quarta-feira, setembro 20, 2006

Feminismo em discussão


Seminário, em Braga, na Casa do Professor, com a presença da Presidente da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM) Drª Elsa Pais, Drª Zita Seabra e Professor Dr. João César das Neves, sob o tema ?Rumo Feminino?.

As inscrições são obrigatórias e a entrada gratuita. Programa aqui.







sexta-feira, setembro 01, 2006

TVer ou não

No portal do Instituto do Consumidor:

«Associação portuguesa de espectadores de televisão

Quando o senhor do telecomando perde o seu domínio

A programação televisiva desceu, nos últimos tempos, a níveis impensáveis. O tele-lixo é uma evidência diária, abundantemente servida sob a forma de novelas, concursos e outros sub-produtos. "o Consumidor" pediu uma opinião sobre a matéria à Associação Portuguesa de Espectadores de Televisão.


O telespectador "manipulado"

A televisão está na berra. Discutimos muito os seus programas e, na maioria dos casos, a conclusão é desfavorável. Escassez de qualidade de muitas emissões e de programas culturais, "telelixo" cada vez mais abundante. Os canais televisivos estão virados para o jogo das audiências, e aí sucede que a quantidade é confundida com a qualidade. Mas devia ter-se em atenção que o próprio telespectador, "vítima" deste drama é, sem dúvida nenhuma, muito responsável por ele, pois não usa os meios de que dispõe para dominar, em parte, a situação que critica.


[...]

Audiência e qualidade

Surgem críticas aos sistemas de medição das audiências, sobre a sua credibilidade, ou antes, sobre a credibilidade merecida pela amostra escolhida para representar o "universo" dos telespectadores. Embora os dados de audimetria sejam de difícil compreensão pelo grande público, os especialistas de marketing fazem com que quantidade se confunda com qualidade. E assim se considera, que os programas são bons em função da aceitação pelo público. A multiplicidade de canais temáticos, por onde escolher, alterou as coisas. O comando a distância é um instrumento que, nascido para comodidade do espectador, se transformou num meio de seleccionar.

O espectador intermitente

A utilização do telecomando, às ordens do espectador comandante, criou, claramente, a maneira de ver e actuar sobre a programação. A multiplicidade de canais provocou um primeiro fraccionamento da audiência e, é de prever que, se o bem de consumo cresce, é, também, mais indiscriminado. Daqui surge um telespectador nervoso e insatisfeito, como um retrato "robot" que representa uma pessoa a iniciar, sem fazer uma programação criteriosa, a sua visão televisiva e que, insatisfeito, procura um novo canal quando surge o tempo de publicidade, ou quando já não lhe agrada o programa escolhido. E, com isto, surge uma ocupação de horas na visão de "retalhos" dos programas mais diversos. Esta instabilidade só leva a um estado de cansaço ou de aborrecimento.
É de notar que, um procedimento como este, é mais perigoso nas crianças. Nelas, o resultado desta mudança contínua dos programas transforma-se num vício de procura daqueles que mais lhes agradam, embora possam ser inconvenientes para a sua mentalidade ou moral. A contra-programação, que provoca uma falta de rigor no anúncio dos programas, levou a secção da imprensa a perder muito da sua credibilidade. E, assim, o telespectador prefere, especialmente no horário nobre ("prime time") fazer uma rápida passagem pelos canais e então escolher. Isto não acontece tanto, quando decide ver televisão noutro horário diferente do da noite. Então, é, de facto, mais selectivo e supõe ir ver o que quer, embora desiludido possa, também, mudar de canal, em vez de desligar ou dedicar-se a outra actividade, uma vez que, com frequência, incluem, numa qualquer ocasião, cenas de programas a que não desejaria assistir.

Fascínio ou falta de critério?

O espectador, por estas razões, é levado a este consumo indiscriminado de programas, pois a televisão, como tal, é uma tentação para pessoas pouco ocupadas ou com tendência para deixar passar o tempo a vê-la: são os espectadores passivos, capazes de "consumir" mais do que ver televisão. Ganham modos de falar e de comportamento mais próximos do modelo televisivo do que da realidade. Este espectador, manipulado ou forçado, transforma-se num consumidor indiscriminado de televisão, sem critério e sem espírito crítico. Este espectador, apanhado por uma visão feita de retalhos de televisão, com grande dificuldade escapará à sedução da face consumista da televisão. Não é novidade que a televisão é, além de outras coisas, um supermercado e uma escola de formas de vida. E cada vez mais!

Saber escolher

As televisões nem sempre são culpadas de todos os males. O saber escolher, o saber aquilo que se deve ou não ver, constitui uma obrigação da pessoa como espectador de televisão.
A racionalização do tempo de lazer é um bom caminho para não cair na armadilha que leva as pessoas a converterem-se em consumidores manipulados ou forçados da televisão.
Temos de nos consciencializar de que está nas nossas mãos, muitas vezes, a solução para tantas críticas feitas pelos "especialistas" ao instrumento televisivo, as quais, embora devendo existir, deveriam ter início numa auto-crítica de cada um, como telespectador.

Adaptação de um artigo de

José Angel Cortés, jornalista,
professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de
Navarra e especialista em programação
televisiva, publicado em ACEPRENSA)»

quinta-feira, agosto 31, 2006

A Casa Fantasma (Monster House)


Um filme juvenil, com o traço inconfundível de Spielberg e Zemeckis, divertido, carregado de efeitos digitais (semelhantes aos de Polar Express), com um rtimo de thriller, mas adpatado ao seu público.

Em Portugal chama-se
A Casa Fantasma.

