jovens que já tiveram relações sexuais, e que estão infectadas em mais de de 50% dos casos).

A mensagem principal é que não existe nada parecido com protecção a 100% ou “sexo seguro”, com o preservativo. Este dado é muito importante porque, ao pensar encontrar-se protegido, qualquer jovem pode facilmente arriscar e infectar-se.»

(Workshop Summary: Scientific Evidence on Condom Effectiveness for Sexually Transmitted Disease Prevention, 20 July 2001, pp. 1-2. The Workshop Summary em http://www.niaid.nih.gov/dmid/stds/condomreport.pdf.).

Os resultados do estudo não foram surpresa: (...) "Tendo sublinhado que os preservativos dão resultado, temos que perceber que não dão resultados perfeitos. Mas nada na medicina (ou na vida) resulta sempre"
(Cates W, Jr., and Hinman AR, AIDS and absolutism—the demand for perfection in prevention, New England Journal of Medicine, 1992, 327(7):492-494, citado em Family Planning Perspectives, Volume 33, Number 5, September/October 2001)

É chato, mas os vírus não querem saber das nossas modas ideológicas.

abortamentos na Europa, em menores de 20 anos


Dados para reflectir.
Números da OMS, Europa.

Dinamarca,
Noruega,
Holanda,
Finlândia,
registam taxas de abortamentos, em menores de 20 anos, superiores a 1000 / 1000 nascimentos. Ou seja, têm mais abortos que nascimentos. Têm mais abortamentos em menores do que o Reino Unido e a Espanha, por exemplo.


Actualização: grafico de gravidez na adolescencia

O gráfico acima foi gerado no site da OMS Europa. Mostra que a gravidez na adolescência em Portugal está a descer muito rapidamente há bastante tempo (a vermelho). Mostra que a gravidez na adolescência, no Reino Unido, está a subir, há algum tempo (a verde, no gráfico). Convinha pensar porquê.


Gravidez na adolescencia, Portugal e a Europa

Gravidez em mulheres menores de 20 anos (dados da OMS), desde 1980 até hoje: a verde -> Reino Unido; vermelho -> Portugal


A propósito desta noticia no Publico acerca do jovem de 13 anos que acaba de ser pai de uma criança cuja mãe tem 15 anos, fui ver os dados da OMS Europa.

O Reino Unido continua, há algum tempo, sempre em primeiro lugar na gravidez na adolescencia, apesar de ser o 2º país europeu com maior consumo de contraceptivos. Apesar de nas escolas, há muito tempo, se distribuírem gratuítamente pilulas, preservativos e a pilula (abortiva) do dia seguinte. Apesar de ter o aborto liberalizado.


Este tipo de noticias são comuns em Inglaterra. Basta ler a BBC on-line-: por exemplo, lê-se que nalgumas escolas do 2º ciclo foi preciso criar um programa de tratamento para crianças com infecções sexualmente transmitidas.


No gráfico acima, gerado pelo site da OMS - Europa, a vermelho a gravidez adolescente em Portugal, em queda, há bastante tempo. A verde, a gravidez no mesmo grupo de menores de 20 anos, em Inglaterra, a subir, a par com os programas de "prevenção" nas escolas ...

Talvez fosse bom reflectir sobre modelos educativos (não vá dar-se o caso de tentarmos importar os sarilhos alheios ...).

Democracia em fascículos

O Professor Mário Pinto escreve no InfoVitae, a propósito das críticas que um senhor deputado terá feito ao protesto de um pai que não está conforme com a actual situação em matéria de educação sexual nas escolas:

«Responda lá, a essa voz que invocou a maioria, o seguinte. Democracia não é igual a ditadura da maioria. Democracia é igual a pluralismo, porque se baseia nas liberdades individuais.


O argumento da maioria não legitima que a maioria imponha um regime único e autoritário a todos. Isso tornaria a democracia num regime de ditadura da maioria. Por isso, tem todo o sentido que (...) discorde de uma lei que, implicitamente ao menos, pretende impor a todos uma obrigação de uma certa orientação de educação.


