segunda-feira, dezembro 08, 2008

Com a verdade me enganas ...


«Ninguém emenda um erro que não reconhece. Quem acha que tudo vai bem só corrige o mal demasiado tarde. A recente crise financeira mostra muitos casos destes»

(...)

«A nossa imprensa traz pouca informação. Muita análise, intriga, provocação, boato, emoção, combate, mas pouca informação. O público não quer jornalismo, quer entretenimento. Para ter sucesso o repórter precisa de ter graça, ser espirituoso, ver o aspecto insólito. Assume uma atitude de suposta cumplicidade com o leitor, ouvinte ou espectador desmontando para gáudio mútuo o ridículo que achou que devia reportar. Antecipa no relato o que assume ser o veredicto popular, condenando ou absolvendo aqueles que devia apenas retratar.

Assiste-se a uma verdadeira caça ao deslize, empolado até à hilaridade. Só triunfa se apanhar desprevenido e atrapalhar o entrevistado. Enquanto descreve o que vê quase às gargalhadas, não se dá conta da perda de dignidade profissional. Tem sucesso, mas não rigor. Quem segue a notícia fica com a sensação de ouvir aquele que, dos presentes, menos entendeu o que se passou no acontecimento.

Aliás, relatar o sucedido é o que menos interessa. O jornalista vai ao evento para impor a agenda mediática que levou da sede. A inauguração de um projecto revolucionário, por exemplo, só importa pela oportunidade de fazer a pergunta incómoda ao governante sobre o escândalo do momento. Investimentos de milhões, trabalho de multidões, avanços e benefícios notáveis são detalhes omitidos pela intriga picante que obceca o periódico.» (...)
(J Cesar das Neves, artigo DN, 01 Dez 2008)

sexta-feira, novembro 28, 2008

Taxa sobre os produtos cosméticos

A douta maioria na Assembleia da República acaba de aprovar, in extremis, uma emenda para garantir que a "taxa sobre os produtos cosméticos" seja de 1% e não 2%. Extremamente adequado e pertinente já que é seguramente um produto a usar abundantemente quer na AR, que em muitos orgãos de comunicação social.

Será por isso que a
APFN (Associação Portuguesa de Famílias Numerosas) chamou às alterações do orçamento, no que respeita ao IRS das famílias, "uma gigantesca aldrabice". Alguns jornais (o Sol e o DN, pelo menos) divulgaram a falsa notícia de que a posição do governo estaria "próxima" da reclamada pela Associação, divulgação feita depois de o comunicado da Associação já ter chamado ao assunto "pior a emenda que o soneto"!

Agora, além de coisas brilhantes como penalizar os carros a diesel (mais amigos do ambiente que a gasolina ...), reduzem as deduções das pensões de alimentos dos casais separados, a pretexto "acabar com a discriminação fiscal dos pais casados ou viúvos relativamente aos pais com outros estados civis".

A verdade é que "esta solução faz com que a esmagadora maioria dos contribuintes que pagam pensão de alimentos, cujo IRS é inferior a 20% do seu rendimento bruto, fiquem a pagar ainda menos IRS. Apenas os contribuintes que pagam pensão de alimentos e cujo IRS é superior a 20% do seu rendimento bruto têm um ligeiro agravamento do IRS. (...) Em qualquer das situações, os casais divorciados ou separados com filhos (qualquer que seja o seu número) continuam a ser fortemente beneficiados relativamente aos casais casados ou viúvos."

(...) "A manter-se esta situação, é naturalíssimo que bastantes mais pais casados se separem "no papel", numa legítima medida de "planeamento fiscal", a fim de, pagando muito menos IRS, resistirem com menor dificuldade à crescente crise económica (e não só) em que o País vai mergulhando.
Terão, ainda, direito ao benefício de 20% no abono de família devido aos pais "monoparentais" que o Governo instituiu neste ano. Para esse fim, terão apenas que ter o cuidado de darem moradas fiscais diferentes um do outro, da mesma maneira que várias empresas têm a sua sede social nos locais que lhes permitam pagar menos imposto."
(...)

E ainda há quem se queixe da estupidez de um líder do outro lado do Atlântico! Hi-Ho!

terça-feira, novembro 25, 2008

os patolas a que já nos habituámos


«OE2009: PS corrige diferenças no tratamento fisca»

«Pior a emenda que o soneto?»


A maioria para lamentar prepara-se para mais uma ideia "luminosa". Ver aqui, o comunicado da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, a propósito das alterações fiscais que a maioria propõe em sede de IRS.