Director: Gil Kenan. Guião: Dan Harmon, Rob Schrab, Pamela Pettler. Vozes de : Steve Buscemi, Maggie Gyllenhaal, Mitchel Musso, Sam Lerner, Spencer Locke. Animação. 90 min. Class: Para todos.
Segundo a
produtora, o filme estreará em Portugal, nestes locais, conforme o Público.

terça-feira, agosto 08, 2006

Fatal como os incêndios


Acaba de sair no Diário da República (Decreto-Lei 155/2006 ) a criação da CPPF (Comissão para a Promoção de Políticas de Família), e do CCF (Conselho Consultivo das Famílias).

Também foram divulgados os números de nascimentos, pelo INE (Instituto Nacional de Estatística). "Estatística", é um termo que tem a sua origem na palavra "estado". Os estados precisavam de saber com que linhas se cosiam, isto é, com quantos cidadãos contavam. Mas o nosso Estado ficou preguiçoso, e pouco esperto, e esqueceu-se disto. Por isso estamos neste estado, que é um lindo estado!

No ano de 2005 o número de cidadãos portugueses que nasceu continuou abaixo da linha de água. Isto é, continuamos sem atingir aquele mínimo de 110 mil bebés / ano que nos poupariam à bancarrota da Segurança Social, ao encerramento de escolas e maternidades, à desertificação do interior, à rotura social em relação aos idosos, etc., e coisa, e tal.

Acontece que neste nosso simpático canto português, o INE (ler [Íne] que soa mais de acordo com o aspecto) cometeu um EnOrMe erro de previsão (erro ou Ínedade?), erro mais uma vez confirmado por ele próprio com estes números. (É por isso que é um Íne; os Ínes como sabem não são imputáveis).

Este Ínerro permitiu que o
Relatório de Sustentabilidade da Segurança Social fosse feito com bases em valores irreais (Íneais), o que vem facilitar o já visível descalabro da Segurança Social.

Estamos em défice de natalidade desde, pelo menos, 1982. Até agora o que se tem feito é ir queimando as famílias, sobretudo através de um regime fiscal discriminatório que os penaliza por terem filhos. Os tais filhos de que o país precisa para progredir e equilibrar o seu edifício social.


Pior que baratas tontas.

Aguarda-se pois que estas instituições comecem a funcionar e nos digam que estratégias têm para permitir que as famílias e os casais possam, finalmente, optar por ter os filhos que entendem, sem serem castigados por isso.

terça-feira, julho 25, 2006

A saga das fraldas (um épico europeu)



Comunicado da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

«Foi com uma enorme alegria que no passado dia 20 de Julho, dia do início do III Congresso Europeu de Famílias Numerosas, todas as associações europeias reunidas em Gyor, Hungria, foram pessoalmente notificadas pelo gabinete do Presidente da Comissão Europeia de que está em vias de solução satisfatória a questão do IVA das fraldas para bebés, conforme comunicado de imprensa desse gabinete que se anexa.
Recorda-se que se trata de uma velha reivindicação da APFN: como é que se explica que as fraldas para bebés pagassem IVA à taxa normal, quando as fraldas para idosos pagavam IVA reduzido?
A "brilhante" explicação que nos era dada é que as fraldas dos idosos tinham IVA reduzido porque eram "incontinentes", ao que a APFN perguntava se os ilustres legisladores não sabiam que os bebés e crianças usam fraldas precisamente pelo mesmo motivo. Questionámos, mesmo, se era necessário os pais apresentarem um atestado médico para o provarem...
Só ao fim de vários anos de pressão junto dos inúmeros Ministros das Finanças que o país tem tido (sem dúvida um cargo de desgaste ainda mais rápido do que dos Governos) é que, finalmente, durante o curtíssimo mandato do Dr. Bagão Félix, esta medida foi adoptada, acabando-se, em Portugal, com esta idiota medida discriminatória em função da idade.
Infelizmente, atentos burocratas europeus imediatamente se insurgiram contra a redução do IVA das fraldas dos bebés, pressionando o Governo português, assim como os países em que tal acontecia (República Checa, Hungria, Malta e Polónia) a aumentarem o IVA para a taxa normal.
Para a necessária pressão junto das autoridades europeias, foi preponderante a acção da recém criada ELFAC - European Large Families Confederation, que encontrou a total compreensão por parte do Presidente da Comissão Europeia, Dr. José Barroso, do Comissário Europeu dos Assuntos Sociais, Dr. Spidla e do Intergrupo da Família e da protecção da Infância, principalmente nas pessoas da sua Presidente, Dra. Marie Panayotopoulos-Cassiotou, e Vice-Presidente, Dr. José Ribeiro e Castro, a quem testemunha os seus agradecimentos.
A defesa intransigente desta medida fez com que a redução do IVA das fraldas para bebés portugueses venha a ser alargada a todos os países da Comunidade Europeia.
A APFN, em união com as associações de famílias numerosas europeias, continuará a fazer pressão para que todas as medidas discriminatórias contra as famílias numerosas terminem rapidamente em todos os Estados membros.

25 de Julho de 2006»




"No comments", quem fala assim não tem problemas de comunicação...

Mas é espantoso que por umas simples fraldas para bebés (que tanta falta fazem na UE) seja preciso tanto esforço.

Isto de ser família é cada vez mais para fuzileiros (na alma, pelo menos).




segunda-feira, junho 19, 2006

França ensaia discriminação positiva nas escolas superiores



A École Libre des Sciences Politiques ensaia a admissão de alunos provenientes de áreas socialmente problemáticas.
As escolas secundárias das chamadas
zonas de educação prioritárias (ZEP), podem enviar os seus melhores alunos para esta famosa escola - conhecida como Science-Po - onde se formou grande parte da elite política e empresarial francesa. Estes alunos não têm que utrapassar o duríssimo exame de admissão, mas são admitidos após a apresentação de um trabalho, seleccionado e avaliado pela escola superior, e através de uma entrevista.