Se para a liberdade sexual se reivindica a liberdade de orientação e a igualdade de legitimidade e direito entre orientações diferentes, porque é que para a educação não se aplica o mesmo raciocínio?

Nem nas escolas públicas a maioria tem direito de impor uma certa orientação em matéria de educação sexual, visto que nas escolas ditas públicas se invoca a liberdade individual de aprender e de ensinar.


O ensino obrigatório (que é menos do que educação obrigatória) é apenas uma regulação de liberdades fundamentais da pessoa humana, das liberdades de aprender e de ensinar — porque o Estado não tem nenhum direito de ensinar, como diz o nº nº 2 do art. 43º da Constituição. Deve por isso o ensino obrigatório ser definido num mínimo, que não comprima as liberdades — é o que diz o art . 18º da Constituição: «a lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos».


As liberdades individuais, dos alunos e dos seus pais, não podem ser expropriadas, pela imposição de orientações, mesmo nas escolas públicas, onde só os pais e professores são titulares de liberdades de aprender e de ensinar.


O Estado não tem direitos de educação; não é nem educando, nem educador. Não pode impor educação. Pode apenas criar condições institucionais e materiais neutras. E garantir as liberdades individuais.


Gostava de saber porque é que aqueles que tanto clamam pela divisa «pro choice», em matéria de aborto, não se batem também pela liberdade de escolha da escola e do ensino escolar.


Gostava de saber porque é que a mesma mulher, a quem se reconhece o direito de escolher, com o apoio financeiro do Estado, entre abortar ou não («pro choice»), não merece o mesmo reconhecimento «pro choice» para a liberdade de escolher a educação e o ensino escolar do seu filho, que escolheu não abortar, com igual apoio financeiro do Estado.» (Mário Pinto)

sexta-feira, junho 26, 2009

Jackson



O mundo levanta-se em louvor do falecido Jackson. Em simultaneo reclamam-se penas duras para os acusados de pedofilia.

Somos propensos ao paradoxo, ou temos a memória demasiado curta.
Em qualquer caso, isto é pouco saudável (digo eu).

segunda-feira, junho 22, 2009

No País das palavras



A noticia não é muito recente, mas como vamos ter eleições dentro em pouco, vale a pena recordar o que vão dizendo estes palavrosos senhores ...


sexta-feira, maio 22, 2009

A saga continua

Diário de Notícias de 7 de Outubro de 2008:

«"Não estávamos a conseguir aguentar financeiramente a casa, estávamos a entrar em situação de ruptura e então resolvemos separar-nos, mas só no papel."


O desabafo é de João R., 41 anos, pai de seis filhos, residente em Braga, que simulou uma separação com a sua mulher, Ana R., 39 anos, para poder beneficiar das deduções em sede de IVA relativas a encargos com os filhos do casal.
Desde então, há quatro anos, a família Rodrigues, que continuou a ser uma família no seu dia-a-dia e que apenas se divorciou "no papel", tem vindo a poupar cerca de mil euros por mês. "O correspondente a um salário quase", explicou ainda João R. ao DN.

Esta é mais uma de muitas famílias de pais casados ou unidos de facto a quem o Estado- através do regime de tributação de IRS em relação aos encargos com os filhos - não permite descontos fiscais sobre o valor desses encargos, ao contrário das famílias monoparentais, de pais separados ou divorciados, que podem descontar o valor da chamada "pensão de alimentos".


Esta realidade foi denunciada já em 2005, pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, e levou o Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, também logo na altura, a fazer um apelo ao Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, nesse sentido.

Em 2007, o Governo assumiu a existência dessa falta de equidade na tributação fiscal e prometeu um igual tratamento, mais favorável às famílias monoparentais, naquilo a que chamou "Relatório para a simplificação dos Sistema Fiscal Português".

Até hoje, contudo, tudo se mantém. Por isso, o Provedor de Justiça voltou a questionar, ontem, o Governo, para que lhe transmita "o estado de concretização das medidas preconizadas nesse relatório", pode ler-se no comunicado do gabinete de Nascimento Rodrigues.