«Foi com grande surpresa que a APFN tomou hoje conhecimento pela comunicação social de que o grupo parlamentar do PS vai entregar uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2009 que penaliza fortemente os contribuintes divorciados que pagam pensão de alimentos, sob a desculpa de corrigir a discriminação fiscal na tributação de contribuintes casados face a divorciados.» (...)



«A injustiça perante os contribuintes casados ou viúvos consiste em que, quem recebe essa pensão, pode deduzir até 6000 EUR dessa fonte de rendimento. Pelo contrário, os casados ou viúvos não podem deduzir qualquer valor ao rendimento que recebem para suportar as despesas normais do "simples viver" - comer, vestir, calçar, porque não podem ser objecto dessa fonte de rendimento!

Através desta medida, parece que o legislador quer penalizar os contribuintes divorciados ou separados mais generosos, tornando ainda mais difícil a fixação de uma justa pensão de alimentos.» (...)


O comunicado tem a data de 21 de Novembro, mas ainda hoje alguma imprensa o ignora. Tão poderosa é a voz do dono...


segunda-feira, novembro 17, 2008

High School Musical 3




Itálico"High School Musical 3: o último ano",
mantém o êxito dos filmes anteriores. Neste os personagens já envelheceram um pouco (é o último ano na escola ...), mas rodam e rodopiam com o esforço e o optimismo do costume.
O serviço de informação Aceprensa, tem a crítica aqui.




quarta-feira, outubro 29, 2008

???????????


Segundo noticia inserida no jornal Público, o Conselho Nacional de Educação recomendou ao Ministério da Educação que "os alunos deixarão de reprovar na escola até terem completado o 12º ano".

«Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.» (Thiago de Mello, Estatuto do Homem)

Oxalá as empresas do futuro sejam todas automatizadas e não precisem de pessoas treinadas e competentes!

terça-feira, outubro 28, 2008

A sequencia



Não foi há muito tempo que alguém minimizava o facto de que o " número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado".

Estamos a falar de Portugal.

As
denúncias do professores tampouco tiveram efeito.

Os protestos dos pais, talqualmente. Os tais pais de quem a escola se queixa por falta de participação. Já agora, participam em quê? Não escolhem a escola, nem o professor, nem o manual, nem o currículo ... E se protestarem, são ouvidos?

Bem,
agora começam a ver-se algumas consequencias deste último quarto de século de maravilhosas teorias educativas. Continuemos a participar e a protestar. Algum dia (esperemos que cedo) alguém poderá pensar que a única teoria que não foi experimentada, era a mais óbvia.

quinta-feira, outubro 23, 2008

promoção da precariedade




(...) «Há pessoas em cujo espírito subsiste a ideia de que defender a concepção de uma família estável e duradoura, como alicerce para a saúde mental do indivíduo e para o bem da sociedade, corresponde a um pensamento retrógrado.

Pressente-se, assim, que a estabilidade na família é vista com um cepticismo mordaz e como uma grilheta à liberdade individual.


Embora careça de melhor explicação quais os modelos alternativos de família que defendem os vários partidos políticos, "a concepção de família alternativa" mais popular é aquela que fomenta as experiências individuais e rejeita um estilo de vida padronizado. Ou seja: viver bem e ser feliz não depende de uma forma-padrão.

Nesta configuração, a família transforma-se numa união de pessoas que coabitam numa proximidade física e emocional, na qual a "paixão por viverem juntas" é o único compromisso de coexistência.

Mas este é um conceito de família vago, permissivo e volátil, uma vez que, ora existe, ora deixa de existir.

Trata-se de uma concepção de família que não deixa espaço para a estabilidade e que tem asco à responsabilidade, dado que, ao mínimo sinal de inconveniência, fracasso ou de risco, facilita a impulsividade e aponta inequivocamente a fuga como a melhor saída.»


(...)

Promover a volatilidade absoluta nas relações familiares, sem direitos e obrigações prescritas, é promover a imaturidade.

(...)

Já há muito tempo que a Psiquiatria reconhece a importância da família no desenvolvimento do indivíduo e a sua ligação à psicopatologia. Qualquer alteração legislativa radical - democraticamente legítima - no regime jurídico do casamento tem fortes implicações individuais, familiares e sociais, cujas consequências são imprevisíveis.

Porém, não se tem observado, por parte do legislador, a necessária prudência e o espírito dialogante que deveria acompanhar uma matéria tão sensível como esta.

Resta esperar que a nova concepção de família não seja uma obsessão política invencível e que haja tolerância e responsabilidade democrática suficiente para se continuar a discutir este importante tema.»