No ano de arranque, em 2001, dos 17 alunos que entraram mediante este procedimento, 15 já completaram os seus estudos.
O plano é experimental, tem a duração de 10 anos, e está sujeito a umprocesso apertado de avaliação. Para os críticos, que viam nisto um risco de abaixamento da qualidade do ensino, ou de violação do princípio da igualdade tão caro aos franceses, o Director da escola - Richard Descoings - afirma que "estes alunos demonstraram que estavam em igualdade de condições intelectuais com os seus colegas".
Actualmente são 189 os alunos, nestas condições, que frequentam a Science-Po. Todos estão de acordo em que jamais lhes tinha passado pela cabeça estudar num centro de que só conheciam o nome e o prestígio. Mas também garantem que fazem um considerável esforço, não só académico, mas na aquisição das ferramentas sociais necessárias para singrar: como andar vestido, como falar, saber estruturar o pensamento, comer à mesa, etc.

Para já, não parece que esteja em preparação nenhum plano para generalizar o modelo, mas outras escolas já tentam replicar o procedimento. Na Conferência de 2005, que reune as chamadas "Grandes Écoles", foi preparada a "Carta para a Igualdade de Oportunidades". Algumas destas escolas superiores (como a ESSE) aproximaram-se das escolas secundárias, mediante um sistema de tutoria semanal, com o objectivo de preparar os melhores alunos para a futura admissão. Mesmo que alguns destes alunos não consigam ser admitidos nesta escola, estarão em melhores condições para entrarem em qualquer outra universidade.

O próprio poder político anunciou um plano nacional para aumentar o número de bolsas destinadas a alunos que se preparam para pedir a admissão na universidade. Actualmente são 18% dos alunos, sendo que o objectivo é subir para 1/3. O debate sobre a escola e os modelos de escola continua, mas a França começa a pôr em causa o modelo igualitário, pela via dos maus resultados obtidos.

terça-feira, abril 11, 2006

Até as fraldas!!!


O Comissário Europeu Laszlo Kovács tem mostrado vontade de aumentar o IVA das fraldas para bebés.
Esta medida, além de discriminatória, porque penaliza em função da idade, está em contradição com as recomendações da Comissão Europeia no sentido de reduzir o défice de natalidade na Europa.
Até agora, apenas o eurodeputado português, José Ribeiro e Castro, do P. Popular Europeu, manifestou a sua oposição.
De facto, não só é necessário não continuar a esmagar o dia-a-dia das famílias europeias, como exigir que sejam reduzidas as taxas de IVA para TODOS os produtos e serviços destinados a crianças, a fim de aliviar fiscalmente as (cada vez menos) famílias que ainda vão tendo filhos.
A ELFAC - Confederação Europeia das Famílias Numerosas - já enviou o seu protesto ao Presidente da Comissão, Dr. José Barroso, e à Presidente do Intergrupo da Família e da Protecção da Infância, Sr.a Marie Panayotopoulos-Cassiotou.

segunda-feira, abril 03, 2006

São surdos (ou quê?)


A OCDE não devia surpreender-se: bastava telefonar a qualquer casal português com filhos!...
Mas os nossos líderes são surdos e recusam-se a ver a realidade ... Castigam as famílias com filhos, impedem os casais de terem os filhos que desejam, e depois queixam-se do afundamento do "Estado Social" (será que sabem o que isso é?).
Se alguém lhes quiser fazer um favor, envia-lhes o endereço deste blog. Não é pelo blog, é pelos links dos posts - está lá tudo o que deviam saber sobre demografia, família e sustentabilidade do Estado Social.

sábado, março 11, 2006

Mulheres em cargos de direcção


Na vizinha Espanha, dentro das empresas cotadas em bolsa que contribuem para o índice Ibex, só cerca de 3,5% dos Conselhos de Adminsitração têm mulheres. Na Noruega, por exemplo, este número é de 16%. Mesmo assim, não parece que esta percentagem reflicta o número de mulheres na sociedade do trabalho. Então deveremos impor quotas de mulheres às empresas?
Olhando mais de perto a questão, será que o problema é um preconceito em relação às mulheres, ou em relação à maternidade?
Numa sociedade que valoriza tão somente a produtividade imediata, ganha quem tem tempo disponível, quem não tem laços familiares, nem parentes a cargo...
A questão é, onde nos leva isto? A um mundo de discrminação feroz...

Mais do que igualdade, precisamos de equidade - empresas familarmente responsáveis, com políticas de parentalidade claras (idênticas para pais e mães ...), com regras, orçamentos e objectivos em torno da conciliação entre trabalho e família.
E, claro, governos que apoiem estas empresas.



sexta-feira, fevereiro 17, 2006

"Não compete à medicina fazer filhos sem pai"

São palavras da presidente da comissão parlamentar francesa encarregada de propor melhorias ao Direito de Família e à Protecção de Menores. Esta mulher, Valerie Pecresse, encabeça uma comissão que promoveu mais de uma centena e meia de audições, com peritos, grupos de interesse, associações etc.

No que toca a adopções, a maioria dos membros da comissão inclina-se pela sua reserva aos pares casados, porque garantem mais estabilidade. Na mesma linha, recusam as "barrigas de aluguer", e reservam a fecundação artificial aos casais de homem e mulher com relações estáveis. A filosofia da recomendação é considerar que esta é uma técnica para tentar ultrapassar problemas médicos, e não um recurso para satisfazer um putativo "direito" ao filho.

A comissão descarta a possibilidade de pares adoptantes do mesmo sexo, bem como do casamento homossexual: "não estamos aqui para satisfazer as reivindicações dos adultos. O foco das nossas propostas é o interesse das crianças".
"Não antevemos senão duas posições coerentes: ou se autoriza o casamento, e então a adopção está consequentemente favorecida; ou não se autoriza a adopção, e portanto, coerentemente, não se autoriza o casamento."