Contactado pelo DN, o gabinete do Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, não esclareceu o porquê do atraso e apenas assumiu que "esse assunto está a ser estudado".


"Desde que fingimos esta separação que conseguimos comprar um carro, para transportar decentemente os meus seis filhos, um fogão para a cozinha e fazer férias". Porque, segundo João R., "estávamos a caminhar para uma "situação absurda" .
Por isso, há quatro anos, casados desde 1990, o casal, com educação de nível superior e a trabalhar como quadros superiores de empresas, recorreu a um advogado e simulou uma intenção de separação. "Mas nada mudou. Continuamos a viver juntos e a gostar um do outro."»

Republiquei este post hoje porque, pelos vistos, ainda não somos
uma espécie em extinção ... (por enquanto)

terça-feira, maio 19, 2009

Criancinhas


«A criancinha quer Playstation. A gente dá. A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa. A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate. A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente. A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando. A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua. Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares. A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com
os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».


Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».


A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias». Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?


Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.»
(
A Devida Comédia, coluna de Miguel Carvalho, Artigo publicado na revista VISÃO online)

terça-feira, março 10, 2009

Cada vez mais jovens ...

Uma médica do Madison Memorial Hospital, nos EUA, fala acerca de uma "mãe" de 9 anos que acaba de ter a sua criança no Hospital (um bebé com cerca de 2,3oo kg).


Falado em inglês, noticia da CBS news, editada em 23 de Janeiro de 2009.

Encomendar um filho na telepizza

Nem todos estão conscientes de que, hoje em dia, diagnóstico pré-natal significa geralmente abortar, na presunção de que é possível evitar algumas doenças, matando o futuro doente.

A verdade é que apenas se avaliam probabilidades de adoecer, o que significa que se matam seres humanos saudáveis, apenas para que não adoeçam num futuro imprevisível.
Para sermos coerentes, provavelmente mataríamos toda a gente porque todos estamos em risco de adoecer ( ou de ter um acidente grave com sequelas).

Tudo isto começou há muito tempo, com a fertilização in vitro. Desde essa altura que a produção de embriões humanos por manipulação no laboratório, teve sempre como efeito colateral a morte de centenas de irmãos desse ser, por não terem sido "seleccionados" para implantação no útero.


Claro que tudo isto é justificado com ideais muito virtuosos, como sejam uma sociedade sem doentes, ou o evitar de terríveis doenças hereditárias. À medida que for aumentando a capacidade de diagnóstico precoce, a manter-se esta cultura, iremos matando ("seleccionando") cada vez mais crianças, muitas delas saudáveis, apenas porque tinham uma "probabilidade" de vir a adoecer, algures no futuro.


O facto de nem todos os que têm predisposição genética para adoecer, adoeçam efectivamente (é apenas uma probabilidade), tal como o facto de que os ditos "saudáveis" adoeçam frequentemente de doenças comuns, não tem demovido os novos "construtores" de seres humanos.

O poder de "construir" e destruir seres humanos é, na sua argumentação, um dogma intocável: quem se opõe é retrógrado, inimigo do "progresso", tem interesses ocultos, etc.


Com tudo isto já se estão também a criar novas discriminações sociais: entre os que têm dinheiro para a "selecção" dos filhos, e os pobres que ficariam entregues ao azar genético.


No meio de tudo isto, sobra a superstição científica sobre o valor preditivo dos genes. Basta passar os olhos pelos casos do mundo real.
No New York Times de Agosto passado, uma entrevista a duas irmãs gémeas, ambas com 92 anos de idade, mostrou uma delas vibrante de saúde e actividade, vivendo sozinha e conduzindo carro, fazendo compras e participando em actividades da comunidade. A outra acamada, por fractura osteoporótica, com uma doença que a está a levar à cegueira, com incontinência urinária e demência.

Os genes são apenas um dos dados da saúde e da doença: os factores do ambiente, da cultura, os hábitos de vida, a alimentção, as escolhas individuias, etc. têm um peso equivalente no prognóstico.