Pedro Afonso, A familia volátil e a imaturidade,
Médico psiquiatra ,
no Público de 23-10-2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

natalidade


No Jornal de Notícias:

«
Natalidade: Boticas, Murça, Lamas de Olo, Arrois, Provezende e Vimioso atribuem incentivos»

«Os bebés que nasçam em Boticas, a partir de 2009, vão ter direito a um apoio financeiro de 500 euros, uma iniciativa hoje anunciada pela autarquia no âmbito de várias medidas para aumento da natalidade naquele concelho.

São cada vez mais as autarquias e juntas de freguesia, em Portugal, que atribuem apoios financeiros à natalidade, criando incentivos para o aumento da população, cada vez mais envelhecida.» (...)



quarta-feira, outubro 01, 2008

A confusão continua

O Governo continua a chamar "política de apoio às famílias" à distribuição de subsídios aos carenciados. Como se o facto de castigar e discriminar continuamente as famílias com filhos (no IRS, no custo da água para consumo, no Imposto sobre Imóveis, no Imposto Automóvel, no IVA ...) fosse uma questão a resolver distribuindo rebuçados...

O suicídio demográfico em que o país entrou não é uma trovoada, nem um terramoto, é apenas a consequencia previsível da falta da tal "política de família".

sexta-feira, setembro 26, 2008

A espécie humana em extinção?


Um dos eventos com maior impacto na história moderna está a desenrolar-se silenciosamente. Os sociólogos e os economistas estão de acordo: estamos a ir na direcção de um inverno demográfico que ameaça ter consequências sociais e económicas catastróficas. Os efeitos serão severos e duradouros e estão já a manifestar-se em grande parte da Europa.
...
Seminário

Auditório Novo da Assembleia da República

27 de Setembro de 2008
das 10:00 h às 18:00 horas

Entrada Livre

quarta-feira, setembro 24, 2008

Tal como previsto

«Estatística alarmante de 2007.
Mortes superaram nascimentos»

(Expresso, 23 de Setembro de 2008)



«Em Portugal, o panorama assustador não se verificava há 90 anos. Os especialistas chamam-lhe a "revolução demográfica", uma nova era da humanidade, onde os mais velhos tendem a ser uma maioria.»"
(...)
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«Tanto para as nações, como para os indivíduos, não ter filhos traz muitas vantagens, pelo menos, até se envelhecer». (...) « Contudo, com o tempo, chega-se a um envelhecimento da população em geral que traz novos problemas.» (...) há, cada vez menos activos para sustentar cada vez mais velhos, o que está a afectar a Segurança Social e as próprias famílias. «Se uma pessoa não tem irmãos, como acontece cada vez com mais frequência em grande parte do mundo actual, não terá ninguém que partilhe com ele o encargo de cuidar dos pais quando forem mais velhos».» (Phillip Longman, demógrafo e investigador,The Empty Cradle)
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As politicas de controle de natalidade e a chantagem fiscal sobre as famílias com filhos são um caso de "sucesso". Curiosamente, os mesmos que criaram a situação, queixam-se dela, como se não tivessem nada a ver com o assunto.


Ainda não vi as manifestações de protesto ...


«O Ministério francês da Saúde alertou terça-feira para o facto de um médico que trabalhava em quatro clínicas de Barcelona (TBC, EMECE, Fundação Morin e Ginemedex) poder ter contagiado com o vírus da sida algumas das 700 a 800 francesas que abortaram naqueles estabelecimentos de saúde. As autoridades sanitárias francesas aconselham as mulheres que abortaram nas referidas clínicas até Novembro a que contactem o seu médico e façam um teste para confirmar ou não o contágio.»
(noticia Ag. Lusa)

segunda-feira, setembro 22, 2008

Para que serve o Ministério da Educação e para que existe a Ministra?

"Associações de pais querem saber «para que servem e porque existem os exames»
As duas principais estruturas representativas dos pais defenderam hoje a necessidade de um debate urgente na sociedade portuguesa sobre o papel dos exames nacionais que responda a uma única questão: «Para que servem e porque existem?»" (No Sol)

E ainda ...

"
Afirma ministra da Educação
Passar todos os alunos do nono ano é objectivo do Governo
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje, em Lousada, que um dos objectivos da sua equipa é alcançar nos próximos anos 100 por cento de aprovações no final do nono ano de escolaridade" (Idem, Sol)

...