"A legislação não é obrigada a sustentar uma reivindicação que está afastada da realidade biológica, e que não é conforme à verdade da concepção daquela criança."

Em Portugal a discussão pública poderá eventualmente surgir se os cidadãos quiserem

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

MOVEndo mais



Comunicado do MOVE

Na semana passada, os Ministérios da Educação e da Saúde assinaram um protocolo, ?tendo em vista o desenvolvimento de actividades de promoção da educação para a saúde em meio escolar?. A comunicação social aproveitou os pormenores mais chocantes (já constantes da lei 120/99) e Portugal foi bombardeado com as seguintes notícias: distribuição gratuita de preservativos nas escolas e criação de gabinetes de atendimento em estabelecimentos de ensino secundário (do 10º ao 12º ano). O novo modelo terá por objectivos principais a diminuição de gravidezes na adolescência e das doenças sexualmente transmissíveis (DST).

É com grande preocupação que o MOVE recorda que o Ministério da Educação optou por "guardar numa gaveta" o parecer elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), orgão representativo das várias entidades que agem na nossa sociedade em torno da educação, decidindo dar "carta branca" ao Grupo de Trabalho do Prof Daniel Sampaio (GTES), grupo marcadamente parcial.

Quanto à distribuição gratuita de preservativos:

  • Como já afirmámos, trata-se de uma medida contemplada na lei sobre a ES nas escolas (lei 120/99), uma lei cuja revogação o MOVE exige desde o princípio. Além disso, a implementação depende, de acordo com a lei, de uma "decisão dos orgãos directivos ouvidas as respectivas associações de pais e alunos". Existem avaliações internacionais de acções semelhantes, concluindo que a distribuição de preservativos não é eficiente na diminuição de gravidez adolescente e de DSTs. Pelo contrário, esses estudos registaram um aumento do número de jovens sexualmente activos após estas acções.
  • O MOVE alerta para o facto de as crianças e jovens portugueses não poderem ser utilizados em experiências sociais, especialmente quando já existem avaliações negativas de experiências semelhantes.

Quanto à criação de gabinetes de apoio no ensino secundário:

  • Até agora, estes gabinetes de apoio têm sido propostos como uma alternativa aos Pais no aconselhamento sobre questões de sexualidade a prestar aos jovens, afastando os próprios Pais. Mais uma vez, informamos que existem estudos que concluem ser fundamental a participação activa dos pais no desenvolvimento afectivo-sexual dos seus filhos.
  • Nas medidas agora propostas defende-se que os jovens a partir dos 15 anos iniciam um processo de autonomização ao qual é preciso dar resposta. O MOVE não compreende como é que se considera que um jovem dessa idade tem capacidade e maturidade para tomar decisões sobre a sua vida sexual, quando tem que pedir aos Pais ou Encarregados de Educação que lhe assinem a justificação de uma falta dada na escola. Faltar a uma aula é tão importante que tem que ser do conhecimento dos Pais, mas decidir se começa a ter vida sexual activa ou que tipo de contraceptivo usar é uma decisão na qual os Pais não têm nada a dizer!
  • Como é que se pode considerar que um professor, um técnico de saúde ou um aluno universitário têm mais capacidade que os Pais para ouvir os nossos filhos (a partir dos 15 anos) e fazer-lhes uma proposta a curto, médio e longo prazo que vise a sua realização como pessoa?

Assistimos também a um forte apoio destas medidas por parte da direcção da Confap. O presidente da Confap, Dr. Albino Almeida, consegue estar uma hora na televisão a justificar a eficácia destas medidas por causa dos seus "orfãos de pais vivos?. Terá este senhor uma ideia muito deturpada da realidade portuguesa, quando consegue defender medidas de ataque às famílias portuguesas em prol dum grupo felizmente minoritário.

Não deixa de ser curioso ver o presidente da Confederação das Associações de Pais a defender medidas de afastamento desses mesmos Pais! O MOVE propõe que o Dr. Albino Almeida se dedique antes a ler mais, a estudar mais e a ouvir mais, de modo a resolver os problemas dos "orfãos de pais vivos" sem estragar os filhos de todos os outros pais.

O MOVE relembra os orgãos de comunicação social que se referem à CONFAP como "os pais" de que incorrem numa grande mentira: existem milhares de Pais portugueses, representados pela nossa petição, que não reconhecem qualquer representatividade à CONFAP!

O MOVE não pode deixar de alertar os Pais portugueses para uma realidade: nenhuma confederação nem nenhuma associação de Pais estão mandatadas para decidir sobre o tipo de educação que queremos para os nossos filhos. Os Pais têm que dirigir-se às escolas dos seus filhos e manter-se a par de tudo o que for decidido sobre a Educação Sexual, colaborando sempre que considerarem necessário e dizendo não sempre que tal se justifique. Só assim se conseguirá assegurar uma relação Escola-Pais que promova o bem-estar dos seus alunos e filhos. Neste momento, sabemos estarem prontas ou já terem sido enviadas para escolas, propostas de modelos de Educação para a saúde cuja orientação em muito se assemelha à dos manuais e modelos denunciados em Maio de 2005, na sua maioria elaborados e implementados pela Associação para o Planeamento Familiar (APF), com o apoio da CONFAP.

O MOVE apela à Sra Ministra da Educação e ao GTES que, em vez de lançarem medidas avulsas, se dediquem a:

  • analisar estudos internacionais que contemplam experiências e acções, já efectuadas e avaliadas, com objectivos semelhantes aos que agora se anunciam, retirando daí conclusões honestas e importantes para a definição de quaisquer modelos que venham a propôr às famílias portuguesas, Pais e Filhos
  • propôr parâmetros gerais de estruturação de modelos/planos de trabalho a aplicar nas escolas
  • favorecer o papel dos Pais e Encarregados de Educação na elaboração dos referidos modelos, atribuindo prazos realistas para a sua intervenção
  • explicitar os critérios de monitorização dos referidos modelos
  • garantir o direito de cada pai escolher o que considera mais adequado para o seu filho.