James W. Vaupel é director do Laboratório do Instituto Max Planck, na Alemanha, dedicado ao estudo da "Sobrevivência e Longevidade". Segundo ele, enquanto a altura de uma criança pode ser explicada em 80 a 90% pela altura dos pais, no que diz respeito à longevidade, os genes herdados apenas contribuem com 3%. De facto sabe-se que os gémeos monovitelinos ("verdadeiros" gémeos) morrem com diferenças de idade média de cerca de 10 anos.

O que tudo isto significa é que as probabilidades e generalizações apenas funcionam na estatística de grandes grupos. Em termos gerais, sabemos que um obeso que fuma tem mais hipóteses de morrer cedo do que o magro, que não fuma: mas perante casos individuais, nada sabemos.

A maioria das pessoas em famílias com doenças hereditárias não morrem da doença que herdaram, muitas nem sequer têm a doença.

segunda-feira, março 09, 2009

TPC

Esta jovem de 12 anos gravou este trabalho que fez para a escola (7º ano de escolaridade).



As legendas em português podem ser ligadas / desligadas no icone no canto inferior direito (icone "CC")

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Educação para a cidadania

Em Espanha, a disciplina de Educação para a Cidadania é objecto de debate aceso.



(Extraído do livro "Educación para la Ciudadanía y los Derechos Humanos", editorial Octaedro, p. 32.)

terça-feira, fevereiro 17, 2009

O vazio

«Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido. Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia.» (...)(Mário Crespo, no Jornal de Notícias, em 16 de Fevereiro):

«O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.


Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido.

Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. (...

Descobriram agora ... Mas qual ética?

A reitora da Universidade de Aveiro, Helena Nazaré, comenta que as Universidades têm uma parte da responsabilidade pela crise financeira por não terem preparado os seus aluno para as questões éticas. (No Diário Económico)


Importante, interessante, apenas um pouco tardio. Mas o debate é cada vez mais necessário: qual ética? A que valoriza os seres humanos em função da sua capacidade de "serem desejados", ou "autónomos", ou "auto-conscientes"? Porque essa é precisamente a ética que nos levou à situação em que estamos.


Estamos onde estamos não por acidente, mas por escolhas (globais) estrategicamente e deliberadamente propostas e impostas ...

Repare-se que no National Prayer Breakfast, uma tradição respeitada por todos os presidentes do EUA, o Presidente Barack Obama citou Santo Agostinho: "Reza como se tudo dependesse de Deus; trabalha como se tudo dependesse de ti."

Estão a imaginar as nossas Escolas Públicas a fazerem algo parecido?

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

TV e video podem perturbar o desenvolvimento verbal

Um estudo publicado na revista médica "Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine" pretendeu avaliar a qualidade da interacção entre crianças pequenas e seus pais e relacioná-la com os conteúdos dos meios de comunicação.

As crianças pequenas que viviam em casas onde a TV e o video estão quase sempre ligados têm menor probabilidade de desenvolver a linguagem de mod0 adequado.

O investigador principal, Alan Mendelsohn, director de investigação clínica do Departamento de
Pediatria da Escola de Medicina de Nova York, afirma desalentado que "a tv educativa não é uma solução".

Desde que a TV esteja ligada, ou o vídeo, o contacto verbal entre pais e filhos fica reduzido, refere o estudo.

O estudo também não demonstrou que a chamada programação educativa aumentasse a interacção verbal entre pais e filhos, mesmo quando viam tv juntos.

O que acontece é que a tv fica acesa enquanto a mãe, geralmente ela, se ocupa com outras tarefas da casa e as crianças ficam sós diante da "ama electrónica".

"As nossas conclusões são relevantes porque a interacção entre pais e filhos tem uma enorme repercussão no desenvolvimento infantil precoce e no sucesso escolar, bem como nos riscos relacionados com a adolescência", sublinham as conclusões do estudo.

Este estudo vem reforçar as recomendações da Academia Americana de Pediatria de que as crianças com idade inferior a 2 anos não devem ver televisão.

O estudo centrou-se em crianças pequenas e em familias com baixo nivel socio-económico.