Bons pretextos para ir respirar ar até à Conferência promovida pelo Forum para A Liberdade de Educação, com a presença do Ministro inglês da Educação e de Guilherme Oliveira Martins

quarta-feira, setembro 17, 2008

Mulheres mais desprotegidas com nova lei do divórcio


No Expresso de 17 Set

«A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas considera que a nova lei do divórcio deixa desprotegidas as mulheres vítimas de violência doméstica, por não prever "expressamente" que aquele crime seja causa de divórcio "sem o consentimento do outro cônjuge".»

(...)


«Na opinião da associação, um sistema que suprima o divórcio litigioso por violação culposa dos deveres conjugais "não pode deixar de prever expressamente a violência doméstica contra as mulheres e os maus-tratos às crianças, como causas de divórcio sem o consentimento do outro cônjuge". "Caso contrário, a lei está a contribuir para a invisibilidade do fenómeno da violência e para a perpetuação da discriminação das mulheres e das crianças, continuando o Código Civil a reflectir a concepção tradicional de família como santuário e a imunidade do agressor", explica.»
(...)

domingo, julho 13, 2008

violencia

(...)
Matilde Sousa Franco, deputada independente da bancada parlamentar do PS, foi esta manhã a Braga, à Universidade do Minho, na 1ª Convenção Nacional da Família, inciativa conjunta de várias ONG's (In Familia, Associação Famílias, Assoc. Portuguesa de Famílias Numerosas, Federação Portuguesa pela Vida) bem como de instituições da área da formação empresarial (AESE, IESE, ACEGE).

Alertou para os perigos da nova legislação que vai regulamentar os divórcios.


A deputada prevê uma desagregação social um aumento da violência, à semelhança do que aconteceu nos Estados Unidos e no Reino Unido.

“É evidente que vai haver mais divórcios e uma desagregação social gravíssima, bem como um aumento da violência”, explica.» (...)


terça-feira, julho 08, 2008

O estado confessional


Do Estado confessional à Igreja estatal

(em Aceprensa)
«Por fim os homossexuais podem casar-se pela Igreja! Pela Igreja luterana da Noruega, para sermos mais precisos. Não é que esta Igreja tenha tomado tal decisão. Foi o Parlamento que acaba de aprovar uma lei de casamentos gays, que os equipara em tudo com os casamentos entre homem e mulher.

Mas como a Noruega, tal como outros países nórdicos, têm uma Igreja estatal, a Igreja Nacional da Noruega vê-se obrigada a oficiar as bodas gays.

De onde se deduz que o caminho mais directo para que os gays possam casar-se na igreja é que não haja separação entre a Igreja e o Estado.»
O Estado confessional, em que os poderes civis ficam submetidos aos ensinamentos da Igreja, foi enterrado há tempos, com o beneplácito da Igreja. A laicidade que se seguiu não é um problema para os grupos religiosos, sempre que se respeite a liberdade religiosa dos cidadãos.
Mas algumas tendências actuais, no fundo, não desejam uma verdadeira autonomia da Igreja e do Estado, mas sim que as actividades sociais da Igreja se submetam aos novos critérios do Estado, sob pena de desaparecerem da esfera pública.

É outro modo de tentar encerrar a religião nos templos e de a privar da influência social. Os exemplos são abundantes (...)

sexta-feira, julho 04, 2008

Promessas


Promessas fiscais de José Sócrates para as famílias terão efeitos marginais
Publico, 04.07.2008 - 08h40


As promessas do primeiro-ministro de aumentar as deduções fiscais relativas a despesas com habitação e de reduzir as taxas de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) deverão ter um resultado nulo ou pouco significativo nos bolsos dos contribuintes.

Na entrevista à RTP, José Sócrates fez declarações vagas sobre as medidas e ontem o seu gabinete insistia que os detalhes só seriam apresentados no próximo dia 10, durante o debate do Estado da Nação. Sócrates insistiu ainda que quer que estas medidas se façam sentir em 2008, algo que só é possível se a legislação for alterada de forma a entrar em vigor ainda este ano, e acentuou que pretende beneficiar os "escalões mais baixos" e "as famílias mais carenciadas".

As estatísticas de IRS de 2006 e a própria lei permitem verificar, no entanto, que o aumento não terá resultados significativos, uma vez que, em média, as famílias com rendimentos mais baixos já não pagam IRS. (...)

terça-feira, julho 01, 2008

Sem família não há economia


«As pessoas não são a nossa maior carga. São o melhor activo, a fonte de tudo o que promove o progresso humano: sonho, intuição, perseverança, engenho, imaginação, liderança, amor. Com menos seres humanos, haveria menos bocas para alimentar, mas também menos empreendedores, menos inovadores, menos soluções. O que mais deve preocupar não é o aumento da população, mas o decréscimo em que estamos.» (Jacoby)

«Em toda a história, o decréscimo de população nunca trouxe prosperidade económica . Mas o despovoamento, gostemos ou não, está aí, ao virar da esquina.» (Phillip Longman).