Se está mandatado para esse efeito, é fundamental que o GTES proponha os objectivos e estrutura do modelo de Educação para a saúde, bem como os critérios de avaliação a serem aplicados. Não se efectua um trabalho sério ?às escuras?.

O MOVE reafirma as suas reivindicações fundamentais:

  1. Liberdade de escolha para os pais e consequente fim da interdisciplinaridade. Apelamos ao Presidente da República, garante da Constituição, para que seja respeitado o direito de as crianças e jovens serem educadas pelos seus pais (e não nas suas costas)
  2. Fundamentação sólida do quadro técnico-científico em que se baseiam as propostas de educação sexual das escolas.
  3. Existência de mecanismos de avaliação dos efeitos de cada uma das intervenções.

O DIREITO DE ESCOLHA SOBRE A EDUCAÇÃO DOS FILHOS CABE AOS PAIS!
Lisboa, 13 de Fevereiro de 2006


quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Movimento de Pais (MOVE) - Educação Sexual e Saúde Reprodutiva

COMUNICADO

1. Na passada 5ª feira, dia 2 de Fevereiro, o Ministério da Educação, através do Grupo de Trabalho para a Educação Sexual (GTES), publicou na sua página web um edital, informando que "os Agrupamentos/Escolas interessados em ser apoiados na concretização dos Programas/Projectos sobre Educação para a Saúde" deverão apresentar, em duas semanas, um plano de trabalho.

O Plano de Trabalho deve:

· Indicar um professor coordenador/responsável

· Concretizar as várias temáticas da educação para a promoção da saúde nos planos curriculares (disciplinares e não disciplinares), devidamente integradas no Projecto Educativo de Escola.

· Prever os mecanismos de avaliação nos diferentes momentos do processo;

· Prever a articulação com os Centros de Saúde e/ou outras instituições/recursos comunitários;

· Prever a criação de um Gabinete de Atendimento (a partir do 10º ano).


Ainda segundo o Edital, cada Escola deverá fazer este Plano em articulação com as famílias dos seus alunos, no prazo de duas semanas.


2. O MOVE

· entende que esta iniciativa poderá formalizar a liberdade de escolha que tem vindo a defender;

· por essa razão, alerta Pais e Escolas para a urgência de trabalharem com vista a apresentarem por Escola um ou mais projectos educativos de acordo com as diferentes sensibilidades e opiniões existentes.


3. Contudo o MOVE não pode deixar de estranhar que

· para a elaboração por parte da Escola e dos Pais de um plano de trabalho tão extenso, seja dado um prazo de apenas duas semanas!

· não sejam indicados os critérios de análise e de apoio dos vários Projectos!

Algumas das condições necessárias para que qualquer projecto possa ser bem elaborado são: parâmetros e critérios de avaliação bem definidos a priori e prazos realistas. Alertamos o GTES para o facto de tais condições não estarem a ser aqui garantidas.


4. Relembramos que:

* o despacho da Sra Ministra, que mandata o GTES, reafirma a autonomia das escolas na definição, planificação e concretização do projecto educativo

* na audiência que o MOVE teve com a Sra Ministra, foi garantido um total respeito pelos projectos apresentados, salvo se se provassem inadequados para atingir os objectivos pré-estabelecidos.

Aos Pais, alertamos, mais um vez, para que indaguem junto das escolas dos vossos filhos se está ou não a ser elaborado um Plano de Trabalho a apresentar, garantindo a articulação imprescindível com os Pais e Encarregados de Educação.

9 de Fevereiro de 2006,
Pelo MOVE - Movimento de Pais

Ana Líbano Monteiro
Isabel Carmo Pedro

Tel: 934 600 075, http://www.move.com.pt

terça-feira, janeiro 24, 2006

Desvantagens na escolarização precoce



Estudo da Universidade de Berkeley alerta para as desvantagens da entrada precoce no sistema de ensino

A escolarização infantil permite desenvolver melhor as capacidades cognitivas, mas em contrapartida os problemas de comportamento parecem aumentar, mesmo em famílias consideradas estáveis. Um estudo em 14 mil crianças, do ensino pré-escolar, realizado pela Universidade de Berkeley, nos EUA, chama a atenção para o risco da aplicação cega da escolarização precoce. "Influência da escolarização infantil no desenvolvimento das crianças: quanto é demais?" (
The Influence of Preschool Centers on Children's Development Nationwide - How Much is Too Much?)
Da autoria do Professor
Bruce Fuller, o estudo fala da "supressão do desenvolvimento social e emocional" como consequência da escolarização precoce.

Enquanto as competências para ler, ou realizar operações matemáticas, aumentam com a escolarização iniciada pelos 2 a 3 anos de idade, o desenvolvimento social e emocional pioram tanto mais, quanto mais cedo se inicia a escola. A questãol evantada pelo estudo é a de que não é possível continuar a pensar na escolarização precoce apenas como algo desejável, porque os "efeitos secundários" são de ponderar. Por outro lado, verifica-se neste trabalho, que o fosso de desenvolvimento entre crianças oriundas de famílias com grande disparidade económica e social, não se estreitou.

Texto completo aqui.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

3 em cada 10 alunos espanhóis abandonam a escola


Entre 28 a 34% dos alunos do ensino básico não obtêm o título de conclusão do ensino obrigatório. Na UE só Portugal e Malta têm taxas de insucesso superiores.
São os resultados do estudo "Sistemas educativos europeus: crise ou transformação?": «existe uma escola de mínimos para o conjunto da população, mas estamos muito longe de ter uma escola de óptimos».
Enquanto na maioria dos países europeus 50 a 75% das pessoas, entre os 25 e os 65 anos, atingem o nível secundário, em Espanha não passam dos 40%.
Isto vem na sequência de outros estudos internacionais, como o PISA, em que em matemática 70% dos alunos de 15 anos têm resultados muito baixos. Se formos para os resultados bons, ou excelentes, só 8% dos alunos espanhóis os atingem, contra 14% da média da OCDE.
No topo dos bons resultados estão a Bélgica, a Holanda, a Finlândia e a Áustria.

Quando se trata de ler e entender «56% dos alunos não atingem os objectivos(...) e ficam em níveis equivalentes ao básico» e 21% têm competências tão precárias que «não conseguem utilizá-las, com o risco consequente de exclusão social».

O estudo conclui que o esforço financeiro desenvolvido não teve proporção nos resultados esperados e manifesta também preocupação pelos níveis de violência e conflitualidade nas escolas.
Em França, a presença da polícia nas escolas irá tornar-se permanente, e em Espanha, a questão está a ser equacionada, também no que se refere ao tráfico de droga nas escolas.

O relatório diz que se verifica que o êxito dos sistemas educativos se baseia na coesão social, nos sistemas de formação dos professores e no bom funcionamento dos centros escolares. Os melhores modelos são a Finlândia, a Holanda, a Bélgica e a Suécia; os piores, são Portugal, Grécia, Itália e Espanha.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

mulher, mãe e ministra

A Ministra da Família do novo governo alemão é médica e mãe de sete filhos.
Foi entrevistada pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (27-12-2005):

«- Uma ministra com sete filhos é considerado, na Alemanha, como uma provocação.

-
Para alguns, os muitos filhos que me foram dados são, efectivamente, uma provocação. Mas também há muitas pessoas que me dizem: "Que bom que haja ainda gente que vive esta experiência e, além disso, tenha um cargo político". Alguns comparam a sua situação, com a minha e afirmam: "Nós, com um ou dois filhos, também temos dificuldades".
A época mais difícil, para o meu marido e para mim, foram os começos da vida profissional como jovens médicos num hospital com urgencias nocturnas e diurnas. Tínhamos crianças pequenas que precisavam do nosso tempo e da nossa dedicação, e também a inexperiência de pais jovens, com ordenados modestos. Na altura, às vezes, sentía-me desesperada.


- Neste momento temos no governo quatro mulheres sem filhos, e a senhora, sozinha, tem a quota total das crianças. Não será isto um sinal de que é difícil conciliar a carreira profissional e os filhos?

- Temos um governo que reflecte a realidade da Alemanha. Em contraste com os outros países à nossa volta, não ter filhos, na Alemanha, não é considerado uma carência. Trata-se de uma febre cultural, gostava de deixar isto claro. Mas ao mesmo tempo, a renúncia aos filhos tornou-se na Alemanha um requisito para se ter uma carreira profissional brilhante. Isto é que constitui o verdadeiro drama.»
(...)





quarta-feira, janeiro 11, 2006

Ter razão nem sempre é agradável


Quase que me apetecia escrever: conforme previsto, o sr. Ministro das Finanças lá anunciou o que já se sabia, há muito tempo.

O Ministro das Finanças,
no programa "Prós e Contras", da RTP, declara publicamente a insustentabilidade da Segurança Social. Aqueles que têm denunciado a política de avestruz rica que se tem praticado no país, tinham razão. Uma avestruz rica, além de não querer ver, não faz contas, como se viu pelo Relatório anexo ao Orçamento de 2006, dando razão aos que têm protestado contra as desastrosas políticas familiares que o país tem vindo a ter nos últimos 30 anos, e a que este Governo tem dado continuidade.

O que se temia, agora começa a ser realidade: estão em causa os alicerces do "Estado social".


Não sei que diga! Somos tão... tão... (burros?!). Há quanto tempo andamos a enganar-nos? Hoje não me apetece escrever mais. *%z&"!!

sexta-feira, janeiro 06, 2006

A profecia das rãs

"Prophétie des grenouilles"

Realizador: Jacques-Rémy Girerd. Guião: Jacques-Rémy Girerd, Antoine Lanciaux, Iouri Tcherenkov. Desenhos animados. 90 min. Todos os públicos.

Ganhou o Urso de Crsital em 2004 no Festival de Berlim. É uma fábula bastante movimentada, a fazer lembrar o "Triunfo dos Porcos" de George Orwell. Faz parte de uma onda de renovação do cinema francês, iniciada com a saga "Kirikuru", do mesmo estúdio.

O Folimage é um estúdio criado nos anos 80 -conforme nos diz a MONSTRA - «por um grupo de jovens autores que queriam usar o cinema de animação como forma de expressão, intervenção e de arte. O estúdio tem pautado a sua acção pela grande fidelidade aos princípios da qualidade e da internacionalização, criando um programa de Residência, que proporciona a jovens autores de todo o mundo as condições para a realização do seu projecto pessoal.
Esta abertura tem valido ao estúdio um enorme reconhecimento e a realização de obras de arte da animação mundial, vencedores do Cartoon D'Or (óscar para os melhores filmes de animação europeus) e candidato aos Óscares.»

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Há 108,7 idosos por cada 100 jovens até aos 14 anos


Há muito tempo que é assim:

«Portugal tem quase 1,8 milhões de residentes com 65 ou mais anos de idade. Dos 10,5 milhões de habitantes estimados para 31 de Dezembro de 2004, quase 772 mil tinham mais de 75 anos, inclusive. O número de idosos tem vindo a aumentar e a prova é o aumento do índice de envelhecimento.» (...)

«
Daqui a 45 anos, a percentagem de população com 80 ou mais anos representará 10,2 por cento do total.» (...)