«O baby-boom foi despoletador de crescimento económico.» (Gary Becker)

sábado, maio 31, 2008

o dia em que os filhos nascem


«O Guilherme nasceu há dez dias no Hospital de Santa Maria. É o meu terceiro filho. Graças a ele, fiquei a fazer parte de uma elite cada vez mais elitista: só uma em 20 famílias portuguesas tem três filhos ou mais.» (João Miguel Tavares, jornalista, Diário de Notícias, 11.03.2008)

«Portanto, a partir de agora, podem esperar textos sobre os escalões de IRS para famílias numerosas (uma infâmia), a escassez do Estado no ensino pré-escolar (uma vergonha) e a ausência de apoios à maternidade (um escândalo). Sabem como é: cada um queixa-se onde lhe dói. Mas, no caldo político e social em que estamos mergulhados, a falta de atenção em relação às famílias é realmente extraordinária. E começa no dia um - o dia em que os nossos filhos nascem. Não me interpretem mal. As maternidades de Lisboa estão cheias de médicos que sabem o que estão a fazer, o parto correu muito bem, o bebé nasceu fresquíssimo e dois dias depois a minha mulher já estava em casa. Só que toda a competência técnica revela, ao mesmo tempo, uma enorme escassez do factor H - aquele pingo de humanidade que faz a diferença entre o parto ser um obstáculo a ultrapassar ou uma experiência a recordar. Em Portugal, é um obstáculo. Uma operação cirúrgica assim como se fosse uma apendicite. Aliás, desconfio que a única coisa que neste país distingue uma maternidade de um hospital é não se enviar para incineração aquilo que se extrai da barriga. Juro que não sou picuinhas. Quando se chega ao terceiro filho já se exibem orgulhosamente as feridas de guerra. Mas continuo sem perceber porque é que os pais são tratados como um empecilho que é preciso aturar: assinam papéis para aceitarem ser escorraçados da sala de partos mesmo quando não chegam a entrar nela (não podem assistir às cesarianas); têm de ameaçar imolar-se à porta de entrada só para saberem se a mulher que desapareceu há duas horas já levou a epidural; são informados do nascimento via fax (a sério) uma hora depois de o bebé ter efectivamente nascido; só podem ir ter com a mãe e com o filho à enfermaria a partir da uma da tarde e são tratados como qualquer visita; enxotam-nos para fora do quarto sempre que uma enfermeira entra para medir a tensão, mudar o soro ou enfiar mais uma cama; e nem sequer ao refeitório têm autorização de acompanhar a mulher, com medo, sabe-se lá, que acabem a roubar a sopa das outras parturientes. Tudo isto é um absurdo em pleno século XXI. Quando por toda a Europa se procura transformar o parto num acto íntimo e familiar, por cá as crianças continuam a nascer imersas em éter e num profissionalismo frio como a lâmina de um bisturi. O País não é grande coisa, é certo, mas ao menos podia receber os seus filhos com alguma alegria.»

sexta-feira, maio 30, 2008

"Direitos" humanos, na China



«A política chinesa do filho único é uma afronta humana!
A regra manda que cada casal só pode ter um filho. Se tiverem mais do que um, ou pagam uma multa incomportável, ou os escondem (e ficam ilegais), ou, então, matam-nos (o aborto é possível até ao fim da gravidez).

Pois agora, por causa do terramoto, o governo Chinês veio ironicamente suspender essa política para as famílias de Sichuan. Então, quem quiser ter outro filho pode “solicitar um certificado”, quem perdeu um filho ilegal, já não paga multa e quem perdeu um filho legal e tinha um ilegal com menos de 18 anos poderá legalizá-lo. Além disso, em Sichuan, pode-se, temporariamente, adoptar crianças órfãs sem limite.

É que, como o terramoto causou 68 mil mortos e deixou quatro mil órfãos, é preciso repor os stocks e arrumar os excedentes…
Até parece que estamos a falar de um armazém ou de produção de gado… Mas, infelizmente, estamos a falar de pessoas e não de números.
É pena que, nem sequer diante de uma tragédia desta dimensão, o governo chinês não perceba que não é o senhor da vida.»
(RR on-line, Aura Miguel)