«
Os indicadores do INE apontam para o aumento do número de famílias compostas por uma e duas pessoas e uma diminuição do número de famílias com três ou mais elementos. Em 2004, menos de 30 por cento das famílias residentes apresentava uma dimensão de mais de três pessoas.» (...)

Porquê?:
(...)
«LUSOS SEM AJUDA

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas critica a falta de incentivos às famílias e à natalidade. A APFN pretende a criação de um subsídio de nascimento de 400 euros, de um abono de 120 euros/mês por filho e da indexação das pensões ao número de filhos.

FISCALIDADE

As famílias numerosas pretendem que o Governo proceda a alterações ao nível da fiscalidade, pois os cidadãos só podem deduzir as despesas com os filhos quando há divorcio, diz Fernando Castro, presidente da APFN. A associação já se queixou ao Provedor de Justiça.

FRANÇA EXEMPLAR

O regime de Segurança Social francês é considerado exemplar. Há vários subsídios para as famílias, entre os quais o de nascimento (830 euros), o de base (166 euros por mês, até aos três anos) e o de início de aulas para os agregados desfavorecidos - 265 euros.» (...)



Há muito tempo que é assim, e o país inteiro paga(rá) por isto!

terça-feira, dezembro 27, 2005

Amor sem papeis?


Porquê casar?
Porque ao casar tento assegurar as condições mínimas para que o amor cresça. Como quem planta uma flor. Não espero que a flor simplesmente cresça, com as raízes ao ar ou dentro do pacote das sementes. Escolho as melhores condições para desfrutar da cor, do perfume e da visão da flor.

Sem compromisso? À experiência? Pode ser. Mas implica um esforço (desumano por vezes) para estar sempre em guarda, sem nunca saber com o que contar. Quando começarem as dificuldades, a tentação de desisitir será sempre muito forte.

É verdade que os papeis e as formalidades não são essenciais. Mas as grandes alegrias geralmente levam à festa, ao extravasar da alegria, a comunicar e divulgar a todos o que nos sucedeu.

É possível comprometer-me, para sempre, sem saber o que o futuro me reserva?
Para apostar em alguém (é disso que se trata, não é?) é preciso algumas condições mínimas, práticas. Basta tentar imaginar que vamos viver com aquela pessoa, 24 horas por dia, para o resto das nossas vidas. Se a ideia não nos encanta, é melhor nem pensar no assunto. Tal como imaginar que os filhos vão ser parecidos com ela / ele ... Ou reflectir sobre o tipo de sexualidade que se deseja viver: a sexualidade impulsiva e caprichosa dificilmente poderá assegurar um casamento (depois de casados os caprichos tornar-se-ão piores...).
A este processo de escolha costuma chamar-se namoro...

Isto é:

primeiro, que pessoa é;

segundo, o que faz e como se comporta;

terceiro, o que promete e diz ( e que só tem valor se for concordante com o modo como se comporta).

Inspirado em
Tomás Melendo Granados
Catedrático de Filosofía
Universidad de Málaga


sexta-feira, dezembro 16, 2005

Abertura à diferença

A partir dos resultados de investigações pluridisciplinares (biologia, antropologia, pedagogia, psiquiatria, psicologia...), a autora analisa os efeitos educativos das escolas que aplicam a educação diferenciada, isto é, que optaram por uma abordagem pedagógica diversificada para rapazes e raparigas, fugindo da imposição do modelo monocolor.

Aumento do sucesso escolar, redução da violência de género, pacificação do ambiente na sala de aula: são dados que vão sendo questionados por Maria Calvo, Professora de Direito na Universidade de Madrid, mãe de quatro filhos. A autora propõe a existência e oferta, tanto de escolas de educação mista como diferenciada, como forma de fugir ao modelo único e personalizar a educação. Reflecte sobre as experiências em curso nos Estados Unidos, Suecia, Alemanha, Reino Unido, em torno à flexibilidade da oferta educativa.

152 páginas de leitura acessível. Ed. Almuzara (Córdova). 2005

terça-feira, dezembro 06, 2005

Educação diferenciada



Em época de exigências de produtividade, e de iniciativas para sair da crise, vale pena ler a recensão do livro de Christina Hoff Sommers, "War Against Boys", ou passar os olhos pela conferência que pronunciou em Madrid sobre o tema.
As questões da educação e do feminismo também são questionadas noutras latitudes.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Nem sempre "o que arde, cura"

"Que o meu filho não sofra, o que eu sofri, e tenha as comodidades que eu não tive"

Quase todos os pais do mundo subscreveriam estas palavras. Evitemos o sofrimento inútil e procuremos facilitar a vida dos filhos.
Mas educar implica esforço, necessita do impulso para vencer a distãncia entre o que se é, e o que se deseja ser. O risco é confundir sofrimento com tudo o que requer algum esforço, ou significa suportar alguma contrariedade. Ou trocar o desejo de comodidade pela exigência de que a vida não tenha dificuldades.

Contrariedades e dificuldades são o tempero da vida de cada um, dos filhos também: precisamos de repensar o valor educativo destas palavras.

Não desejo que os meus filhos sofram? Evidentemente. Mas se lhes esconder o valor do esforço, serão incapazes de decidir por si próprios, quando chegar a altura. Outros decidirão por eles... Se tiverem todas as comodidades possíveis, adoecerão de medo e angústia sempre que encontrarem frustrações na vida.

Como vou conseguir que eles se esforcem?
Com bom senso, sem medos e sem seguidismos de modas: nem o sacrifício, nem as dificuldades causam depressões ou traumas. Costuma ser mais ao contrário...

(Miseravelmente plagiado de Josemanuel Tarrío Ocaña, em Piemsaunpoco.com)

quarta-feira, novembro 30, 2005

Caso social...

O que é que dizem os pais e mães em relação à licença parental, por nascimento dos filhos: "eu gostava, mas...". O poder discricionário das empresas é enorme: são as promoções, os prémios, as facilidades de horário, as ameaças veladas, os contratos a prazo, etc. Mesmo em empresas do estado, quem tiver contrato individual (e cada vez serão mais) está em situação semelhante.

História real, num hospital do Norte: um(a) profissional de saúde está concentrado(a) no seu trabalho.
Ouve uma voz à porta: - "Ó caso social!"
Julga que é alguém no corredor, não liga.
De novo: - "Ó caso social! Não ouviu? Nem sequer me cumprimenta?"
Vira-se. É outro(a) profissional(?) do mesmo hospital.
- "Não percebi que me chamava. Julguei que procurava a assistente social."
- "Claro que era para si. Quem tem três filhos, como v., é um caso social!"

Palavras para quê? Não é no Bangladesh, nem em populações marginais: Portugal séc. XXI, gente licenciada e mestrada. Pois...
Claro que é "caso social", gravíssimo, que alguém desafie o estado anti-natalista e os seus inquisidores ...

Só tenho uma dúvida: de quem são os filhos que vão pagar a pensão de reforma do(a) idiota que falou? E que tal se as pensões de reforma fossem indexadas ao número de filhos?
(Porque não?)

segunda-feira, novembro 28, 2005

País de loucos...


A Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo resolveu atribuir um subsídio de 250 euros por cada bebé nascido no concelho. A inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) teria proibido a "irregularidade", passível de perda de mandato do autarca! (Expresso, 26 Novembro 2005)

O Presidente da República apela à
criação de políticas públicas de apoio à natalidade. (Público)

As previsões demográficas há 30 anos que estão feitas. Previam exactamente o que está a acontecer actualmente: falência dos sistemas sociais, impossibilidade de pagar reformas e pensões, encerramento de escolas, etc.

O sistema fiscal português penaliza as famílias com filhos, de modo progressivo: quanto mais filhos, mais penalização.

Mas será que estes "tipos" (é o nome que merecem) vivem todos no mesmo país??? Estão a mangar c'a gente???

sexta-feira, novembro 18, 2005

Em Espanha, os pais e famílias mostram o seu envolvimento na educação dos filhos


Perto de 2 milhões de pessoas, na maioria famílias, protestam em Madrid contra a política do governo actual. Reclamam o direito de escolher a escola dos seus filhos, direito que tem vindo a ser cada vez mais racionado.
Da próxima vez que vos disserem que os pais não se responsabilizam pela educação dos filhos, ou que participam pouco na escola, aconselhem-se com as famílias do país vizinho...

segunda-feira, novembro 14, 2005

"Família unida jamais será vencida"


Foi este o slogan da manifestação que reuniu em Madrid cerca de 1 a 2 milhões de pessoas, pela liberdade de ensino, pelo envolvimento dos pais na escola, contra o insucesso escolar.

segunda-feira, outubro 31, 2005

E assim nos vão entretendo...

Se lerem o Orçamento de Estado para 2006 verificam que o Relatório sobre a Sustentabilidade da Segurança Social, isto é, o futuro (negro) do "Estado Social", é apresentado com base em dados surrealistas sobre a população residente (pág. 255 ). Se repararem nos dados que o Instituto Nacional de Estatística divulgou, verificam que apenas o cenário mais optimista (índice sintético de fecundidade de 2,0) foi considerado, ou seja, parte-se do princípio de que a população irá aumentar e rejuvenescer. Só não dizem como é que isso irá acontecer, porque é exactamente o inverso do que tem vindo a suceder.
Com relatórios destes (está tudo bem, não é?), não é só o governo que se torna pouco credível. Como o cenário é optimista, ninguém irá fazer nada para mudar as condições de vida das famílias com filhos. Muitos jovens casais desistirão de criar filhos e a demografia ir-se-á afundando.
Esta gente quer mesmo a tal sociedade "neo-liberal"!

domingo, outubro 30, 2005

Broncos demográficos


O INE publicou no seu site os dados demográficos de 2004 , em que se verifica a continuação da redução do número de nascimentos (-2.9%).

O número total do buraco demográfico já se cifra em 870 862, aumentando, todos os anos, em mais de 50 000!
Isto é, NÃO nascem por ano cerca de 50 mil crianças de que necessitamos para manter o país a funcionar, através da injecção de gente nova que trabalhe, inove e contribua com impostos.

Este défice está a sentir-se actualmente no aumento da idade da reforma. Apesar disto, Portugal continua com medidas de penalização dos casais com filhos, sobretudo através de um sistema fiscal discriminatório das famílias com filhos... Este sistema é, aliás, inconstitucional, tendo motivado uma queixa ao Provedor da Justiça.

terça-feira, outubro 25, 2005

Bem clama a ONU



Apesar de todas as dificuldades as "famílias mantêm-se extraordinariamente resistentes". (...)

"Na avaliação da capacidade de resistir à doença, (...), a robustez da família e das redes familiares é o factor determinante."

(Mensagem da ONU para o dia Internacional da Família - 2005)

domingo, outubro 23, 2005

Estes patolas sociais que nos têm governado



Lê-se no Correio da Manhã:

« (...)
temos um défice de 31 por cento na taxa de natalidade, sublinha Fernando Castro. ɉ que a questão da natalidade está relacionada, por exemplo, com a questão das reformas, pois com menos 50 mil crianças por ano é natural que se coloque o problema do financiamento das pensões.
No entanto, recorda o presidente da associação,
não houve uma única medida para combater a causa, ou seja, a baixa de natalidade.»


Somos dos poucos paí­ses em que os impostos aumentam quando as pessoas se casam... E à medida que nascem os filhos, os impostos não diminuem... Ou seja, as famílias com filhos são discriminadas negativamente e castigadas nos impostos. Agora não há novos contribuintes para a Segurança Social porque eles não vêm de Marte, nascem. Pois é ...